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N95, cirúrgica ou de tecido: qual a melhor máscara para se proteger da variante ômicron?

A chegada da variante ômicron do coronavírus ao Brasil causou um salto no número de casos da doença devido ao altíssimo grau de transmissibilidade da nova cepa. Cidades que ensaiavam começar a liberar o uso de máscaras em determinados locais precisaram recuar na decisão porque essa proteção voltou a ser imprescindível para conter a circulação do vírus.

O Saúde da Saúde conversou com Gilberto Barbosa, infectologista e integrante do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (Passo Fundo – RS), que explicou as diferenças entre cada máscara e seus potenciais de proteção no novo contexto da circulação da variante ômicron. Confira:

Entre os modelos que temos no mercado, qual seria a máscara mais eficiente para se proteger da ômicron, variante considerada até agora a mais transmissível?
A transmissão do vírus SARS-COV-2 (Covid-19) ocorre, principalmente, através da via respiratória, por meio de gotículas e aerossóis. Ou seja, indivíduos infectados eliminam o vírus através da respiração, ao falar e tossir. A nova variante tem um potencial de transmissibilidade bem superior às variantes que surgiram no início da pandemia, portanto, cresce a importância da máscara como proteção para a disseminação do vírus. Nesta situação, as mais recomendadas são aquelas que possuem uma capacidade alta de filtração de partículas, acima de 95%, como os modelos N95, PFF2 ou KN95.

Há uma recomendação geral sobre o tipo de máscara mais adequado para determinadas situações? Por exemplo: prática de esportes, transporte público, viagens de avião etc.
A função prioritária da máscara é fazer a retenção dos vírus que seriam expelidos pela pessoa que está infectada, portanto, a recomendação da máscara deverá considerar, principalmente, o nível de distanciamento das pessoas, intensidade de ventilação no local, além da probabilidade de circulação de indivíduos infectados. Não existe uma recomendação padronizada, mas podemos dizer que, em locais como transporte público, seria importante o uso de máscaras de maior proteção, tipo N95. Já em situações como prática de esportes e ao ar livre podem ser usadas máscaras cirúrgicas ou de tecido.

As máscaras N95 e cirúrgicas podem ser reaproveitadas ou devem ser descartadas logo após um único uso?
Idealmente as máscaras N95 devem ser de uso único, mas, devido à restrição de disponibilidade, é aceitável utilizá-la após deixar um período de 3 a 5 dias em embalagem de papel em local que permita adequada aeração. Uma estratégia é ter cinco máscaras para serem utilizadas em cada um dos dias da semana. As máscaras cirúrgicas, geralmente, devem ser descartadas após o uso ou quando estiverem molhadas ou sujas.

Usar combinações de duas máscaras é realmente eficaz?
O CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos publicou em suas recomendações a indicação do uso de dupla máscara. Esta combinação de duas máscaras, uma cirúrgica por baixo e uma de tecido por cima, aumentou a proteção conferida de forma significativa, chegando a valores próximos ao modelo N95. Este aumento da eficiência está muito relacionado à adequada fixação e vedação na face que a máscara sobreposta proporciona. Este modelo é uma alternativa de baixo custo para ser utilizada nas situações de maior risco como transporte coletivo.

Como varia o tempo de proteção oferecidos pelos diferentes modelos de máscara?
As máscaras de tecido e cirúrgica costumam ter eficácia em torno de 2 horas, mas o que limita o uso é quando ela fica molhada. As máscaras N95, como regra, se mantêm eficazes durante todo o turno de trabalho, de 4 a 8 horas. É muito importante observar que é preciso colocar a máscara de forma adequada, cobrindo completamente o nariz e a bora, bem ajustada ao rosto e sem ter espaços nas laterais. Também é necessário sempre higienizar as mãos antes e após o manuseio da máscara.

Medidas de prevenção contra a Covid-19: é importante relembrar

Saiba como se proteger em todas as idades, vacinado ou não, saudável ou doente

O Ministério da Saúde lançou uma campanha em larga escala para conscientizar a população sobre três medidas fundamentais no combate à propagação do novo coronavírus e suas variantes: higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. O Saúde da Saúde aproveitou o ensejo para conversar com a infectologista Vera Rufeisen, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, para reforçar a importância das medidas de prevenção contra a Covid-19  enquanto a vacinação avança no país e a propagação da doença segue estável, porém ainda num patamar alto.

Saúde da Saúde – A contaminação por superfícies é menos que intensa do que a por interação social? Por quê?
Vera Rufeisen – As partículas virais são transmitidas diretamente através da eliminação de gotículas respiratórias pela fala, pela tosse e pelo espirro, principalmente.  Mas também indiretamente, tocando as superfícies contaminadas com estas gotículas, e tocando o rosto (nariz, olhos e boca) com as mãos contaminadas.  A via respiratória é a principal forma de transmissão, é onde o vírus adere aos receptores nas células. As superfícies, portanto, podem servir apenas de intermediárias, caso a higiene das mãos não seja realizada adequadamente.

Há alguma diferença de eficácia entre lavar as mãos e usar álcool em gel?
O padrão ouro recomendado pela Organização Mundial da Saúde é a higiene das mãos com álcool em gel a 70%, desde que as mãos estejam sem sujidade aparente. Se estiverem sujas, devem ser lavadas com água e sabão. O álcool tem espectro de ação grande, é mais prático, pode estar no ponto de assistência, tem ação rápida e não causa lesões na pele. O tempo necessário para higiene completa das mãos com álcool em gel é de 20 a 30 segundos. A Campanha deste ano da OMS fala sobre “os 20 segundos que salvam vidas”.

Qual é o papel da alimentação na prevenção e no tratamento da doença?
A alimentação saudável, sem alimentos ultraprocessados, com frutas, legumes e verduras, associada aos bons hábitos de vida e  atividade física  promovem a base da vida saudável, e consequentemente de uma boa imunidade.

Que medidas uma pessoa já contaminada pode tomar para minimizar os riscos de desenvolver a forma grave da doença?
A pessoa contaminada deve permanecer em isolamento social – mesmo em domicílio, se morar com alguém –,  em repouso relativo: não muito tempo deitado nem na mesma posição, a fim de proporcionar expansão pulmonar adequada. Deve também se manter bem hidratado, controlar as doenças pré-existentes, além de monitorar atentamente a sua temperatura e a oximetria do sangue. Habitualmente, as complicações acontecem entre o sexto e o nono dias do início dos sintomas. Caso ocorra queda na oxigenação do sangue ou reaparecimento de febre, por exemplo, deve-se procurar imediatamente o serviço de saúde.

Qual é a importância  de uma grande campanha a nível federal sobre bons hábitos de prevenção?
É de extrema importância que o país tenha uma liderança uníssona para enfrentamento da pandemia. Algumas pessoas, por cansaço ou por desinformação tendem a relaxar as medidas de prevenção, e precisam ser estimuladas e direcionadas por um governo assertivo, guiado por posicionamento científico. Quando um líder questiona as medidas de prevenção, cria uma névoa de dúvidas, confundindo os menos esclarecidos, e dando voz aos que negam a gravidade da maior tragédia sanitária do século.

Coronavírus: saiba como as máscaras caseiras podem te proteger na pandemia

O isolamento social é a forma mais eficaz para conter o avanço da pandemia de coronavírus. Caso você precise sair de casa, é importante adotar medidas para reduzir os riscos de contaminação. Uma das orientações das autoridades sanitárias é o uso de máscaras, mesmo se você não está infectado ou com sintomas respiratórios. 

Abaixo, saiba quando e como usar a máscara caseira ou de tecido de forma eficiente e os cuidados necessários para estar protegido. E veja aqui e aqui como fazer em casa dois tipos de máscaras de pano. 

Lembre-se de que comprando ou fazendo a sua máscara de tecido você contribui para que as máscaras profissionais sejam usadas por quem mais precisa: os trabalhadores da saúde, que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. 

Quando devo usar máscara? 

A máscara é uma medida adicional de proteção para as ocasiões em que é necessário sair de casa durante a pandemia. Ela deve ser usada para ir a locais públicos ou com aglomeração de pessoas, como supermercado, farmácia e transporte público. 

Qualquer pessoa pode fazer uso de máscaras faciais de tecido, inclusive crianças maiores de dois anos, desde que respeitado o ajuste e a higiene do material. Deve-se evitar o uso por pessoas inconscientes ou incapacitadas de remover a máscara sem assistência.

Vale lembrar que, mesmo com a máscara, deve ser observada a distância de mais de um metro das outras pessoas. 

Como devo usar a máscara?  

Para ser eficiente, a máscara deve cobrir totalmente boca e nariz, sem deixar espaços nas laterais, mas proporcionando conforto para a respiração. É imprescindível que a máscara seja de uso individual – ela não deve ser compartilhada. O recomendado é que cada pessoa tenha aproximadamente cinco máscaras de uso individual. 

Para removê-la, deve-se manusear o elástico ao redor das orelhas, sem tocar na parte frontal da máscara. Sempre higienize as mãos antes e depois de retirar a máscara. 

As máscaras caseiras são seguras?

 O coronavírus é transmitido através de gotículas eliminadas quando pessoas infectadas falam, tossem ou espirram. As máscaras funcionam como uma barreira física para reduzir a proliferação destas gotículas e atuam como barreira física para pessoas saudáveis, diminuindo a exposição e o risco de infecção para a população em geral. 

Vale ressaltar que as máscaras sozinhas não fornecem proteção total contra o coronavírus. É fundamental que o uso da máscara seja combinado a outras medidas preventivas, como frequente higiene das mãos com água e sabão ou preparação alcoólica a 70%, medidas de higiene respiratória/etiqueta da tosse e evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca. 

 De quanto em quanto tempo devo trocar a máscara?

 A máscara de tecido não deve ser utilizada continuamente por mais de três horas. Deve ser trocadas após este período ou sempre que estiver úmida, suja, danificada ou se houver dificuldade para respirar.

 Quando é hora de descartar a máscara usada?

 A máscara de pano deve ser descartada sempre que for observado possíveis danos que possam comprometer sua eficácia como barreira física. Ex: deformação, desgaste, perda de elasticidade das hastes de fixação ou deformidade no tecido. As máscaras de TNT não podem ser lavadas e devem ser descartadas após o uso. 

 Como higienizar as máscaras caseiras de tecido? 

 As máscaras de tecido devem ser reutilizadas por, no máximo, 30 lavagens. A higienização correta é feita da seguinte forma:

  • lavar separadamente de outras roupas;
  • lavar com água corrente e sabão neutro;
  • depois, deixar de molho em uma solução de água com água sanitária (2 colheres de sopa de água sanitária para 1 litro de água) ou outro desinfetante por 30 minutos;
  • enxaguar bem para remover os resíduos de desinfetante;
  • evitar torcer e deixar secar;
  • passar com ferro quente;
  • armazenar em recipiente fechado.