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Nutrição no hospital: por que a dieta é importante na recuperação do paciente

É normal as pessoas sentirem falta da comidinha de casa quando estão internadas. Mas o cardápio servido no hospital é elaborado com a mesma dedicação, pois está diretamente ligado ao processo de recuperação dos pacientes.

Em 31 de agosto é comemorado o Dia do Nutricionista, e o blog conversou com Marisa Resende Coutinho, que atua na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Ela explica como esse profissional trabalha para garantir o fluxo de produção dos alimentos servidos no hospital e também na elaboração da dieta específica para cada diagnóstico.

Qual a importância da dieta no hospital para a recuperação do paciente?
Marisa Coutinho:
Ter uma alimentação harmoniosa e equilibrada associada a uma boa aceitação é essencial para garantir todos os nutrientes que o organismo necessita. Considerando o paciente internado, isso é fundamental para ajudar na recuperação, pois muitas doenças podem aumentar, diminuir ou requerer uma demanda nutricional específica.

Qual a influência do diagnóstico na dieta?
Marisa Coutinho: Há diagnósticos que consomem muita energia, aumentando o gasto energético – por exemplo, o câncer e doenças pulmonares crônicas. Outros, que podem levar a um aumento da necessidade de proteínas, como no caso de pacientes queimados. E há ainda casos que demandam a restrição de algum nutriente. Este paciente precisa de nutrientes específicos e de uma alimentação que supra essas necessidades para garantir a recuperação e reduzir o tempo de internação hospitalar.

E quando o paciente não tem apetite?
Marisa Coutinho: Não é incomum o paciente ficar inapetente em função de alteração de paladar induzida por medicamentos, por estar deprimido em estar internado, pela refeição ser diferente da habitualmente consumida, entre outros fatores. No entanto, é necessário que o especialista entenda este cenário e faça a dieta individualizada, proporcionando ao paciente o prazer de se alimentar. Para favorecer a recuperação e garantir uma boa assistência, a equipe se baseia em protocolos atendendo, assim, às necessidades de cada paciente.

Como é o trabalho do nutricionista na rotina do hospital?
Marisa Coutinho: O trabalho da nutricionista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo possui duas áreas de concentração: o processo produtivo e a assistência nutricional. No processo produtivo, está contemplada a elaboração de cardápios e a produção das refeições obedecendo dietas específicas e individualizadas para que o paciente tenha melhor aceitação e resultado no seu tratamento dietoterápico e clínico como um todo. Ele também elabora as refeições para colaboradores e médicos. No trabalho de assistência nutricional, traçamos a melhor dietoterapia de acordo com o diagnóstico, visando à recuperação ou à manutenção do estado nutricional de cada paciente.

De que forma é elaborado o cardápio dos pacientes?
Marisa Coutinho: O cardápio é a ferramenta que inicia todo o processo produtivo. A partir dele é que se determinará o que será produzido, por quem, quando, quantidade, matérias-primas, equipamentos e procedimentos. São produzidos vários tipos de dietas com diferentes consistências, nutrientes, e o nutricionista prescreve a mais indicada para o estado do paciente. Essa individualização é fundamental para a melhor aceitação e, com isso, garantir todos os nutrientes que o corpo precisa. Para a elaboração dos cardápios, são seguidas as quatro leis citadas por Pedro Escudero [pioneiro do estudo nutricional]: quantidade, qualidade, harmonia e adequação.

Nas unidades do São Camilo, como é a estrutura das cozinhas?
Marisa Coutinho: Hoje, temos uma cozinha com serviço próprio em cada unidade da rede. Contamos com 372 colaboradores, entre nutricionistas, técnicos em nutrição, cozinheiros, copeiros, auxiliares de nutrição, açougueiros, lactaristas e administrativos. Também temos apoio de vários setores, como manutenção, engenharia clínica, hotelaria, suprimentos, e a parceria de todos os setores assistenciais multiprofissionais. Os nutricionistas fazem desde a programação de cardápios, solicitações de compras, processo produtivo, acompanhamento do paciente, prescrição de dietas enterais e suplementos de acordo com cada caso e de acordo com o protocolo. Atualmente, produzimos, em média, 308 mil refeições por mês sendo: 89 mil para pacientes, 17,5 mil para acompanhantes, 187 mil para colaboradores e 14,5 mil para médicos.

Você no hospital: cuidados para garantir o sucesso da sua cirurgia

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são realizadas, por ano, cerca de 234 milhões de grandes cirurgias no mundo. O sucesso deste tipo de procedimento depende de uma equipe médica capacitada e também da participação do paciente, com uma série de cuidados que pode tomar antes, durante e depois de passar pela mesa de operação.

Esse é um dos tópicos da Cartilha de Segurança do Paciente elaborada pela Associação Nacional dos Hospitais Particulares (Anahp) com dicas de como evitar situações inesperadas enquanto estiver no hospital. Confira: 

A conversa com o médico

Quando optar por realizar a intervenção, converse com o seu médico sobre as opções de cirurgias possíveis para o seu tratamento, os riscos e benefícios. É muito importante informar sobre alergias e problemas de saúde existentes.  

No dia da cirurgia, o paciente precisa levar todos os exames e documentos necessários para a internação. O anestesiologista fará uma avaliação pré-anestésica, na qual explicará sobre o procedimento, o controle da dor no pós-operatório e possíveis complicações. Preste atenção a todas as orientações e tire as dúvidas que surgirem. 

O mesmo vale na hora de ler os termos de consentimento para a anestesia e a cirurgia, que você precisará assinar. Atenção e, se não entender algo, é direito do paciente perguntar. Estes documentos especificam, por exemplo, procedimentos que o hospital poderá adotar em situações que ocorram dentro do centro cirúrgico.  

Pós-operatório

Após a cirurgia, um ponto fundamental é evitar ao máximo o risco de infecção, que pode comprometer seriamente o processo de recuperação. E alguns cuidados começam antes mesmo do procedimento. 

O paciente não deve remover os pelos no local da cirurgia, pois o uso de lâminas pode causar feridas na pele que seriam portas de entrada para bactérias. Também é necessário um banho imediatamente antes de ir para a sala de operação.

Quando já estiver no quarto, quem for visitar o paciente precisa estar atento às normas de higiene para que não haja nenhum tipo de contaminação.

Sondas e cateteres

Os cateteres ficam na veia do paciente e são usados para administrar medicação e coletar exames. Já as sondas são por onde ele recebe dieta e água em casos nos quais não pode se alimentar normalmente. Também há sondas usadas para drenar líquidos e secreções, e outras para aplicar medicamentos. 

Para que não sejam fonte de infecção ou outro fator que possa complicar a recuperação, eles precisam ser manipulados e cuidados de forma adequada. O ideal é que só a equipe médica manipule o cateter e a sonda, ou que o paciente o faça apenas com a orientação de um profissional do hospital. 

Qualquer pessoa que for mexer nestes dispositivos precisa higienizar as mãos antes e depois. Em alguns casos, eles precisam ser protegidos durante o banho. Quando for se mover, o paciente deve ter cuidado com o cateter e a sonda e verificar se eles estão bem fixos. Qualquer incômodo ou dor na região deve ser informado à equipe de saúde. 

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente o Manual de Segurança do Paciente no Anahp On Demand e saiba mais: https://ondemand.anahp.com.br/categoria/publicacoes.

Qual a diferença entre pronto-socorro e pronto atendimento?

Muitas vezes ao precisar de atendimento emergencial, seja devido a um mal-estar, um acidente doméstico ou até mesmo por algo mais grave, ficamos na dúvida se devemos ir a um pronto-socorro ou a um pronto atendimento. Para acabar com essa incerteza, conversamos com especialistas e buscamos informações para esclarecer a melhor opção em cada caso.

De acordo com definição do Ministério da Saúde, pronto atendimento são unidades, não necessariamente vinculadas a hospitais, destinadas a atender casos agudos, porém com menor gravidade. O pronto atendimento geralmente funciona dentro de um horário de serviço pré-determinado. Já o pronto-socorro presta assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato e, por isso, funciona durante as 24 horas do dia. Além disso, o pronto-socorro dispõe apenas de leitos de observação.

É importante ficar atento aos sintomas

Ou seja, podemos nos encaminhar para qualquer um dos dois em casos de sintomas súbitos e agudos, em que não há possibilidade de aguardar o agendamento de uma consulta ambulatorial. Porém, é importante avaliar os sintomas antes de decidir para qual deles ir. O pronto-socorro é mais indicado para casos complexos.

Buscar atendimento para quadros de febre, diarreia, resfriados, entre outras situações mais simples em pronto-socorro pode dificultar a situação tanto para o paciente quanto para a equipe médica. É o que ressalta a médica Janaína Ghiraldi, gerente médica do Hospital Santa Paula. “Desinformados, os pacientes procuram os prontos-socorros dos hospitais, quando seriam mais bem atendidos em unidades de pronto atendimento. Isso gera problemas de graves proporções: a superlotação desses setores, longas horas de espera e, por vezes e que é mais grave, o comprometimento no atendimento apropriado do doente que realmente está em condição de risco iminente de morte”.

Embora os prontos-socorros estejam acostumados a lidar mais com emergências de alta complexidade como politraumas, infartos agudos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC), também estão disponíveis para auxiliar a promoção da saúde, como afirma o médico Fabio Nakandakare Kawamura, coordenador médico do Pronto-socorro da Unidade Santana da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. “Os profissionais em pronto-socorro precisam sempre acolher cada paciente, não se limitando a tratar a condição de urgência e emergência, mas também se engajando em esclarecer sobre como o paciente deve prosseguir seu acompanhamento médico após ter alta do pronto-socorro. Cada atendimento em pronto-socorro é uma janela de oportunidade para que se promova a saúde de um paciente”.

Em 2017, somente na rede de hospitais cadastrados na Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), foram registrados mais de 10 milhões de atendimentos em pronto-socorro. As unidades contam com uma equipe formada por médicos de diversas especialidades, como Anestesiologia, Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral e Ortopedia, seguindo as definições do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Há pouco mais de uma década estão sendo formados no Brasil profissionais voltados para a área de atendimento em emergência, o que auxilia na qualidade do serviço. “Em 1996, foi criada a primeira residência médica de Medicina de Emergência no Rio Grande do Sul. Hoje, além do Sul, Fortaleza e, recentemente, São Paulo, também estão formando ‘emergencistas’. Tratam-se de médicos com formação generalista, mas com apelo ao tratamento das patologias agudas e graves”, destaca Janaína.