Arquivo da tag: Pesquisa

Pesquisa inédita revela grau de satisfação do brasileiro com a saúde no país

Quatro entre dez brasileiros reprovam a saúde no Brasil, revela pesquisa inédita realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). O levantamento ouviu mais de 3 mil pessoas de todos os estados do país para saber o que pensam sobre os serviços de saúde e quais devem ser as prioridades dos próximos governantes para o setor.

Entre os entrevistados, 43% consideram a saúde, em geral, ruim ou péssima; 45% a classificam como regular, e apenas 9% como boa ou ótima. Outros 3% não responderam à pergunta. Os pesquisadores ouviram tanto pessoas que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS) como aquelas que têm plano de saúde.

“O brasileiro agora tem mais propriedade e conhecimento sobre os sistemas, partes boas e ruins, e se sente mais participante das discussões sobre o tema”, afirma Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, em entrevista para o site Poder 360. Para ele, a pandemia de Covid-19 fez crescer a preocupação das pessoas com a qualidade dos serviços de saúde.

A percepção negativa da saúde no Brasil é maior entre as pessoas com mais escolaridade. Metade dos entrevistados com nível superior completo atribuiu a classificação ruim ou péssima – 16 pontos percentuais a mais do que a apurada entre quem tem apenas o nível fundamental (34%).

Os jovens se mostraram mais críticos com relação às condições da Saúde brasileira. Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 47% a consideram ruim ou péssima – acima da média nacional identificada na pesquisa.

“Há uma diferença grande quando perguntamos sobre a saúde como um todo, como uma questão geral, mais abstrata, e quando vamos para pontos específicos”, explica Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData. “Quando perguntamos, especificamente, sobre o SUS ou sobre os planos de saúde, vemos que a satisfação é muito maior”, afirma a respeito de outro ponto da pesquisa. Sobre o atendimento que recebem, responderam ser ótimo ou bom 43% dos usuários do SUS, e 53% dos usuários de planos de saúde.

Prioridade dos próximos governos

A pesquisa também perguntou quais deveriam ser as prioridades dos próximos governantes na área da saúde. A maioria dos entrevistados apontou os investimentos em inovação e tecnologia (28%) e mais medicamentos gratuitos pelo SUS (22%).
“O resultado que aponta inovação e tecnologia demonstra que o futuro da saúde deve estar entre as prioridades de qualquer governo que assuma a partir do ano que vem”, analisa o diretor do PoderData.

Na visão de Antônio Britto, para solucionar essa demanda, os governos precisarão definir uma política de inovação, consistente, coerente e continuada para o setor. “O potencial dos nossos cientistas, reconhecido mundialmente, e a capacidade produtiva de instituições como a FioCruz e o Butantan não são acompanhadas de políticas públicas e interesse privado que ampliem o nível de inovação.”

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano.

Confira esses e outros resultados aqui.

Estudo revela que periodontite pode se comportar como uma doença genética

Um recente estudo da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) em parceria com a  Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) lança uma nova luz ao entendimento da periodontite, uma das doenças gengivais mais comuns, afetando de 1% a 6% dos brasileiros. Segundo o estudo realizado pela pesquisadora e cirurgiã-dentista Mabelle de Freitas Monteiro, a periodontite pode se comportar como uma doença genética.

A Saúde da Saúde apurou que, até então, a doença gengival em questão era tratada apenas a partir de fatores externos, como a má escovação, o que facilita o aparecimento da placa bacteriana que, acumulada, gera a inflamação da gengiva e outros tecidos bucais, no que consiste a periodontite. Outra característica da doença são as mudanças precoces na composição da saliva. Em casos mais severos, a inflamação gengival pode resultar na perda óssea e na queda dos dentes.

As evidências de doença genética

Segundo a FOP e a Unicamp, a pesquisa consistiu na coleta de amostras de fluídos da gengiva e de placas bacterianas de 30 pais e 36 filhos divididos em grupos iguais de pessoas saudáveis e que apresentavam o quadro crítico da periodontite. Essas amostras foram analisadas nos Estados Unidos, na The Ohio State University (OSU).

Além de serem identificados mais de 400 tipos de bactérias, foi possível encontrar dados que apontam para a periodontite como uma doença genética: segundo a pesquisa, encontrou-se nas amostras das crianças cujos pais possuem a patologia, mudanças precoces na saliva e o aparecimento de placas bacterianas com respostas inflamatórias, o que sugere o desenvolvimento da doença nos anos seguintes.

Tratamento e futuro da pesquisa

A partir de tais evidências, a pesquisa da Dr. Mabelle Monteiro será dividida em três etapas. Inicialmente, será investigado a fundo como esses sintomas precoces de periodontite na cavidade oral das crianças se desenvolve ao longo do tempo. Paralelamente, será verificado o potencial das crianças desenvolverem a patologia do ponto de vista genético.

Por fim, a terceira e última etapa sugere o Triclosan como opção de tratamento medicamentoso para o caso. A sugestão será estudada após a autora constatar que o  uso habitual de cremes dentais comuns para controlar a placa bacteriana não obteve resultados satisfatórios no caso dos pacientes estudados. Segundo Mabelle, em sua pesquisa, o acompanhamento e tratamento de cáries e outras patologias bucais através da melhora da higiene é importante, mas o dentista também deve estar atento ao histórico dos pais da criança que está sendo tratada, além de dar atenção especial às inflamações que podem surgir na gengiva de quem se enquadra nesse grupo onde a patologia pode ser um herança genética.