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Autotestes de Covid-19: oito cuidados na hora de comprar e usar

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em processo de aprovação da venda no Brasil de autotestes para detecção de Covid-19 de diversos fabricantes. Até 4 de março, seis marcas já tinham sido liberadas, e algumas acabavam de chegar às farmácias das grandes cidades. Como nesse tipo de teste o próprio usuário realiza todas as etapas – desde a coleta até a interpretação do resultado – a Anvisa divulgou uma série de cuidados que precisam ser observados para que a testagem ocorra de forma adequada. Confira:

1 – Compre somente autotestes aprovados pela Anvisa. A agência tem uma lista que é atualizada frequentemente com os produtos aprovados para venda no Brasil. É importante ressaltar que podem comercializar os autotestes apenas farmácias, drogarias e estabelecimentos de saúde licenciados pela vigilância sanitária para comércio varejista de artigos médicos (ex.: curativos, meias de compressão, órteses etc.). A venda online só é permitida em sites das lojas mencionadas acima.

2 – Verifique a validade do autoteste na embalagem e se as condições de temperatura e umidade são adequadas para o uso. Não armazene o produto em ambientes úmidos ou com excesso de calor ou frio, porque isso pode levar a resultados errados (falso positivo ou falso negativo). Somente abra a embalagem quando for realizar o teste.

3 – Leia atentamente as instruções do fabricante antes de usar o autoteste e siga o passo a passo. Tenha cuidado especial com o tempo indicado para cada etapa do processo – o que é fundamental para a correta leitura do resultado. Somente utilize o produto se você se sentir seguro/a. Se tiver alguma dúvida, entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) indicado na embalagem do autoteste ou procure um serviço de saúde para receber orientação.

4 – De preferência, faça o teste em um ambiente limpo e arejado e lave bem as mãos antes de começar os procedimentos.

5 – Não realize o autoteste em outra pessoa, pois há risco de contaminação. No caso de pessoas menores de 14 anos, a testagem deve ser feita sob a supervisão de um adulto.

6 – Utilize apenas a amostra indicada nas instruções de uso do produto: saliva ou swab nasal (que é uma amostra coletada no nariz com um cotonete de haste longa). Se o seu autoteste for de swab nasal, faça a coleta em um ambiente arejado para evitar o risco de contaminação de outras pessoas, caso tenha vontade de espirrar durante o procedimento.

7 – Muita atenção ao tempo necessário para leitura do resultado indicado nas instruções do fabricante. Não interprete o resultado antes ou depois do tempo estipulado.

8 – Caso o autoteste que você comprou apresente algum problema, como resultado inválido, descarte o produto e realize um novo teste. Entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) indicado na embalagem para comunicar o problema. Em breve, a Anvisa terá um canal para os consumidores comunicarem eventuais problemas de qualidade nos autotestes de Covid-19.

Independentemente do seu resultado no autoteste, lembre-se de que a pandemia de Covid-19 ainda não está totalmente controlada. Então, siga com o uso de máscaras, distanciamento físico e complete a vacinação. Essas medidas protegem você e outras pessoas, pois reduzem as chances de transmissão do coronavírus.

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Autoteste de Covid-19: cinco informações importantes que você precisa saber

Até o dia 23 de fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia liberado duas marcas de autotestes para Covid-19 para comercialização no Brasil.  Você já sabe onde poderá comprar ou como verificar se o produto está regularizado? Sabe se o resultado serve como comprovante para eventos e viagens? Confira as respostas para essas e outras perguntas, com informações da Anvisa:

O que é um autoteste?
É um produto no qual a pessoa realiza todas as etapas da testagem, desde a coleta da amostra até a interpretação do resultado, sem precisar do auxílio de um profissional. Para isso, é fundamental seguir atentamente as instruções de uso do fabricante. No caso da Covid-19, somente os produtos aprovados com a finalidade de autoteste de pesquisa de antígeno é que poderão ser utilizados pela população em geral.

Esse tipo de autoteste para Covid-19 deve ser usado como triagem, permitindo o isolamento da pessoa o quanto antes e evitando a transmissão do vírus. Porém, o diagnóstico depende de confirmação em um serviço de saúde. Se você quiser saber mais sobre como funciona o autoteste e a diferença entre os tipos de testagem existentes para Covid-19, acesse o post do Saúde da Saúde sobre o tema.

Onde posso comprar um autoteste para Covid-19?
Os autotestes só podem ser vendidos por:
– farmácias e drogarias regularizadas junto à vigilância sanitária;
– estabelecimentos de saúde licenciados pela vigilância sanitária para comércio varejista de artigos médicos (ex.: curativos, meias de compressão, órteses etc.).

A venda online só é permitida em sites das lojas mencionadas acima. É proibida a comercialização, por exemplo, em site de e-commerce como Amazon e Mercado Livre. A Anvisa tem uma lista que é atualizada constantemente com os autotestes aprovados.

Quando devo usar o autoteste para Covid-19?
Caso apresente sintomas relacionados à Covid-19 ou se esteve em contato com alguém com diagnóstico confirmado da doença. Os sintomas mais comuns da Covid-19 são:
– febre
– tosse
– dor de garganta
– coriza
– dor de cabeça
– perda do olfato e do paladar
– dores no corpo

Pessoas com sintomas graves, como falta de ar, baixos níveis de saturação de oxigênio (abaixo de 95%), cianose (cor azulada nas unhas, pele, lábios), letargia (sono profundo), confusão mental e sinais de desidratação devem procurar imediatamente um serviço de saúde, sem necessidade de fazer um autoteste.

O período ideal para fazer o autoteste é do 1º ao 7º dia do início dos sintomas. Se a pessoa está assintomática, o autoteste pode ser utilizado a partir do 5º dia do contato com alguém infectado pelo coronavírus.

O que fazer se meu resultado do autoteste for positivo?
Você deve se isolar imediatamente, mesmo que não apresente sintomas de Covid-19. A medida é importante para evitar a transmissão do vírus. Use máscara sempre e avise às pessoas que tiveram contato recente com você para também se testarem. É recomendado ainda procurar atendimento em um serviço de saúde para confirmação do diagnóstico e, assim, receber orientações e permitir a notificação nos sistemas do Ministério da Saúde para o acompanhamento dos casos de Covid-19 no Brasil.

Para saber as recomendações do Ministério da Saúde sobre o tempo de isolamento de pacientes com Covid-19, acesse o post do Saúde da Saúde.

Posso apresentar o autoteste em viagens, eventos ou para solicitar licença do trabalho?
Não. Nesses casos, servem apenas os testes realizados por profissionais de saúde, que apresentam laudos oficiais quanto à identificação ou não do antígeno ou do material genético do vírus na amostra. Os autotestes não fornecem um diagnóstico de Covid-19 e servem apenas como triagem, para orientar a pessoa sobre o risco de transmissão do vírus e as medidas que podem ser adotadas.

N95, cirúrgica ou de tecido: qual a melhor máscara para se proteger da variante ômicron?

A chegada da variante ômicron do coronavírus ao Brasil causou um salto no número de casos da doença devido ao altíssimo grau de transmissibilidade da nova cepa. Cidades que ensaiavam começar a liberar o uso de máscaras em determinados locais precisaram recuar na decisão porque essa proteção voltou a ser imprescindível para conter a circulação do vírus.

O Saúde da Saúde conversou com Gilberto Barbosa, infectologista e integrante do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (Passo Fundo – RS), que explicou as diferenças entre cada máscara e seus potenciais de proteção no novo contexto da circulação da variante ômicron. Confira:

Entre os modelos que temos no mercado, qual seria a máscara mais eficiente para se proteger da ômicron, variante considerada até agora a mais transmissível?
A transmissão do vírus SARS-COV-2 (Covid-19) ocorre, principalmente, através da via respiratória, por meio de gotículas e aerossóis. Ou seja, indivíduos infectados eliminam o vírus através da respiração, ao falar e tossir. A nova variante tem um potencial de transmissibilidade bem superior às variantes que surgiram no início da pandemia, portanto, cresce a importância da máscara como proteção para a disseminação do vírus. Nesta situação, as mais recomendadas são aquelas que possuem uma capacidade alta de filtração de partículas, acima de 95%, como os modelos N95, PFF2 ou KN95.

Há uma recomendação geral sobre o tipo de máscara mais adequado para determinadas situações? Por exemplo: prática de esportes, transporte público, viagens de avião etc.
A função prioritária da máscara é fazer a retenção dos vírus que seriam expelidos pela pessoa que está infectada, portanto, a recomendação da máscara deverá considerar, principalmente, o nível de distanciamento das pessoas, intensidade de ventilação no local, além da probabilidade de circulação de indivíduos infectados. Não existe uma recomendação padronizada, mas podemos dizer que, em locais como transporte público, seria importante o uso de máscaras de maior proteção, tipo N95. Já em situações como prática de esportes e ao ar livre podem ser usadas máscaras cirúrgicas ou de tecido.

As máscaras N95 e cirúrgicas podem ser reaproveitadas ou devem ser descartadas logo após um único uso?
Idealmente as máscaras N95 devem ser de uso único, mas, devido à restrição de disponibilidade, é aceitável utilizá-la após deixar um período de 3 a 5 dias em embalagem de papel em local que permita adequada aeração. Uma estratégia é ter cinco máscaras para serem utilizadas em cada um dos dias da semana. As máscaras cirúrgicas, geralmente, devem ser descartadas após o uso ou quando estiverem molhadas ou sujas.

Usar combinações de duas máscaras é realmente eficaz?
O CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos publicou em suas recomendações a indicação do uso de dupla máscara. Esta combinação de duas máscaras, uma cirúrgica por baixo e uma de tecido por cima, aumentou a proteção conferida de forma significativa, chegando a valores próximos ao modelo N95. Este aumento da eficiência está muito relacionado à adequada fixação e vedação na face que a máscara sobreposta proporciona. Este modelo é uma alternativa de baixo custo para ser utilizada nas situações de maior risco como transporte coletivo.

Como varia o tempo de proteção oferecidos pelos diferentes modelos de máscara?
As máscaras de tecido e cirúrgica costumam ter eficácia em torno de 2 horas, mas o que limita o uso é quando ela fica molhada. As máscaras N95, como regra, se mantêm eficazes durante todo o turno de trabalho, de 4 a 8 horas. É muito importante observar que é preciso colocar a máscara de forma adequada, cobrindo completamente o nariz e a bora, bem ajustada ao rosto e sem ter espaços nas laterais. Também é necessário sempre higienizar as mãos antes e após o manuseio da máscara.

Autoteste, antígeno, PCR… saiba a diferença entre eles e quando é a hora de testar

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a venda de autotestes de Covid-19 em farmácias no país. Populares no exterior, esses testes podem ser feitos pelo próprio paciente em casa e sem a ajuda de um profissional da saúde. A ideia é ter um recurso a mais para diagnosticar a infecção pelo coronavírus diante do aumento de casos por causa da variante ômicron, que tem causado escassez dos outros tipos de testagem.

Porém, ainda é preciso mais uma etapa para que os autotestes cheguem aos consumidores: cada empresa que quiser comercializar o produto precisa solicitar o registro na Anvisa, que vai analisar caso a caso. A agência estima ter os primeiros testes aprovados para venda em fevereiro. O órgão ressalta que é proibida a venda de autotestes na internet, em sites que não sejam de farmácias ou estabelecimentos de saúde autorizados e licenciados pela vigilância sanitária.

Segundo a Anvisa, o autoteste de pesquisa de antígeno de Covid-19 deve ser usado como triagem para permitir o isolamento precoce e evitar a transmissão do vírus. A agência ressalta que o diagnóstico depende de confirmação em um serviço de saúde. Nos casos em que o autoteste der positivo, a orientação do Ministério da Saúde é de buscar atendimento médico.

Abaixo, você fica sabendo a diferença entre o autoteste e os demais tipos disponíveis no mercado, segundo informações da Anvisa e do Hospital Mãe de Deus (RS). Vai entender, ainda, qual o melhor momento para fazer o teste. Confira:

AUTOTESTE
Como funciona: o autoteste identifica o antígeno viral, uma estrutura que faz com que o corpo produza uma resposta imunológica, que são os anticorpos. Ao comprar o autoteste, a pessoa recebe um kit composto por um dispositivo de teste, um swab (um cotonete com haste longa e estéril), um tampão de extração e um filtro. A amostra é coletada com a introdução não muito profunda do swab no nariz. A pessoa deve então seguir as instruções detalhadas do autoteste para ter o resultado – que sai entre 15 e 20 minutos.

Quando fazer: se estiver apresentando sintomas (como febre, tosse, dor de garganta, coriza e dor de cabeça) ou se tiver contato com alguém que tenha um resultado positivo recente para Covid-19. O autoteste pode ser feito entre o 1º e o 7º dia do início dos sintomas OU a partir do 5º dia do contato com a pessoa infectada pelo coronavírus.

ATENÇÃO! A Anvisa ressalta que o autoteste NÃO DEVE ser utilizado em casos que apresentem sintomas como falta de ar, baixos níveis de saturação de oxigênio (abaixo de 95%), cianose (cor azulada nas unhas, pele, lábios), letargia (sono profundo), confusão mental e sinais de desidratação. O paciente com esses sintomas deve procurar um serviço de saúde o mais rápido possível.

RT-PCR
Como funciona: é considerado o padrão-ouro no diagnóstico da Covid-19 e identifica o vírus no período em que está ativo no organismo. A confirmação da infecção é obtida pela detecção de material genético do SARS-CoV-2 na amostra analisada, que é obtida pela raspagem de secreção nas narinas ou garganta do paciente. A coleta é feita com um swab por um profissional de saúde, e a amostra é analisada em laboratório.

Quando fazer: a coleta da amostra para o teste PCR deve ser realizada, de preferência, entre o 3º e o 10º dia após o início dos sintomas.

TESTE RÁPIDO
Como funciona: há no mercado dois tipos de testes rápidos: de antígeno (que detectam a fase de atividade da infecção) e de anticorpos (que indica uma resposta imunológica do corpo em relação ao vírus). A vantagem desses testes seria a obtenção de resultados rápidos para a decisão da conduta médica. Entretanto, eles têm sensibilidade e especificidade reduzidas em comparação às outras metodologias – por isso é importante ter a orientação e o acompanhamento de um médico.

Quando fazer: para maior eficácia, é recomendável que o material seja coletado a partir do 10º dia do início dos sintomas. O resultado fica pronto em até 2 horas.

SOROLOGIA
Como funciona: verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus a partir da detecção de anticorpos IgG e IgM em pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2. O exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente.

Quando fazer: para que o teste tenha maior sensibilidade, recomenda-se que seja realizado ao menos 10 dias após o início dos sintomas. Isso se deve ao fato de que a produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus.

ATENÇÃO! Vale ressaltar que nem todas as pessoas infectadas pelo coronavírus desenvolvem anticorpos detectáveis pelas metodologias disponíveis, principalmente nos casos com sintomas leves ou assintomáticos. Assim, pode haver resultados negativos na sorologia mesmo em pessoas que tiveram Covid-19 confirmada por exame RT-PCR.

Recomendação da Anahp
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) não recomenda a ida ao pronto-socorro apenas com a intenção de fazer um teste de Covid-19. Devem recorrer aos hospitais somente os pacientes com sintomas persistentes – falta de ar, febre, tosse intensa – ou com doenças crônicas pré-existentes.

Aqueles que estiverem com sintomas leves ou assintomáticos devem priorizar a busca por atendimento ambulatorial em consultas médicas, de preferência por telemedicina. Assim, o paciente se protege de uma exposição desnecessária dentro de ambientes hospitalares.

Ao passar por uma consulta, o paciente será avaliado clinicamente e terá a indicação correta sobre a necessidade ou não de testagem e também sobre o tipo de teste mais adequado de acordo com os sintomas que apresenta.

Volta às aulas e a ômicron: como cuidar da saúde das crianças com a alta de casos de Covid-19

A volta às aulas em meio a um pico de transmissão do coronavírus por causa da variante ômicron – e com a vacinação das crianças ainda no início – é motivo de apreensão para os pais e responsáveis. Para saber como escolas e famílias podem contribuir para um retorno mais seguro às salas de aula, o Saúde da Saúde conversou com o infectologista e gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo Oliveira Júnior. Uma das medidas indispensáveis, segundo o especialista, é vacinar as crianças entre 5 e 11 anos o mais rápido possível. Confira outras orientações:

Protocolos de segurança
O infectologista ressaltou que, com a ômicron, não houve nenhuma mudança significativa com relação às medidas de proteção contra o vírus adotadas até agora na pandemia. “É muito importante que as medidas de controle nas escolas funcionem e sejam bastante efetivas”, afirma.

Todos os alunos e funcionários devem utilizar máscaras cobrindo boca e nariz, preferencialmente de modelo N95 ou PFF2, que oferece maior proteção. Quem não tem acesso a esses modelos deve utilizar ao menos a máscara cirúrgica, que seria a segunda melhor opção em nível de segurança.

“Em último lugar, para quem não consegue uma máscara de tamanho adequado, pode-se utilizar as de tecido, fazendo trocas regulares (a cada 2h ou se ficarem úmidas) para evitar que diminua a eficiência”, ressalta Oliveira Júnior. As máscaras podem ser utilizadas por crianças a partir de 2 anos de idade e é obrigatória a partir dos 6 anos.

As escolas também devem garantir o distanciamento dentro das salas de aula e nas filas e corredores, além de reduzir atividades que causem aglomerações dos alunos, como comemorações. Todos os ambientes devem ter a ventilação adequada e, sempre que possível, dar preferência para atividades em locais abertos.

O momento das refeições exige cuidado especial com distanciamento ou que as mesas tenham divisórias de acrílico para evitar o risco de transmissão.

Outra medida importante é reduzir o acesso de pessoas de fora ao ambiente escolar. Pais e responsáveis devem buscar as crianças na porta do colégio e serem estabelecidos horários alternativos para serviços de limpeza e manutenção. “Tudo o que possa ser feito para reduzir o número de pessoas circulando vai diminuir as chances de transmissão”, afirma o infectologista do Sabará.

Casos suspeitos
Pais, responsáveis e a própria escola devem redobrar a atenção com o surgimento de sintomas respiratórios (dor de garganta e coriza, por exemplo) – mesmo que sejam leves. “Sabemos que o coronavírus não é o único vírus que pode causar febre, sintomas respiratórios ou diarreia. Mas, dentro da situação atual, com números altíssimos de novos casos, a presença desses sintomas tem sim que levantar a possibilidade de Covid-19 – e essas crianças não podem ir para a escola”, explica o infectologista.

Também não devem frequentar as aulas o aluno ou aluna que teve contato com algum caso confirmado da doença. “Se não houver essa colaboração das famílias de não mandar suas crianças sintomáticas para a escola, a gente não vai ter como controlar a transmissão dentro das salas de aula”, alerta.

A criança que for identificada dentro da escola com sintomas respiratórios deve ser imediatamente levada para uma sala onde possa ser mantida distante dos demais alunos até que a família vá buscá-la. Os pais podem usar a telemedicina para ter orientação médica.

A testagem deve ser feita sempre que for possível, e todas as pessoas do círculo familiar que apresentarem sintomas ou tiverem o diagnóstico confirmado precisam ficar isoladas para evitar a disseminação do vírus.

Oliveira Júnior diz que as famílias também devem restringir os contatos da criança fora da escola. “É uma medida de bom senso reduzir a circulação, porque é justamente nesses lugares que existe uma alta chance de contato com outras pessoas: dentro de shoppings, de lojas, festas infantis, onde você possa ter contato com outras crianças e correr o risco de transmissão.”

O especialista alerta que, no caso de condições pré-existentes que aumentam o risco de desenvolver formas graves da Covid-19, os pais devem discutir com a escola e com o médico que acompanha a criança a possibilidade de manter as aulas online – ao menos nesse momento em que a taxa de infecção está crescendo vertiginosamente. “Os casos de influenza têm diminuído bastante com relação ao que se viu no mês de dezembro e início de janeiro. O principal vírus respiratório circulando agora, e ainda em fase de crescimento, é o coronavírus”, esclarece o infectologista.

6 coisas que você precisa saber sobre a vacina contra Covid-19 para crianças

Desde o início do ano, a inclusão das crianças no programa nacional de vacinação contra a Covid-19 gerou uma série de dúvidas. Muitas foram as informações que começaram a circular pelas redes sociais sobre a efetividade e até a necessidade de imunizar esse público. Veja o que dizem especialistas sobre os principais questionamentos e saiba o que é fato e o que é informação falsa nesse debate nas redes.

Se a Covid-19 é mais leve nas crianças, por que elas precisam ser vacinadas?

Mesmo o número sendo menor com relação aos adultos, há casos de crianças que tiveram a forma grave da doença – com o registro de mais de 310 mortes de pacientes com idade pediátrica no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Com a vacinação a partir de 5 anos de idade, a letalidade do vírus nas crianças deve diminuir, especialmente para aquelas com a imunidade comprometida, que são as mais vulneráveis.

Além de ser uma medida importante para proteger a saúde das crianças, a vacinação em massa ajuda a conter a circulação do vírus e funciona como uma proteção indireta para familiares que estão nos grupos de risco, como os idosos. Estudos indicam que uma pessoa imunizada tem menor tempo de transmissibilidade do vírus e menor carga viral.

Todas as crianças podem tomar a vacina contra Covid-19?

Sim. Baseado na liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todas as crianças a partir de 5 anos de idade podem tomar a vacina da Pfizer, que usa uma parte de RNA sintético, feito em laboratório e sem nada do vírus em si. Por isso, é segura também para crianças com a imunidade baixa, doenças inflamatórias, crônicas, entre outras.

A Coronavac, também liberada pela Agência, pode ser aplicada em crianças de 6 e 11 anos, exceto em imunodeprimidas. No caso de crianças em tratamento contra o câncer (que tenha doença ativa ou não), os especialistas recomendam que os pais ou responsáveis conversem com o oncologista para saber o momento ideal da vacinação e ter a melhor resposta imunológica possível.

Essas vacinas contra Covid-19 são consideradas experimentais e podem ser perigosas?

Não. Os imunizantes liberados pela Anvisa para crianças foram testados e aprovados em todos os órgãos regulatórios – no Brasil e também em outros países. “É uma vacina eficaz, segura e confiável, liberada para as crianças por órgãos competentes”, afirma o infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, Victor Horácio de Souza Costa Júnior.

A vacina contra Covid-19 para crianças é igual à aplicada nos adultos?

Ela tem praticamente a mesma formulação, com a diferença no volume da dose – que é em torno de um terço menor do que é aplicado no adulto.

A vacina contra covid-19 para crianças pode ter efeitos colaterais?
Sim. São comuns: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e dor no corpo – que, em geral, duram até 48h após aplicação. Se passarem de 72h, é importante procurar o pediatra.

Há situações em que a criança não deve ser vacinada contra Covid?
Se a criança pegou Covid-19, deve esperar 30 dias a partir do início dos sintomas para se vacinar.

Também é importante lembrar a necessidade de seguir a programação das segundas doses ou de reforço, se houver, além de manter os cuidados de sempre, pois a pandemia ainda não acabou: uso de máscara, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Fontes:
– Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe
– Anna Claudia Turdo, infectologista do A.C.Camargo Cancer Center
– Carlos Eduardo Ramos Fernandes, pediatra do A.C.Camargo Cancer Center

Sintomas de Covid: conheça os principais sinais de infecção pela Ômicron e outras variantes

Seja com febre ou uma simples dor de garganta, a Covid-19 pode se manifestar de diferentes formas. É que, além de cada organismo reagir de uma maneira à infecção, as mutações pelas quais o vírus já passou tornam determinadas reações mais comuns ou mais raras.

No início da pandemia, um dos principais sintomas descritos era a perda do olfato e paladar, que poderia durar semanas, meses e, em alguns casos, seriam até irreversíveis. Agora, com a predominância da variante Ômicron no Brasil, é mais provável que pessoas infectadas sintam a garganta arranhando e dores no corpo.

Como a variante Ômicron tem altas taxas de transmissão e seus sintomas são parecidos com os de várias outras doenças – de resfriado à dengue –, é importante estar atento a qualquer alteração na sua saúde. Confira as queixas mais comuns associadas às principais variantes da Covid-19:

Ômicron
Cansaço extremo, dores pelo corpo, dor de cabeça e dor de garganta.

Delta
Coriza, dor de cabeça, espirros, dor de garganta, tosse persistente e febre.

Gama
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Beta
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Alfa
Perda ou alteração do olfato, perda ou alteração do paladar, febre, tosse persistente, calafrios, perda de apetite e dores musculares.

SARS-CoV-2 (vírus original)
Febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar e/ou do olfato.

Casos de Covid-19 subiram mais de 600%
O Brasil enfrenta, neste início de 2022, uma alta nos casos de Covid-19. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) fez uma pesquisa entre seus associados e registrou um aumento médio de 655% no período de dezembro de 2021 até o dia 5 de janeiro. O número foi divulgado junto com orientações importantes para a população sobre quando é preciso procurar um hospital.

(Fontes: Instituto Butantan e Hospital Moinhos de Vento)

Ômicron: o que já se sabe sobre a nova variante do coronavírus

São muitas as perguntas ainda em aberto sobre a nova variante do coronavírus identificada na África do Sul no final de novembro e batizada de ômicron. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas do mundo todo estão monitorando e analisando os casos em busca de respostas. Veja o que, até agora, foi possível identificar sobre os possíveis impactos da ômicron no controle da pandemia.

> É considerada pela OMS como “variante de preocupação”
A nova variante é considerada de preocupação, porque apresenta 50 mutações, sendo mais de 30 delas na proteína spike – que funciona como uma chave para o coronavírus entrar nas células. A maioria das vacinas contra a Covid-19 tem como alvo essa proteína. A classificação da OMS coloca a ômicron no mesmo grupo de outras variantes que tiveram impacto na evolução da pandemia, como a delta, a gama, a beta e a alfa.

> A ômicron é potencialmente mais transmissível
A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que a variante é “muito transmissível”, mas ressaltou que não é necessário pânico, pois o mundo está melhor preparado devido às vacinas desenvolvidas desde o início da pandemia. “Precisamos estar preparados e cautelosos, não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás”, afirmou.
Todos os continentes já registraram casos de pessoas contaminadas pela nova cepa, reportada à OMS em 24 de novembro pela África do Sul. O Brasil também já tem casos confirmados – eram cinco até o dia 3 de dezembro.

> Evidências sugerem que a ômicron pode facilitar a reinfecção
Uma reunião de especialistas da África do Sul com um grupo da OMS chegou à conclusão de um potencial aumento de risco de reinfecção pelo coronavírus num cenário com a nova variante. Segundo Mariângela Simão, vice-diretora geral de medicamentos da OMS, mais estudos estão sendo feitos e deve haver avanços sobre esse tópico nas próximas semanas.

> Até agora, os sintomas registrados foram considerados leves
Informações preliminares da OMS sugerem que os casos da variante ômicron estão ligados a sintomas leves da Covid-19 – principalmente em pessoas já vacinadas. Até o dia 3 de dezembro, não havia registro de morte causada pela variante. Dados mais concretos sobre a nova cepa devem sair nos próximos dias, mas a OMS ressalta que todas as variantes podem resultar em casos graves, principalmente nas pessoas de grupos de risco e mais vulneráveis ao coronavírus.

> Vacinação, máscara e distanciamento continuam sendo fundamentais para o controle da pandemia
Ainda não se sabe se a nova variante é resistente às vacinas que temos atualmente contra a Covid-19. Vale ressaltar que, na África do Sul, onde a cepa foi identificada, o índice de vacinação está baixo, com menos de 25% da população imunizada.

A OMS reforça a importância da vacinação para reduzir a ocorrência de casos graves e de mortes por Covid-19, inclusive pela variante delta, considerada a mais transmissível atualmente. “As vacinas protegem contra casos graves e mortes. A indústria farmacêutica já está trabalhando com as mutações [da ômicron] e, se tiver necessidade de fazer ajuste, ele será feito”, explicou a vice-diretora-geral de medicamentos da OMS, Mariângela Simão.

As demais recomendações para conter a transmissão da nova cepa são as mesmas: manter o uso de máscaras, evitar aglomerações e ambientes fechados, além da higiene constante das mãos.

Fritjof Capra: como podemos evitar uma nova pandemia

A Covid-19 é uma resposta biológica do planeta à exploração ilimitada dos recursos naturais e à desigualdade social exacerbada. A afirmação é do físico e autor de best-sellers Fritjof Capra, referência no pensamento humano dos séculos 20 e 21 e que desenvolve um trabalho na promoção da educação ecológica.

“Entendo que o coronavírus deve ser visto como uma reposta biológica do nosso planeta, uma emergência ecológica e social na qual a humanidade acabou se colocando sozinha”, afirmou Capra durante sua participação no Conahp 2021, maior congresso de saúde do país realizado em outubro. Ele também apontou os caminhos que a humanidade deve seguir se quiser evitar que uma nova pandemia ocorra num futuro próximo.

Capra destaca que o mundo vive hoje uma “crise global multifacetada”, na qual nenhum de seus problemas principais – emergência climática, desigualdade econômica e a pandemia de Covid – pode ser entendido de forma isolada.
“São problemas sistêmicos e estão interconectados”, explica. Segundo ele, o desafio-chave da humanidade para reverter esse cenário é mudar seu sistema econômico para um modelo que seja ecologicamente sustentável e socialmente justo.

Para o físico, o progresso deve passar a ser medido pelo bem-estar da humanidade e da terra. Ele ressalta que não defende que países e economias parem de crescer. “Mas é preciso atingir um equilíbrio, que é o crescimento qualitativo, que faz frente ao crescimento quantitativo, do PIB, que é defendido pelos economistas”.

Diferentemente da economia de desperdício e destruição que vivemos hoje, o crescimento qualitativo melhoraria a qualidade de vida, gerando e regenerando recursos. “Precisamos avaliar a saúde da economia em termos qualitativos: indicadores de pobreza, de saúde, de equidade, de educação. Nada disso pode ser reduzido a coeficientes financeiros”, detalha Capra.

A evolução não deve ser mais vista como uma luta competitiva pela existência, mas como uma série de elementos cooperativos em que a criatividade e a novidade são as formas que capitaneiam a evolução. No cerne dessa mudança está que, em vez de ver o mundo como uma máquina, passamos a ver o mundo como uma rede. “Porque uma pandemia como a de Covid-19 só pode ser resolvida a partir de ações cooperativas e colaborativas, não temos outra opção”, diz.

Para Capra, a pandemia mostrou que o mundo é capaz de responder com urgência e coerência pra reduzir a atividade humana – e por consequência seus impactos no meio ambiente – quando existe vontade política. “Talvez os historiadores do futuro vejam que, a longo prazo, a humanidade entendeu que fosse mais seguro trabalhar como comunidade se mantendo longe da extinção”, finaliza.capa

4 fatos sobre Covid-19 e vacinação em gestantes e puérperas

O início da vacinação contra Covid-19 gerou muitas dúvidas em gestantes e puérperas sobre os eventuais riscos de receber o imunizante. Como, por questões éticas, esse grupo não participa dos testes para a criação das vacinas, as informações científicas sobre segurança e efeitos adversos acabam sendo coletadas posteriormente.

Durante o Conahp 2021, a infectologista Rosana Richtmann (Hospital e Maternidade Santa Joana e Instituto Emílio Ribas) apresentou os dados mais recentes sobre a vacinação de gestantes contra Covid-19 e respondeu às principais dúvidas relacionadas a esse público. Confira:

Gestantes precisam se vacinar?  
Sim. É fundamental a vacinação em qualquer etapa da gestação, pois ajuda a evitar que essas mulheres, se contaminadas, desenvolvam casos mais graves da doença – o que, além dos riscos para a mãe, pode levar à prematuridade do bebê.

O que dizem os dados sobre a vacinação de gestantes e puérperas contra Covid-19? 
Segundo a infectologista, a resposta imune das gestantes se mostrou a mesma que a das demais mulheres, e a efetividade da vacina foi boa, resultando em menos casos de Covid-19 entre grávidas vacinadas.

Dados do Ministério da Saúde apresentados por Rosana mostram que a maioria dos efeitos adversos das vacinas ocorridos em gestantes não foram graves. Além disso, não houve registro de que as vacinas tenham causado abortos espontâneos, óbito fetal, prematuridade, anomalia congênita nem morte neonatal.

A especialista ressalta que as gestantes vacinadas apresentaram anticorpos protetores no sangue do cordão umbilical. Outra indicação é de que mulheres vacinadas nos primeiros 45 dias de puerpério apresentaram presença de anticorpos contra o coronavírus no leite materno.

Nos dois casos, Rosana ressalta que ainda estão em andamento estudos para medir quão eficazes e duradouros são os efeitos desses anticorpos na proteção do bebê.

Qual seria a vacina mais segura e eficiente para as gestantes? 
As vacinas de RNA mensageiro – como a da Pfizer – são as mais usadas no mundo em gestantes. “São as que julgo mais indicadas para esse grupo específico, tanto pela boa resposta quanto em relação à experiência e segurança: seja para a gestante, seja para o feto, seja para o recém-nascido.”

No Brasil, a Coronavac também é aplicada em gestantes nos locais onde a logística não permite a chegada e conservação das vacinas da Pfizer. Imunizante de vírus inativo, ela também não tem apresentado risco para esse grupo.

São contraindicadas as vacinas de vetor viral – como AstraZeneca e Janssen. Por questões de segurança, o governo brasileiro parou de aplicar vacinas da AstraZeneca em mulheres grávidas após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro por síndrome trombocitopênica trombótica – único caso registrado no mundo relacionado à vacina, segundo Rosana Ritchmann.

Gestantes podem desenvolver casos mais graves de Covid-19? 
Sim, por isso a importância da vacinação. Apesar de não terem um maior risco de se infectar pelo coronavírus, as gestantes têm mais chances de desenvolver casos graves da doença – com necessidade de hospitalização, de uso de ventilação mecânica, de internação em UTI e, até mesmo, evolução para óbito. “Gestantes são um grupo de risco”, enfatiza a infectologista.

Segundo Rosana, a maioria dos óbitos por Covid-19 em gestantes no Brasil ocorreu no final da gestação. “Essa é uma informação importante, porque mostra que precisamos ter as gestantes totalmente vacinadas quando chegam ao terceiro trimestre”, diz.

A infectologista ressalta que a vacinação para as gestantes precisa ser universal, e não apenas para aquelas que apresentam algum fator de risco, como obesidade, diabetes e hipertensão. “Os dados no Brasil mostram que a maioria das gestantes que evoluíram para casos mais graves não tinham comorbidade.”

A palestra completa de Rosana Ritchmann no Conahp 2021 está disponível no canal da Anahp no YouTube. Acesse: