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Distanciamento social: como o cérebro rastreia os seus passos e das pessoas ao redor

Em tempos de pandemia, um estudo revela que o cérebro humano está mais atento do que se imaginava a aglomerações. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) constataram que, quando você divide um ambiente com outros indivíduos, diferentes padrões de ondas cerebrais monitoram o movimento das pessoas ao redor, ajudando você a encontrar lugares mais vazios ou mesmo evitar uma colisão involuntária.

“Nossos cérebros criam uma assinatura universal para nos colocar no lugar de outra pessoa”, explica a neurocirurgiã Nanthia Suthana, autora do estudo publicado pela revista Nature. Nanthia e uma equipe de pesquisadores observaram pacientes com epilepsia, cujos cérebros tiveram eletrodos implantados cirurgicamente para controlar convulsões. Os eletrodos foram alocados no lobo temporal medial, o centro do cérebro ligado à memória e que pode ser o responsável por controlar a navegação do indivíduo, como um GPS do corpo.

Pesquisas realizadas com roedores já haviam mostrado que ondas de baixa frequência eram geradas em neurônios do lobo temporal medial para ajudar esses animais a manter o controle de seu deslocamento. Para verificar se o conceito valeria também para seres humanos, os cientistas criaram uma mochila especial, contendo um computador capaz de se conectar, via wireless, aos eletrodos cerebrais. Os equipamentos foram entregues aos pacientes, permitindo que os pesquisadores acompanhassem a variação das ondas enquanto se movimentavam livremente.

Durante o experimento, cada paciente carregou a mochila e foi instruído a explorar uma sala vazia, encontrar um local escondido e lembrá-lo para futuras buscas. Enquanto caminhavam, a mochila registrava suas ondas cerebrais, movimentos dos olhos e caminhos pela sala em tempo real.

Conforme vasculhavam a sala, suas ondas cerebrais fluíam em um padrão distinto, sugerindo que os seus cérebros haviam mapeado as paredes e outros limites. Curiosamente, as ondas cerebrais s também fluíram de maneira semelhante quando eles se sentaram em um canto da sala e viram outra pessoa se aproximar do local. A descoberta implica que o cérebro produz o mesmo padrão para rastrear não apenas os próprios passos, mas também os de outras pessoas em um ambiente compartilhado.

A autora do estudo explica por que esta descoberta é importante: “As atividades cotidianas exigem que naveguemos constantemente em torno de outras pessoas quando estamos no mesmo lugar. Considere escolher a fila de segurança mais curta do aeroporto, procurar uma vaga em um estacionamento lotado ou evitar se esbarrar em alguém na pista de dança”, afirma Nanthia.

No atual contexto de pandemia de Covid-19, em que o distanciamento social é a melhor estratégia de prevenção enquanto as vacinas não chegam, esse recurso é mais que oportuno.

(Fonte: Edição do texto original de Frederico Cursino, da Agência Einstein)

Terapia celular: reforço no tratamento de casos graves de covid-19

Um estudo brasileiro apresenta resultados preliminares animadores para o tratamento da insuficiência respiratória aguda causada pelo coronavírus. Iniciado em Salvador, no Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, o trabalho é fruto de muitos anos de pesquisa e envolvimento de dois grupos de pesquisa de referência na área de medicina regenerativa no Brasil, um liderado pelo médico Bruno Solano, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e outro comandado pela médica Patrícia Rocco, do Laboratório de Investigação Pulmonar do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ.

O poder das chamadas células tronco mesenquimais (MSCs) no tratamento de doenças oncológicas, medulares, degenerativas, entre outras, já é amplamente conhecido: com capacidade de autorrenovação e diferenciação, elas se transformam em diferentes células que compõem tecidos do corpo. Agora,  também podem representar uma esperança para o tratamento de pacientes com quadros graves de covid-19. O Saúde da Saúde conversou com o médico Bruno Solano sobre a pesquisa:

O que são as MSCs?
 
Bruno Solano – São células-tronco que podem ser obtidas de tecidos adultos, como a medula óssea e o tecido adiposo, ou perinatais, como o tecido do cordão umbilical. Estas células têm propriedades terapêuticas pois são capazes de reconhecer e responder a ambientes de lesão, estimulando o controle da inflamação e processos de regeneração e reparo. Suas ações decorrem do conjunto de moléculas e das vesículas extracelulares que essas células liberam no ambiente lesionado. Podemos utilizar terapeuticamente tanto as células como as vesículas, que carregam mediadores importantes para a resolução da inflamação e ativação de processos de reparo.
Como poderiam ser úteis em males decorrentes da pandemia?
Acreditamos que a administração de MSCs e vesículas possa ter um papel no tratamento dos casos graves da covid-19, com hiperinflamação e lesão no tecido pulmonar, além de comprometimentos sistêmicos. Dados preliminares têm demonstrado a capacidade de imunomodulação dessas células e no controle de marcadores de resposta inflamatória. Elas também exercem atividade anti-fibrose e podem contribuir para a recuperação dos pacientes com danos pulmonares decorrentes da covid-19 e do tempo prolongado de ventilação mecânica.
Qual é o formato da pesquisa? 
A primeira etapa foi um estudo piloto envolvendo dez pacientes, que já foi finalizado. Estamos agora na etapa de análise de dados. Os pacientes receberam as MSCs em diferentes doses com foco no monitoramento de segurança e na evolução clínica dos pacientes. Os dados deles são acompanhados pela Anvisa.
Quais são os possíveis riscos e efeitos colaterais envolvidos? 
O maior temor da injeção de MSCs por via endovenosa é o risco de indução de coagulação e eventos tromboembólicos, que podem ser minimizados com o uso de anticoagulação, com o adequado controle de qualidade do processo de produção das células e com a utilização de doses seguras.
Em caso de eficácia comprovada, em quanto tempo o tratamento estará disponível para pacientes fora da pesquisa?
Tudo dependerá primeiro do cumprimento do processo regulatório e da comprovação de segurança e eficácia do tratamento. Caso os resultados sejam positivos, tenho certeza de que não haverá dificuldade em buscar parcerias para viabilizar a terapia para um maior número de pacientes.
Será um tratamento caro? 
Trata-se de um produto terapêutico de alta complexidade e, portanto, o custo de produção em boas práticas é elevado. No entanto, espera-se que ocorra uma redução de custo com o ganho de escala de produção, caso a terapia venha a ser amplamente disponibilizada.

Ester Sabino: “Não há motivos para achar que a vacina não irá funcionar”

Em fevereiro de 2020, a imunologista Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP e cientista do Instituto Adolfo Lutz e da Universidade de Oxford, anunciou um feito e tanto para a comunidade científica: apenas dois dias após a confirmação do primeiro caso da Covid-19 em território nacional, o grupo liderado pela médica e outros brasileiros já havia conseguido sequenciar o genoma do vírus. Um tempo recorde, especialmente considerando que, em outras nações afetadas, a média para decodificação do Sars-Cov-2 havia sido de 15 dias.

Seria exagero dizer que a vida de Ester Sabino mudou da noite para o dia. Mas o fato é que, em 48 horas, a cientista alcançou um status inédito em mais de três décadas de carreira. À frente de trabalhos importantes na área de imunologia, contribuiu para o avanço dos estudos sobre a Doença de Chagas e ainda participou dos primeiros sequenciamentos dos genomas do HIV e do Zika Vírus no Brasil – este último lhe renderia inclusive um convite para uma parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. Desta vez, no entanto, a repercussão ultrapassou os muros acadêmicos.

Com o mapeamento do genoma, é possível entender o percurso da transmissão e o tempo em que o vírus está circulando em determinada região, informações essenciais para a adoção de medidas de contenção. A façanha rendeu a Ester uma homenagem inesperada de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que emprestou os traços da personagem Magali para transformá-la na cientista. “Foi (um reconhecimento) importante porque era um momento em que os cientistas vinham sendo desqualificados”, comenta. “A ciência é algo que, se você para de investir, fica difícil de retomar. Perde-se uma geração, duas…”

O convite para trabalhar com o sequenciamento do novo coronavírus chegou de forma abrupta, como a própria eclosão da pandemia. Mas Ester e sua equipe já estavam preparados. Desde 2012, o grupo do IMT-USP vinha desenvolvendo o método de identificação de genomas virais, inicialmente durante o surto da dengue naquele ano e, depois, na epidemia do zika vírus em 2016. “Mas, no caso do zika, só conseguimos concluir o sequenciamento quando a epidemia havia acabado. Então, o nosso foco foi melhorar esse timing, para conseguir trazer resultados mais cedo”, afirma.

Ester também coordena o sequenciamento do genoma de três mil pacientes de Anemia Falciforme e ainda lidera um estudo de prevalência do novo coronavírus com base em amostras de bancos de sangue. Foi nesta oportunidade que chegou a cogitar, em setembro de 2020, a possibilidade de Manaus ter adquirido imunidade de rebanho contra a Covid-19. Porém, o novo aumento de casos na capital amazonense logo no mês seguinte acabaria afastando a tese.

“As análises do banco de sangue haviam mostrado uma prevalência de 66% de contaminados, que é o valor teórico para a imunidade de rebanho para um vírus com essa característica. É um conceito teórico, não quer dizer que a epidemia acaba.” Ester acrescenta que outras capitais, como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, também apresentam índices próximos. Mas o País, no geral, ainda estaria longe da taxa necessária para a imunidade. “Outro problema é saber se eles irão se reinfectar. Pois no momento em que isso acontece, não se pode mais falar em imunidade rebanho”, afirma.

Por isso, ela reforça a necessidade da adesão total à vacina, assim que estiver disponível, como a melhor forma de se controlar a doença no País. “Estou muito otimista, porque a vacina bem funcionou em modelos animais e não há motivos para achar que ela não irá funcionar.”

(Edição da entrevista concedida a Frederico Cursino, da Agência Einstein)

Entenda o papel da ciência no combate à pandemia de covid-19

No momento, há cerca de 200 estudos catalogados na Organização Mundial da Saúde (OMS) para a fabricação de vacinas contra o coronavírus – em 11 deles, os testes já chegaram à fase 3. Segundo o médico imunologista Jorge Kalil, que lidera um grupo de cientistas brasileiros na corrida pela vacina, “é absolutamente fantástico que tenhamos chegado tão rápido a esses resultados”. Ele é diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), da Universidade de São Paulo (USP) e participou da plenária sobre O Papel da Ciência e da Tecnologia no Combate à Pandemia durante a última edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2020.

Num contexto em que a ciência sofre com campanhas de descrédito político-ideológico no Brasil e em diversos outros países, Kalil ressaltou a agilidade e a eficiência de profissionais de virologia, epidemiologia e imunologia em todo o mundo. “Os resultados dessas vacinas já aparecem em menos de um ano do surgimento da pandemia, um feito histórico”, disse. A vacina contra o ebola, em comparação, tomou cerca de 15 anos de estudos e testes até ser considerada pronta.

“O Sars-CoV-2 (como foi batizado o novo coronavírus) veio para ficar”, frisou o imunologista. “Só pode ser controlado, como o vírus da influenza.”  E as únicas maneiras de enfrentar uma pandemia passam necessariamente pela ciência: o desenvolvimento de um tratamento simples, efetivo e barato, o que ainda não existe; o estabelecimento da imunidade de rebanho, que acarretaria ainda muitos adoecimentos e mortes; e uma ou mais vacinas, a perspectiva mais razoável hoje no curto prazo.

Além dessas questões cruciais, a pesquisa da vacina brasileira em desenvolvimento pela equipe liderada por Jorge Kalil tem como objetivos  ser aplicada em dose única com método não-injetável, ter baixo custo e ser produzida com autonomia tecnológica. “É um trabalho de valor incalculável, especialmente no Brasil, onde a ciência já sofria há anos com falta de recursos, mas conseguiu se reerguer.”

Home Care: qualidade de vida para o paciente e redução de custos

O home care, ou internação domiciliar, permite a continuidade do tratamento em casa para aqueles pacientes com quadros clínicos estáveis, mas que ainda necessitam de assistência, sem depender da estrutura hospitalar.

Segundo a gerente da Atenção Domiciliar da S.O.S. Vida (BA), Cristiara Allem, uma das principais vantagens do home care se reflete na qualidade de vida do paciente, que pode ter de volta o convívio familiar e o aconchego do lar.

Além disso, a transferência para o ambiente domiciliar representa uma otimização dos recursos financeiros, afirma Cristiara. “A saúde no Brasil é cara, e a internação domiciliar é uma alternativa para melhorar a gestão destes recursos – seja na saúde suplementar, seja na saúde pública. Depois que é estabelecido um diagnóstico e um tratamento possível, é necessário desospitalizar. Por que estar dentro de um hospital sem necessidade?”, diz a médica gastroenterologista.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgados neste ano apontam que as internações clínicas em hospitais, sem uso da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tiveram custo/dia de R$ 1.565, com gasto total de R$ 6.963 por uma média de quatro a cinco dias de hospitalização.

Pandemia

O home care tornou-se ainda importante no contexto da pandemia, afirma Cristiara. A internação domiciliar permitiu aos pacientes que precisaram passar por cirurgias, por exemplo, realizar o pós-operatório em casa, onde há menos risco de contaminação. Na outra ponta, isso contribuiu para liberar leitos hospitalares para situações de emergência.

Segundo Cristiara, o home care é um modelo de assistência que requer uma logística robusta de equipamentos, suprimentos e profissionais, além de investimento contínuo em qualidade e segurança. Também é uma área que está em constante inovação para poder realizar na residência do pacientes novos procedimentos.

“O home care está sempre se reinventando e incorporando coisas novas. A S.O.S. Vida tem entre seus valores a inovação e busca se diferenciar, realizando procedimentos que não fazia no passado. A quimioterapia, por exemplo, apesar de não ser o carro-chefe dos atendimentos, já é possível fazer em home care”, explica.

Controle do estresse na pandemia é o caminho para manter a saúde mental

A pandemia de covid-19 contribuiu para aumentar os níveis de estresse da população e, em alguns casos, agravar o quadro de pacientes que necessitam de tratamento psiquiátrico. “Isso se deve à antecipação de um futuro incerto, ao medo de pegar a doença e de sofrer consequências graves, além de grandes períodos de isolamento social e de sedentarismo”, explica Leandro Paulino da Costa, psiquiatra do Hospital Santa Virgínia (São Paulo – SP).
O especialista dá orientações práticas para o controle do estresse na pandemia, que é o melhor caminho para manter a saúde mental. Inspire-se no Dia Mundial de Combate ao Estresse, celebrado neste 23 de setembro, e comece a colocar essas ações na sua rotina:

Faça atividades físicas
Tente manter uma rotina de exercícios com atividades que são prazerosas para você. A atividade física ativa a liberação de hormônios e neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar e relaxamento.

Reserve momentos para relaxar
Inclua no seu dia a dia alguns momentos de lazer, que trazem prazer e ajudam a relaxar, desativando os circuitos produtores de sintomas de estresse.

Viva o agora
Exercícios de meditação são uma forma de treinar o foco da mente no presente. Um dos mais conhecidos é o mindfulness, técnica que consiste em direcionar a atenção a partes específicas do corpo, sensações táteis ou à respiração. Quando nos concentramos no agora, evitamos que a mente entre no modo stand-by ou de ruminação, que é uma grande fonte de ansiedade e estresse.

Fale sobre os seus sentimentos
A psicoterapia é uma ótima forma de prevenir o estresse, pois favorece o autoconhecimento e nos ajuda a trabalhar questões cotidianas. Ao aceitar nossas limitações, o grau de cobrança e de culpa pode diminuir, contribuindo para reduzir os níveis de estresse.

Conecte-se com o que te faz bem
Use a tecnologia a seu favor para se conectar com pessoas queridas e cultivar laços afetivos saudáveis e positivos.

Coma bem e descanse
Procure dormir, pelo menos, sete horas por noite. A privação de sono causa irritabilidade, diminuição de atenção e concentração – o que agrava o estresse. Dê preferência a alimentos naturais e evite os industrializados, muito gordurosos e ricos em sódio.

Mas afinal, o que é o estresse?
O psiquiatra Leandro Paulino da Costa explica que o estresse, em si, não é uma doença, mas uma reação natural do organismo que ajuda a nos proteger de situações de perigo – por exemplo, um animal feroz se aproximando.
Neste momento, diversas alterações ocorrem em nosso corpo, elevando o estado de alerta e nos preparando para atacar ou fugir. Há o aumento da frequência cardíaca e da tensão muscular, ocorre a dilatação das pupilas e a respiração fica mais ofegante. Depois de um tempo, quando nos sentimos seguros, tudo volta ao estado normal.
Porém, no ritmo de vida atual – com muitas horas de trabalho, competitividade, cobranças e, agora, uma pandemia –, ficamos em estado de tensão constante, ativando os circuitos de estresse e produzindo vários sintomas incômodos, que podem aumentar o risco de doenças psiquiátricas. No longo prazo, esse quadro pode predispor a uma série de doenças como Síndrome de Burnout, depressão, ansiedade generalizada, transtorno do pânico, entre outros.
A boa notícia é que existe tratamento para todas elas, envolvendo o acompanhamento psicoterápico e, quando necessário, o uso de medicamentos.

Principais sintoma de estresse
Caso algum dos sintomas abaixo persista por mais de duas semanas e comece a afetar a sua qualidade de vida, o convívio social ou o desempenho no trabalho, é importante procurar um especialista para avaliação:

– Alteração de humor
– Perda de prazer em atividades
– Falta de energia
– Dificuldade de concentração
– Dor de cabeça
– Insônia
– Sintomas adrenérgicos (sensação de falta de ar e palpitação)
– Pensamentos ruminativos (por exemplo, excesso de preocupação com as contas a pagar, problemas no trabalho e familiares…)

Como ajudar os idosos que estão sofrendo com o isolamento na pandemia

Os idosos são parte do grupo de risco para covid-19, o que significa que eles têm maiores chances de desenvolver a forma mais grave da doença quando contaminados pelo coronavírus. Precisam, então, manter o isolamento social rigorosamente, o que pode ter reflexos na saúde mental.

Em entrevista ao portal, a psicóloga Cláudia Cruz, da S.O.S Vida (Salvador – BA), explicou como os familiares e amigos podem ajudar os idosos a manterem o equilíbrio emocional, mesmo diante das restrições do contexto da pandemia, e também quando é necessário procurar ajuda de um profissional de saúde. Confira: 

Como o isolamento e o contexto da pandemia podem afetar a saúde mental dos idosos?

A pandemia trouxe a vivência de uma situação desconhecida, sem precedentes. Mudou abruptamente a rotina, os planos, os hábitos da população. Também gerou medo e a necessidade de adotar medidas que reduzam os risco de contaminação por uma doença altamente transmissível e potencialmente fatal. Assim, o distanciamento social, as mudanças na rotina e o estresse causado pelos cuidados necessários na prevenção e pelo excesso de informação impactam na saúde mental dos idosos e podem, ainda, agravar o quadro daqueles com doenças psiquiátricas prévias. Além disso, alguns estudos já realizados com esse grupo na quarentena evidenciaram aumento da prevalência de sintomas de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, irritabilidade, raiva e medo – que podem, inclusive, persistir por anos. 

Quais seriam os sinais de alerta para as famílias de que o idoso está deprimido ou ansioso por causa do isolamento?

Os sinais de alerta estão relacionados com a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina dos idosos. É preciso buscar ajuda profissional se forem observados os seguintes sintomas por mais de duas semanas: 

  • Sentimentos de tristeza, desânimo, falta de energia, pensamento negativo, falta de esperança;
  • Mudanças significativas de comportamento, como irritabilidade, angústia, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Alterações no sono, como insônia ou excesso de sono;
  • Alterações no apetite, com perda ou ganho de peso;
  • Diminuição da autoestima, quando há descuido da aparência, aspecto de cansaço, de fadiga, de perda de energia;
  • Dificuldade de concentração, de raciocínio e perda de memória; 
  • Pensamento recorrente de morte, quando o/a idoso/a manifesta desejo de morrer e falta de perspectiva. 

 

Como as famílias devem agir ao identificar esses sinais?

Em primeiro lugar, se aproximar mais desta pessoa, ver de que forma podem acolher os medos dela, dar orientação e explicar por que precisamos praticar o isolamento, além de esclarecer os benefícios de seguir as medidas de proteção contra o vírus. Também é importante buscar ajuda profissional especializada caso os sintomas relatados anteriormente persistam por mais de duas semanas. 

Quais medidas práticas ajudam a evitar problemas de saúde mental nos idosos em isolamento?

  • Manter uma rotina regular e saudável, com boa alimentação e atividade física, mesmo que não seja na intensidade de antes;
  • Incluir na rotina atividades prazerosas para o/a idoso/a, como leitura, música, algo com que ele se identifique;
  • Buscar maneiras para o/a idoso/a ajudar em casa, se sentir útil ou incentivá-lo/a a buscar fazer algo que lhe dê propósito; 
  • Estimular a manutenção dos laços sociais e da interação com a família por videoconferência ou mensagens;
  • Manter o uso das medicações regulares e buscar avaliação médica, caso apareça algum sintoma novo; 
  • Acolher os medos e auxiliar nas dúvidas para que possam entender melhor o momento e se sentirem mais seguros nesse contexto de mudanças causado pela pandemia; 
  • Exercitar a espiritualidade. Estudos mostram que as pessoas que nutrem crenças têm mais equilíbrio na conexão entre mente e corpo, têm o pensamento mais positivo e reagem melhor às adversidades. A crença ajuda ainda no processo de envelhecimento saudável, pois você se conecta com algo que não é só da cognição.

Ansiedade, raiva, tristeza: 7 formas de lidar com as emoções causadas pela pandemia

A pandemia de covid-19 trouxe incertezas sobre aspectos importantes da nossa vida, como saúde e trabalho. A necessidade de isolamento para conter o coronavírus mudou drasticamente a nossa rotina, e ainda lidamos diariamente com a infinidade de informações sobre a doença e as mortes causadas por ela – que impactaram milhares de famílias. 

Tudo isso desencadeia um turbilhão de emoções como ansiedade, raiva e medo. O portal conversou com Érika Gaioso Conti, psicóloga clínica e hospitalar do Daher Hospital Lago Sul (Brasília – DF), que apontou sete medidas práticas que podem ajudar a lidar com esses sentimentos diante da nova realidade. Confira: 

Quais os sentimentos mais comuns de serem desencadeados no contexto de incerteza e isolamento durante a pandemia?

Em primeiro lugar, o medo, a tristeza, seguidos de sentimentos de impotência, insegurança, dentre outros. Vivemos um momento jamais experienciado antes, de perdas muito significativas, rupturas abruptas, de instabilidades e incertezas nas várias esferas da vida – o que exige de nós uma readaptação a este contexto atual, ainda em curso. E tudo isso é muito assustador.

Quem está mais suscetível a ter a saúde mental impactada no contexto da pandemia?

Diante da proporção do evento, pandêmico, todas as pessoas são de alguma maneira afetadas, seja no aspecto familiar, pessoal, profissional, econômico, em maior ou menor grau. Porém, aqueles que foram diretamente vitimados, que foram literalmente devastados e que enfrentam o desafio da elaboração desta experiência traumática, acredito que sejam os indivíduos mais impactados. Além de pessoas com uma estrutura psíquica mais frágil e, por isso, com maior predisposição de desenvolverem transtornos diversos.

Quais medidas práticas ajudam a manter o equilíbrio das emoções em situações como esta de pandemia?

  1. Criar formas de manter o contato com as pessoas, mesmo que não presencialmente. Reforçar os vínculos afetivos, investir numa rede de apoio, de suporte emocional;
  2. Filtrar as informações recebidas, lembrando que o acúmulo de conteúdo negativo e, muitas vezes falso, não ajuda em nada. Pelo contrário, fomenta um estado mental desfavorável ao momento atual;
  3. Investir no autocuidado, promovendo a saúde e o bem-estar pessoal através de práticas como meditação, contemplação, atividades físicas. Investir também na melhoria do sono e da alimentação;
  4. Dedicar esse tempo aparentemente perdido para realizar atividades adiadas por falta de tempo ou por outra razão qualquer: organizar, planejar, atualizar, limpar. Mantenha o corpo e a mente ocupados e produtivos;
  5. Conectar-se com a dimensão espiritual do ser, de acordo com sua crença, religião ou filosofia de vida;
  6. Ter em mente que, apesar de todas as adversidades, essa é também uma oportunidade de reavaliação, de reinvenção, de transformação e de grande aprendizado.
  7. Lembrar que, conforme a lei da impermanência, tudo passa. Esse momento também passará.

O efeito silencioso da covid-19: como a pandemia tem afetado a saúde mental dos brasileiros

Entre os impactos da covid-19 na população, a questão da saúde mental acende alerta entre os especialistas. Pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostra que os casos de depressão praticamente dobraram durante a pandemia.

Já os sintomas de ansiedade e estresse aumentaram 80% diante do isolamento, da preocupação com a saúde e das incertezas sobre o trabalho, por exemplo. Para os pesquisadores, os resultados sugerem um agravamento preocupante dos problemas de saúde mental na população. 

No estudo da UERJ, foram entrevistadas 1.460 pessoas em 23 estados brasileiros sobre seu comportamento desde do início do isolamento, necessário para tentar conter o novo coronavírus. Profissionais da saúde e aqueles que continuaram saindo para trabalhar durante a quarentena foram mais propensos a desenvolver problemas de saúde mental. O estudo também concluiu que as mulheres foram mais afetadas.

Por outro lado, a pesquisa mostrou que houve menos estresse e ansiedade entre os entrevistados que recorreram à psicoterapia via internet. O mesmo aconteceu com aqueles que puderam praticar atividades aeróbicas, em comparação com os entrevistados que não fizeram nenhuma atividade física ou apenas atividades de força. 

Especialistas afirmam que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física, porque estresse, depressão e ansiedade afetam diretamente o sistema imunológico. A recomendação é procurar ajuda profissional assim que forem notados os primeiros sinais de desânimo e pensamentos negativos. 

Mas, no meio dessa nova rotina, como saber se estou deprimido/a, ansioso/a ou estressado/a? Acompanhe a nossa nova série aqui no portal e veja a orientação de especialistas dos hospitais membros da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) para identificar os sinais de transtornos mentais e também formas de manter o equilíbrio diante de situações de incerteza e estresse. Siga as nossas redes sociais para não perder nenhuma publicação: 

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#AnahpOrienta: os cuidados exigidos das academias que voltarem a funcionar na pandemia

Com o início da retomada econômica e atividades comerciais, em algumas cidades brasileiras a reabertura das academias foi permitida. Por serem ambientes compartilhados e com muitas superfícies de contato coletivo, o funcionamento está sujeito a várias medidas restritivas de horário e capacidade. Em São Paulo, por exemplo, o governo permite que as academias fiquem abertas por 6 horas diárias, funcionando com apenas 30% da capacidade e realizando somente treinos individuais e com horário agendado.

A infectologista e consultora da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Camila Almeida, aponta alguns dos protocolos exigidos das academias que voltarem a funcionar nesta fase de reabertura gradual. 

Como o coronavírus segue circulando e, portanto, ainda não é possível flexibilizar totalmente o isolamento social, a especialista ressalta que a melhor forma de prevenção ainda é ficar em casa e sair somente quando for necessário.

Medidas de segurança contra o coronavírus nas academias: 

  • O uso de máscara é obrigatório em todos os ambientes, exceto durante as atividades aquáticas.
  • O espaço de exercício de cada aluno deve estar demarcado no piso nas áreas de treino.
  • No máximo 50% dos armários e aparelhos de cardio devem ser usados, com um distanciamento mínimo de 1,5 metro entre o que estiver em uso.
  • A higienização de equipamentos e objetos da academia deve ser feita antes e depois que cada cliente usar.
  • Nas áreas de musculação e peso livre, deve haver kits de limpeza em pontos estratégicos, com toalhas de papel e produtos específicos para higienização de equipamentos de treino como colchonetes, halteres e máquinas – antes e depois de cada uso.
  • A limpeza feita pelos funcionários deve ser realizada pelo menos três vezes ao dia.
  • Bebedouros e chuveiros ficam desativados nesta fase. 
  • A água das piscinas deve ser renovada regularmente.
  • Os clientes devem agendar horário para ir à academia. Recomenda-se que o estabelecimento oriente os cliente a malhar em horários alternativos, mais vazios.