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Conheça o medicamento contra Covid-19 aprovado pela Anvisa para pessoas com imunidade comprometida

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, temporariamente, o uso emergencial e em caráter experimental do medicamento Evusheld da empresa AstraZeneca. Trata-se do primeiro remédio contra Covid-19 com indicação profilática. Neste caso, o remédio não é usado para tratar a doença, mas sim para prevenir que a pessoa tenha sintomas se for infectada.

Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês e médica do serviço de Controle de Infecção Hospitalar, explica que, para receber esse medicamento, o paciente não pode estar com Covid-19 e nem ter sido exposto ao vírus.

Na autorização, a Anvisa restringiu a indicação do medicamento a pessoas imunocomprometidas, que são mais propensas a ter uma resposta imunológica menor à vacina contra a Covid-19 e também com mais chances de desenvolver a forma grave da doença.

“É um medicamento indicado para aquele grupo que tem o sistema imune fraco. Essas pessoas não vão ficar protegidas, ou ficarão muito pouco protegidas, pela vacina. Por exemplo: pessoas que fizeram transplante – dependendo do tipo e das medicações imunosupressoras que usam; pessoas que têm tumores reumatológicos; pessoas com HIV numa fase muito avançada e sem tratamento”, exemplifica Mirian Dal Ben.

A aplicação do Evusheld é feita em duas doses, por injeção intramuscular, em hospital ou serviço de saúde.

Segundo a infectologista, ainda não há um estudo para avaliar os resultados práticos do uso do Evusheld no Brasil. Mas, no estudo clínico considerado para a validação do uso emergencial do medicamento pela Anvisa, o grupo de pessoas imunosuprimidas que recebeu o medicamento teve menos sintomas de Covid-19 do que o grupo que não foi medicado.

Vacina

A autorização da Anvisa prevê a indicação do Evusheld também para pessoas às quais as vacinas contra a Covid-19 não sejam recomendadas. Por exemplo, indivíduos com histórico de reação alérgica grave à vacina ou a qualquer um de seus componentes.

A agência ressalta, no entanto, que o medicamento não substitui a vacina para aquelas pessoas que podem tomar o imunizante. “Pessoas para as quais a vacinação é indicada devem receber a vacina contra Covid-19 normalmente. Isso inclui aquelas com comprometimento imunológico moderado a grave, mas que podem se beneficiar da vacinação contra a infecção, segundo avaliação profissional”, informa a Anvisa.

O medicamento já possui aprovação para uso emergencial pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e também pelas autoridades reguladoras da França, Israel, Itália, Barein, Egito e Emirados Árabes Unidos.

Cardiologista comenta riscos da automedicação contra a Covid-19

O médico explica que, por enquanto, a vacina é o única forma de prevenir a doença

Como muita gente ainda recorre a medicamentos sem comprovação científica para prevenir ou tratar a infecção pelo novo coronavírus, o Saúde da Saúde conversou sobre os riscos da automedicação com médico Gustavo Lenci, cardiologista do Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba, e professor do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ele foi enfático ao desencorajar a prática, destacando os riscos de efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Saúde da Saúde – De maneira geral, quais podem ser as consequências do uso de medicamentos sem prescrição médica?
Gustavo Lenci – A automedicação é sempre perigosa. Há uma série de doenças que o paciente pode ter ou mesmo interações de remédios que, quando associados, podem levar a mais efeitos colaterais. Por isso, sempre desestimulamos qualquer atividade de automedicação. Quando surgirem dúvidas, o mais recomendado é procurar um profissional.

Infelizmente, alguns médicos têm prescrito remédios sem comprovação científica de benefícios na prevenção ou no tratamento da Covid-19. Quais são os principais riscos envolvidos?
Os riscos se devem ao uso dessas medicações sem saber os efeitos colaterais que podem provocar. Com base em resultados laboratoriais, o médico poderia até ponderar o uso em situações extremas, mas há medicações que são prescritas que comprovadamente não funcionam. Nesses casos, pode-se expor o paciente a efeitos colaterais para algo que está provado não haver benefício.

Além de tratar os sintomas, que remédios podem realmente ser administrados no tratamento da Covid-19?
Pacientes em situações graves precisam de oxigênio ou de corticoides, único tratamento com estudos que comprovam benefício. É importante ressaltar que o tratamento adequado para a Covid-19 ocorre dentro do hospital, com uso de anticoagulação profilática. Infelizmente, para uso domiciliar, ainda não existe nada comprovado. As principais agências reguladoras, do Reino Unido, da União Europeia e dos Estados Unidos, recomendam que não seja utilizado nenhum medicamento em domicílio.

Há algum remédio capaz de prevenir a doença fortalecendo o sistema imunológico?
Sabe-se que o único meio de fortalecimento do sistema imunológico contra a Covid-19 por meio de medicação chama-se vacina. Nos demais casos, ou o estudo é negativo ou ainda está em fase de teste. Medicação preventiva não existe. A melhor forma é se vacinar e garantir o seu bom estado de saúde, regulando a atividade física e mantendo uma boa dieta para controlar doenças que possam agravar o quadro.