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Brasileiros têm a saúde ameaçada pelo sedentarismo

Ana Claudia tem 32 anos e uma vida muito corrida. Ela se preocupa com a saúde e até paga academia, mas raramente consegue tempo para ir. Com os horários apertados entre muitas tarefas, ela acaba se alimentando mal e adiando consultas de rotina. O que Ana Claudia vai descobrir quando conseguir tempo para fazer seus exames é que os impactos já estão acontecendo na sua saúde: uma pré-diabetes e alterações no colesterol.

Ana Claudia é um personagem fictício, mas sua história representa a realidade de muitos brasileiros e brasileiras. Uma pesquisa inédita realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) revelou que, apesar de ter a saúde entre suas prioridades, a grande maioria dos brasileiros não faz nenhuma atividade para prevenir doenças – como exercícios físicos regulares, alimentação balanceada e consultas de rotina para acompanhamento médico.

Segundo a pesquisa, entre os usuários do SUS, 71% não faz atividades voltadas à prevenção e promoção de cuidados. Entre as pessoas que têm plano de saúde, o número é ainda maior, 85% – sendo as mulheres e os jovens os menos envolvidos nessas iniciativas.

“É necessário que os governos tenham um olhar muito específico para a saúde preventiva, pois os resultados mostrados na pesquisa terão um impacto nos sistemas de saúde ao longo do tempo”, afirma Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData. No médio e longo prazos, a falta de ações preventivas pode resultar numa “epidemia” de doenças crônicas na população.

E os impactos na sua saúde?
André Gasparotto, cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que os números da pesquisa se refletem no dia a dia do consultório. “O sedentarismo está diretamente relacionado ao maior ganho de peso, à hipertensão arterial, ao diabetes mellitus e aos distúrbios relacionados ao colesterol. É um fator de risco cardiovascular de extrema relevância, seja na geração de outros fatores ou no agravamento destes”, explica.

Segundo o especialista, as pessoas sedentárias tendem a fazer acompanhamento médico menos regular, e os que são tabagistas também tendem a fumar mais. “Ou seja, o sedentarismo precisa ser combatido como uma doença no sentido mais amplo sobre tratamento”, afirma Gasparotto.

Reverter essa realidade exige só um pouco de dedicação a si mesmo. A recomendação é que as pessoas realizem pelo menos 150 minutos de atividade física regular por semana – ou seja, menos de uma hora dedicada a esse tipo de atividade em três dias da semana. Gasparotto destaca que o ideal é passar por avaliação médica antes de começar.

“Além disso, manter uma alimentação balanceada, pobre em carboidratos e gorduras e rica em proteínas, auxilia muito para o controle de fatores de risco cardiovascular e, naqueles com doenças já estabelecidas, auxilia para que seja necessário menos medicamentos para o controle da mesma”, complementa o cardiologista.

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano.

Confira esses e outros resultados aqui.

Covid-19: 4 formas de proteger as crianças que ainda não podem se vacinar

A flexibilização da maioria das medidas de proteção contra a Covid-19 deixou as crianças com menos de cinco anos mais vulneráveis à infecção, pois, para elas, ainda não há vacina aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponível no Sistema Nacional de Imunização.

Segundo o infectologista pediátrico e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe (PR), Victor Horácio, o decorrer da pandemia mostrou que é falsa a afirmação de que a Covid-19 não é perigosa para as crianças. “Tivemos muitos casos de pacientes pediátricos, não só com quadro respiratório, mas com uma série de outras doenças, como infecção no sistema nervoso central, casos de diabetes e de síndrome nefrótica desencadeados pela Covid-19″, afirma o especialista.

Horácio destaca que, hoje, entre todas as doenças para as quais existe vacina, a infecção por Covid-19 é a que mais leva à morte de crianças no país. “Isso é um dado que deve convencer muitos pais a vacinarem seus filhos, porque, infelizmente, não estamos tendo a adesão que gostaríamos”, diz.

Enquanto ainda não há uma vacina disponível para crianças abaixo de cinco anos, confira algumas medidas que podem ser adotadas pelas famílias e pelas escolas para mantê-las protegidas.

1 – Toda a família deve estar em dia com a vacinação contra Covid-19

A criança que ainda não foi imunizada está especialmente vulnerável quando as pessoas ao seu redor não se vacinaram contra a Covid-19. Idosos, adultos, adolescente e crianças de cinco anos ou mais já podem se vacinar e devem receber o ciclo completo de imunização, incluindo o reforço, de acordo com a faixa etária.

Ao se vacinar, pais, familiares e profissionais que têm contato frequente com a criança ou o bebê reduzem as chances de exposição dos pequenos ao vírus.

2 – Ter atenção aos sintomas e não sair com a criança em casos de suspeita de Covid

Horácio ressalta que, por ainda não terem recebido a vacina, crianças com menos de cinco anos requerem ainda mais cuidados em casos de suspeita de Covid-19. “A qualquer sintoma, como coriza, dor de garganta, é extremamente importante que os pais não pratiquem a automedicação. Procurem o pediatra, para que ele possa fazer as corretas orientações e investigação, caso necessário”, afirma.

Também é importante não levar a criança com sintomas para a escola nem para nenhuma atividade externa até que fique esclarecido se o caso é de Covid-19 ou não. A medida é fundamental para evitar que o vírus comece a circular entre a comunidade da qual a criança faz parte.]

3 – Não abrir mão do uso da máscara

Ao longo da pandemia, as crianças mostraram que são capazes de entender a importância do uso da máscara. Assim, para aquelas que ainda não se vacinaram, o ideal é manter o uso dessa proteção, adequada à idade delas, especialmente nos ambientes fechados. Existem máscaras específicas para crianças a partir de dois anos, e os adultos devem orientá-las sobre como usar.

4 – Manter os protocolos nas escolas

Para Victor Horácio, as escolas devem manter protocolos de segurança. Evitar muitas crianças juntas em um mesmo ambiente; manter as salas arejadas e o uso da máscara para alunos e professores; estimular a higienização constante das mãos e, se possível, flexibilizar horários de entrada, saída e recreio, para não haver aglomerações. Professores e funcionários devem estar atentos a eventuais sintomas típicos da Covid-19 e avisar imediatamente aos pais.

“São medidas extremamente importantes e que não protegem só contra o coronavírus, mas também contra outras viroses, já que o inverno está chegando e sabemos que é um momento bem crítico para esse tipo de infecção”, comenta.

“Covid longa” pede cuidados extras com o coração

É importante estar atento a sintomas como palpitações, pulsação irregular ou alteração na frequência cardíaca mesmo em repouso

Entre as mais de 50 sequelas associadas à Covid-19 mapeadas até o momento, as de origem cardíaca estão entre as repercussões mais graves, capazes de causar mudanças expressivas na qualidade de vida dos pacientes. Um estudo publicado na revista científica JAMA Cardiology aponta que 78% dos pacientes que tiveram a forma grave de Covid-19 apresentaram anomalias cardíacas após a infecção pelo vírus.

Deste percentual, 60% desenvolveram a miocardite – um enfraquecimento do coração, que, embora não seja considerada uma condição grave, pode levar à insuficiência cardíaca, caso não tratada adequadamente.

Outra pesquisa, publicada neste ano pela Universidade de Leicester, do Reino Unido, identificou que sete em cada dez pessoas internadas pelo novo coronavírus apresentam sequelas por até cinco meses.

Ainda não se sabe qual é o prazo médio de permanência destes sintomas, devido à irregularidade no modo em que se manifestam. Mesmo para indivíduos sem comorbidades, a probabilidade de desenvolver sequelas após a Covid-19 ainda é alta.

Tipos de sequelas e sintomas

De acordo com Nilton Carneiro, cardiologista e arritmologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, as arritmias estão entre as sequelas pós-Covid mais frequentes que afetam o coração. Elas podem se manifestar até mesmo em pacientes que não possuem um histórico associado a complicações desta natureza.

Estas repercussões podem surgir, inclusive, semanas após o período de cura. Por isso, o acompanhamento com um cardiologista é essencial para obter um diagnóstico precoce. “De forma geral, aqueles pacientes que tiveram formas mais sintomáticas da Covid-19, ou que tenham necessitado internação hospitalar, são os mais suscetíveis a ter alguma sequela cardíaca, embora isso não seja a regra”, conta o médico.

O especialista chama a atenção para caso surjam sintomas como palpitações, desmaio, disparo do coração, batimentos irregulares, pulsação irregular ou frequência cardíaca muito baixa ou muito alta – mesmo em repouso. Se isso acontecer, a procura por um cardiologista deve ser imediata, para impedir que uma possível condição evolua para quadros graves, capazes de causar sérias repercussões na qualidade de vida.

No caso de um diagnóstico confirmado de alterações na frequência cardíaca, o tratamento irá depender da evolução do quadro e da situação clínica do paciente como um todo. “Enquanto uma parte das arritmias é de evolução benigna e necessita apenas de acompanhamento periódico, outras exigem tratamento mais urgente, como o uso de medicamentos ou até intervenções em ambiente hospitalar”, finaliza.

Estilo de vida pode ajudar a proteger o coração
Embora as sequelas cardiológicas deixadas pela infecção possam se manifestar de maneira espontânea e aleatória, existem algumas ações que podem contribuir para evitar o surgimento destas.

Sedentarismo, tabagismo, sono irregular, má alimentação, estresse e o consumo exacerbado de álcool estão entre as principais causas de complicações cardíacas em geral. Portanto, todos estes fatores devem ser adequadamente controlados e monitorados.

Praticar exercícios físicos, mesmo que leves ou moderados, no mínimo três vezes por semana, pode contribuir para a saúde cardiovascular. Uma alimentação regrada também é um aspecto essencial da prevenção, pois determinados alimentos podem diminuir as chances de desenvolver a hipertensão arterial, enquanto outros grupos ajudam a controlar o colesterol e reduzir o acúmulo de gorduras e outras substâncias nas paredes das artérias e dentro delas.

Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina – Paulista

Cânceres de cabeça e pescoço: diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Aos primeiros sintomas, não espere a pandemia passar – procure um médico

Os chamados “cânceres de cabeça e pescoço” são tumores malignos na boca, no seios paranasais, no nariz ou na garganta, que podem começar silenciosamente antes de causar incômodos. Em caso de alterações nessas regiões, que às vezes podem ser confundidas com uma simples infecção de garganta, é preciso buscar orientação médica o quanto antes, mesmo em tempos de pandemia.

Alguns sinais de alerta: alterações de cor na boca, aftas persistentes, feridas nos lábios que não cicatrizam, rouquidão que não passa, nódulos no pescoço, dificuldade para engolir e mudança no timbre da voz.

O aposentado José Afonso Ramos, de 56 anos, travou uma das maiores batalhas de sua vida quando descobriu em 2018 um tumor de cabeça e pescoço, localizado abaixo da língua. Ele começou a sentir dores na língua, na garganta e no ouvido e achou que estava com infecções comuns nesta região. “Eu tinha a sensação de que algo me arranhava na garganta. Minha língua doía, mas não dei muita atenção no primeiro momento. Comecei a me automedicar”, lembra.

Segundo a filha de José Afonso, Geiciane Ramos, depois de mais de um mês de consumo de remédios que não contribuíram para a melhora do pai, o aposentado procurou por um dentista. “A língua dele começou a sangrar e aí começamos a nos preocupar. Nós os levamos a um dentista que fez o pedido da biópsia imediatamente.” Após a biópsia, ele foi encaminhado para o tratamento no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, Minas Gerais.

Ex-tabagista e adepto do consumo de álcool, o aposentado José Ramos fazia parte do grupo de risco para a doença, e entrou para o grupo das mais de 43 mil pessoas que são diagnosticadas com câncer de cabeça e pescoço no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Está entre os mais frequentes na população brasileira, e representa o segundo tipo de doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum em mulheres.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço da Fundação São Francisco Xavier, Clineu Gaspar Hernandes Júnior, os tumores de cabeça e pescoço são localizados nas vias aerodigestivas superiores e nas glândulas salivares ou glândulas endócrinas. “Os principais locais desse tipo de câncer são a língua, lábios, gengiva, glândulas salivares como a parótida e submandibular, as amigdalas, a laringe, a tireoide, os seios paranasais e a faringe, sendo que a faringe divide em nasofaringe, porofaringe e hipofaringe”, explica.

Segundo o cirurgião, o câncer de pele também pode estar associado a essa região. “Esse tipo de câncer em cabeça e pescoço representa 60% de todos os cânceres de pele do corpo por ser uma área muito exposta ao sol”, explica.
O médico explica que os principais sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço são feridas no corpo ou na boca que não cicatrizam, manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca, rouquidão maior que duas semanas, dificuldades ou dor para engolir, caroço no pescoço, irritação ou dor de garganta, mau hálito frequente, perda de peso sem motivo aparente, dentes moles ou com dor em torno deles. E, segundo ele, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Outro fator de risco para o câncer de orofaringe, é o HPV, conhecido como papiloma vírus.
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço, segundo o médico, envolve geralmente a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo a ordem desses tratamentos dependente do tipo e localização do tumor. “A chance de cura está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Então, naqueles tumores iniciais as chances de cura são bem altas, entre 90% e 95%”.
Fonte: edição do texto original do Hospital Márcio Cunha.

Medidas de prevenção contra a Covid-19: é importante relembrar

Saiba como se proteger em todas as idades, vacinado ou não, saudável ou doente

O Ministério da Saúde lançou uma campanha em larga escala para conscientizar a população sobre três medidas fundamentais no combate à propagação do novo coronavírus e suas variantes: higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. O Saúde da Saúde aproveitou o ensejo para conversar com a infectologista Vera Rufeisen, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, para reforçar a importância das medidas de prevenção contra a Covid-19  enquanto a vacinação avança no país e a propagação da doença segue estável, porém ainda num patamar alto.

Saúde da Saúde – A contaminação por superfícies é menos que intensa do que a por interação social? Por quê?
Vera Rufeisen – As partículas virais são transmitidas diretamente através da eliminação de gotículas respiratórias pela fala, pela tosse e pelo espirro, principalmente.  Mas também indiretamente, tocando as superfícies contaminadas com estas gotículas, e tocando o rosto (nariz, olhos e boca) com as mãos contaminadas.  A via respiratória é a principal forma de transmissão, é onde o vírus adere aos receptores nas células. As superfícies, portanto, podem servir apenas de intermediárias, caso a higiene das mãos não seja realizada adequadamente.

Há alguma diferença de eficácia entre lavar as mãos e usar álcool em gel?
O padrão ouro recomendado pela Organização Mundial da Saúde é a higiene das mãos com álcool em gel a 70%, desde que as mãos estejam sem sujidade aparente. Se estiverem sujas, devem ser lavadas com água e sabão. O álcool tem espectro de ação grande, é mais prático, pode estar no ponto de assistência, tem ação rápida e não causa lesões na pele. O tempo necessário para higiene completa das mãos com álcool em gel é de 20 a 30 segundos. A Campanha deste ano da OMS fala sobre “os 20 segundos que salvam vidas”.

Qual é o papel da alimentação na prevenção e no tratamento da doença?
A alimentação saudável, sem alimentos ultraprocessados, com frutas, legumes e verduras, associada aos bons hábitos de vida e  atividade física  promovem a base da vida saudável, e consequentemente de uma boa imunidade.

Que medidas uma pessoa já contaminada pode tomar para minimizar os riscos de desenvolver a forma grave da doença?
A pessoa contaminada deve permanecer em isolamento social – mesmo em domicílio, se morar com alguém –,  em repouso relativo: não muito tempo deitado nem na mesma posição, a fim de proporcionar expansão pulmonar adequada. Deve também se manter bem hidratado, controlar as doenças pré-existentes, além de monitorar atentamente a sua temperatura e a oximetria do sangue. Habitualmente, as complicações acontecem entre o sexto e o nono dias do início dos sintomas. Caso ocorra queda na oxigenação do sangue ou reaparecimento de febre, por exemplo, deve-se procurar imediatamente o serviço de saúde.

Qual é a importância  de uma grande campanha a nível federal sobre bons hábitos de prevenção?
É de extrema importância que o país tenha uma liderança uníssona para enfrentamento da pandemia. Algumas pessoas, por cansaço ou por desinformação tendem a relaxar as medidas de prevenção, e precisam ser estimuladas e direcionadas por um governo assertivo, guiado por posicionamento científico. Quando um líder questiona as medidas de prevenção, cria uma névoa de dúvidas, confundindo os menos esclarecidos, e dando voz aos que negam a gravidade da maior tragédia sanitária do século.

Entenda por que pacientes com doenças crônicas não podem esperar pelo fim da pandemia para se tratar

Na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo a marcação de consultas caiu até 30% em um ano

Com quase 14 milhões de infectados pela Covid-19 e mais de 370 mil mortes, este se configura o pior momento pandemia no Brasil até agora. Mas o problema não atinge apenas os infectados pelo novo coronavírus e suas variantes. Lucas Guimarães, gerente-médico do BP Vital, rede de clínicas e consultórios do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, alerta que pacientes com doença renal, insuficiência cardíaca, doenças pulmonares, câncer e também pacientes de idade avançada podem sofrer impactos importantes se não mantiverem acompanhamento adequado.

“Um paciente com problema cardíaco, por exemplo, se não acompanhar os níveis de pressão, poderá ter uma descompensação num período de três a quatro meses – isto é, alguma alteração que leve à piora dos sintomas”, afirma o médico. O acompanhamento periódico serve para prevenir esse tipo de piora, com ajuste de medicamentos, solicitação de exames de monitoramento e reforço de orientações relacionadas à dieta e à atividade física, entre outros fatores relacionados.
 
De acordo com dados da instituição, houve uma queda de 30% no volume de consultas em janeiro, se comparado com o mesmo período de 2020. E esse número se agravou ainda mais ao longo das últimas semanas, ocasionando uma nova diminuição de 30%. Uma série de fatores pode ter influenciado essa queda, mas o primordial é o medo – de maneira geral, as pessoas têm receio de procurar serviços de saúde durante a pandemia.

Com a perspectiva da vacinação, alguns pacientes também têm postergado a ida ao médico para depois da imunização. Mas há casos em que não se deve esperar. No mais, é importante considerar que as instituições de saúde trabalham hoje com reforço de segurança, que inclui fluxos específicos para pacientes que necessitam de atendimento. Casos suspeitos de Covid são encaminhados em separado dos demais.

“Aqui na BP, nós também podemos realizar as consultas médicas via videoconferência, as chamadas teleconsultas. E, para a realização de exames, oferecemos um drive-thru, em que o paciente não precisa sair do carro nem para a coleta de sangue”, explica Guimarães.

Hoje, o médico já percebe descompensações em doenças crônicas desencadeadas pela suspensão do acompanhamento periódico. “Não se deve negligenciar consultas, mesmo no momento de isolamento, pois elas podem ser a diferença entre manter-se saudável e necessitar de uma eventual internação.”

Fonte: edição do texto original da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Volta às aulas: orientações de especialistas para minimizar os riscos

A partir de fevereiro, as aulas presenciais passam a ser retomadas em alguns estados brasileiros – para algumas escolas particulares, a volta ocorre já no final de janeiro. A iniciativa, mesmo que gradativa, ainda divide a opinião dos pais, tendo em vista que os casos de contaminação e morte por Covid-19 voltaram a aumentar no país em ritmo acelerado. Este texto reúne orientações de especialistas sobre as principais medidas preventivas, que envolvem triagem de sintomas, protocolos de higiene, orientação e participação da família.

Para início de conversa, a pediatra Gabriela Murteira, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, adverte que muitos pais demonstram preocupações baseadas em notícias falsas e dados não científicos. “Este é o momento de disseminarmos informações de qualidade, pois o prejuízo dessas crianças sem acesso às aulas essenciais é muito maior do que o risco que elas possam correr. Estudos mostram que o risco dessas crianças na escola não é maior do que na comunidade”, defende.

A médica reforça ainda que a volta à sala de aula é facultativa. “Ninguém é obrigado a retornar neste momento. Se você faz parte de uma família 100% isolada e considera melhor permanecer assim, tudo bem. Mas não adianta deixar as crianças em casa enquanto os pais voltam para os escritórios, oferecendo os mesmos riscos à família”, pondera. Para Gabriela, os protocolos de segurança, redução no número de alunos e bolhas sociais que vão isolar grupos específicos são algumas das medidas de garantia.

O uso da máscara, entretanto, é obrigatório apenas para maiores de 12 anos. “Até cinco anos, o uso não é sequer indicado, e essa regra permanece mesmo com o retorno das aulas. Já para as crianças de seis a 11 anos, a decisão é facultativa”, reforça. “Tivemos muita procura por orientação nos últimos dois meses. Indicamos que as famílias avaliem o risco e entendam que se trata de um compartilhamento de responsabilidades.”

Para a pediatra, a suspensão das aulas presenciais teve um papel importante na redução de casos da Covid-19, diminuindo a circulação e desafogando o sistema de saúde. Mas, agora, os prejuízos psicológicos e educacionais de permanecer em casa podem se tornar um problema. “Temos recebido muitos pacientes com crise de ansiedade, ou seja, estão surgindo consequências de um isolamento que já pode, com todas as regras e os protocolos, ser interrompido parcialmente.”

A médica alerta ainda para o risco de se baixar a guarda diante da chegada da vacina. “É importante afirmar que, apesar de trazer respiro, a imunização tem como principal objetivo reduzir as internações, a gravidade dos casos e as mortes. Mas até que tenhamos uma vacinação em massa, não devemos mudar os nossos hábitos e cuidados diários”, orienta.

Consciência coletiva

Para o médico infectologista Leonardo Ruffing, também do Vera Cruz, a nova realidade requer certas medidas, como: notificação no caso de sintomas dos alunos ou familiares; não negligenciar nenhum quadro febril, mesmo que leve; pensar no coletivo; manter protocolos de higiene, como troca diária do uniforme, higienização completa assim que chegar em casa e diálogo da escola com os pais, além de testagem periódica dos funcionários.

Outro alerta diz respeito ao cuidado com brinquedos coletivos nos espaços de educação. O ideal é que cada criança tenha o seu e que ele seja higienizado com bastante frequência. “Sugerimos ainda as atividades ao ar livre, principalmente nos casos de pré-alfabetização”, frisa o médico.

De maneira geral, crianças não correm grandes riscos, mas são vetores da doença e é preciso levar isso em conta. “Ainda estamos ponderando riscos e benefícios. Nenhum tipo de coletividade é 100% segura, mas em países como a Alemanha, por exemplo, a educação vem sendo considerada serviço essencial”, diz Leonardo. Há de se levar isso em conta.

(Fonte: Edição de texto original do Vera Cruz Hospital)

Fim de ano na pandemia de Covid-19: recomendações para festas reduzidas e seguras

Grupos pequenos, de até 10 pessoas. Essa tem sido uma recomendação arbitrária para as celebrações de fim de ano em tempos de pandemia de Covid-19. Mas essa indicação, baseada no conceito de controle de danos, não dá conta de todos os riscos envolvidos. Por isso, o Hospital Israelita Albert Einstein publicou recentemente um material com recomendações mais detalhadas, elaborado pelo Centro Para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

“É importante que as pessoas tenham consciência de que todos são responsáveis pelo controle da doença e que, antes da organização de uma reunião familiar, é preciso ponderar sobre como cada um está se cuidando”, afirma Moacyr Silva Junior, médico infectologista do Einstein, em São Paulo.

Veja, a seguir, as recomendações do CDC, desdobradas em subtemas como convidados, alimentos, bebidas, viagens e pernoites, entre outros.

Pequenas reuniões de família e amigos:

Prefira reuniões pequenas, encontrando presencialmente apenas as pessoas que morem com você, compartilhe os mesmos ambientes e esteja tomando todos os cuidados para se proteger contra o novo coronavírus. Encontros pessoais que reúnem familiares ou amigos de diferentes famílias – incluindo pessoas que moram em outras residências ou cidades – apresentam vários níveis de risco para aumento da disseminação da Covid-19:

– Não devem participar dos encontros de fim de ano pessoas diagnosticadas com Covid-19, com sintomas da doença, que aguardam os resultados ou que tiveram contato com alguém com a doença nos 14 dias antes do encontro. Indivíduos que não aderiram de forma consistente às medidas de prevenção – distanciamento físico, uso de máscara contínuo, lavagem de mãos – representam mais risco do que aqueles que seguiram as medidas de segurança.

– Níveis elevados ou crescentes de casos de Covid-19 em determinadas comunidades, regiões, aumentam o risco de infecção e disseminação entre os participantes. Por isso, é importante que, antes de realizar um encontro, familiares considerem o número de casos em seus bairros e cidades e locais de procedência de seus parentes ou amigos e dos locais onde planejam se hospedar ou realizar as celebrações. Estas informações podem ser encontradas em sites das secretarias de saúde.

– Evite viagens de avião, ônibus e outros meios coletivos. Se não for possível, redobre os cuidados em aeroportos, rodoviária, paradas. Estes são pontos de grande circulação de pessoas com aumento das chances de exposição ao vírus.

– Reuniões em locais fechados, com pouca circulação de ar (ventilação) representam mais risco que do que encontros ao ar livre. Prefira a segunda opção.

– Dê preferência a encontros mais curtos e mantenha o distanciamento físico de outros participantes. Estar a menos de 2 metros de alguém com Covid-19 por um total de 15 minutos, mesmo que ela não apresente sintomas, aumenta muito o risco de adoecimento e requer quarentena de 14 dias.

Não há uma recomendação com limite de pessoas por evento. Por isso, são importantes o bom senso e o comprometimento de todos com a saúde. O tamanho das celebrações deve ser determinado com base na capacidade dos participantes de diferentes famílias ficarem distante pelo menos dois metros de outros, usarem máscaras, lavarem as mãos e usarem álcool em gel com frequência e seguirem as recomendações locais de saúde.

Alimentos e bebidas
É possível que uma pessoa se contamine com o novo coronavírus tocando uma superfície ou objeto, incluindo alimentos, embalagens de comida e bebida e utensílios de cozinha que contenham o vírus e, em seguida, toque nariz, boca e olhos. Por isso, é importante seguir as seguintes regras:
– Incentive os convidados a trazer suas próprias comidas e bebidas.
– Use máscara ao preparar e servir as pessoas.
– Limite o número de pessoas que entram e saem dos locais onde as refeições sejam preparadas, como cozinhas e churrasqueiras.
– Todos os participantes devem retirar a máscara somente quando estiverem sentados à mesa para comer e beber. Neste momento, ela deve ser guardada em um saco seco e respirável (como um saco de papel ou tecido de malha) para mantê-la limpo entre os usos. Ao se levantar da mesa, a máscara deve ser recolocada.
– Limite a aglomeração em áreas onde a comida é servida, fazendo com que uma pessoa distribua os alimentos individualmente nos pratos, sempre mantendo uma distância mínima de 2 metros da pessoa a quem está servindo. Evite bufês lotados e estações de bebidas.

Viagens e pernoites
Se a ideia é pegar a estrada, antes de fazer as malas, faça as perguntas abaixo e, se alguma delas tiver resposta positiva, a recomendação é adiar a viagem e ficar em casa. Viajar pode aumentar as chances de obter e propagar a Covid-19.

– Você, alguém da sua casa ou alguém que visitará tem maior risco de ficar muito doente  por causa da Covid-19?
– Os casos são altos ou estão aumentando em sua comunidade ou em seu destino?
– Os hospitais em sua comunidade ou destino estão sobrecarregados com pacientes que têm Covid-19?
– A sua casa ou destino tem requisitos ou restrições para os viajantes? Verifique os requisitos estaduais e locais antes de viajar.
– Durante os 14 dias anteriores à sua viagem, você ou as pessoas que está visitando tiveram contato próximo com pessoas com quem não moram?
– Seus planos incluem viajar de ônibus, trem ou avião, o que pode dificultar a permanência de 2 metros de distância?
– Você está viajando com pessoas que não moram com você?

Passar a noite fora ou hospedar familiares
Antes de dormir fora ou hospedar alguém é importante avaliar como será feita a viagem sua ou o do hóspede, se todos os cuidados preventivos foram tomados ao longo do tempo e, como serão os cuidados caso alguém adoeça. Além disso, alguns cuidados diminuem os riscos de contaminação:

– Lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, especialmente na chegada.
– Use máscaras enquanto estiver dentro de casa. As máscaras podem ser removidas para comer, beber e dormir, mas os indivíduos de diferentes famílias devem ficar a pelo menos 2 metros de  distância uns dos outros o tempo todo.
– Melhore a ventilação abrindo janelas e portas ou colocando ar e aquecimento centrais em circulação contínua.
– Passe algum tempo juntos ao ar livre. Faça uma caminhada ou sente-se ao ar livre a pelo menos 2 metros de distância  para interações interpessoais.
– Evite cantar ou gritar, especialmente em ambientes fechados.
Trate os animais de estimação  como faria com outros membros da família humana – não deixe os animais de estimação interagirem com pessoas fora da casa.
– Monitore anfitriões e convidados quanto a sintomas  de Covid-19, como febre, tosse ou falta de ar.
– Os anfitriões e convidados devem ter um plano sobre o que fazer se alguém ficar doente.

(Fonte: Agência Einstein)

5 informações essenciais para a prevenção do câncer de mama

O Outubro Rosa é uma campanha mundial que tem como objetivo espalhar o máximo de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Conhecer bem a doença é uma arma poderosa, já que os pacientes podem ter um diagnóstico mais precoce, caso venham a descobrir um tumor. Quando mais cedo é iniciado o tratamento, menos invasivo tende a ser e maiores são as chances de sucesso. 

Selecionamos abaixo cinco informações sobre o câncer de mama fundamentais para ter uma rotina de prevenção. As orientações são das ginecologista e mastologista do Hospital Santa Virgínia (HSV), Karina Belickas Carreiro e Ana Gabriela de Siqueira Santos, e da médica responsável pelo Centro de Oncologia e Infusão do hospital, Simonne Quaglia. Confira: 

1- O que causa o câncer de mama: 

O câncer de mama é causado pela multiplicação anormal de células da mama, que formam o tumor. Há diferentes tipos, que podem ter desenvolvimento rápido ou mais lento. 

2- Os principais fatores de risco: 

Desenvolver ou não um câncer de mama pode ter influência de fatores hormonais, genéticos e comportamentais. Em 80% dos casos, o tumor aparece depois dos 50 anos, mas também pode ocorrer em pacientes mais jovens – antes dos 40 anos. Os principais fatores de risco são: 

 – Obesidade e sedentarismo

– Tabagismo

– Consumo de bebidas alcoólicas

– Menstruação precoce

– Não ter tido filhos

– Primeira gravidez depois dos 30 anos

– Menopausa após os 55 anos

– Exposição à radiação

– Histórico familiar

Mulheres que tenham mãe, irmã, avó ou tia com histórico de câncer de mama – principalmente antes dos 50 anos – ou de câncer de ovário devem consultar um especialista para avaliar seu risco e decidir a melhor conduta a seguir.

3- Como se prevenir: 

Mesmo com alguns fatores de risco impossíveis de se evitar, (histórico familiar, idade da primeira menstruação e menopausa), estima-se que adotar hábitos saudáveis pode evitar cerca de 30% dos casos de câncer de mama. Veja o que pode fazer a diferença na sua rotina:

– Praticar atividade física regularmente

– Ter uma alimentação balanceada

– Manter o peso adequado

– Não fumar 

– Não consumir bebidas alcoólicas

– Amamentar

 4- Sinais de alerta 

O autoexame é uma forma de conhecer as próprias mamas e, assim, terem mais chances de notar precocemente os principais sinais de alerta de tumores. Para fazer o autoexame, é preciso inspecionar o aspecto e apalpar as mamas em busca de nódulos, preferencialmente uma semana após o período menstrual.

Se você identificar alguns dos sinais abaixo durante o autoexame, procure imediatamente um mastologista:

– Caroço fixo, endurecido e, em geral, indolor

– Alterações no mamilo (bico do peito)

– Saída espontânea de líquido dos mamilos

– Pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto de casca de laranja

– Pequenos caroços nas axilas ou no pescoço   

Vale ressaltar que o autoexame não substitui a avaliação clínica do médico. “As consultas e os exames de rotina devem ser realizados mesmo sem nenhum sintoma. Não espere ter alguma alteração da mama para fazer o check-up preventivo”, orientam as especialistas do Hospital Santa Virgínia.  

5- Sem medo da mamografia: 

A mamografia é um exame indicado para o rastreamento – quando não há sinais nem sintomas suspeitos – e a detecção precoce do câncer de mama. Os especialistas recomendam a realização do exame anualmente a partir dos 40 anos – ou antes, caso haja histórico de câncer de mama na família ou outros fatores de risco.

Covid-19: como reduzir o risco de contágio na reabertura do comércio

Em algumas cidades do país, a reabertura gradual do comércio já começou. Porém, foi necessária a imposição de algumas restrições pelas prefeituras para garantir a segurança dos clientes que decidirem voltar a frequentar lojas e shoppings. 

Esses protocolos são necessários porque o país ainda não alcançou um patamar de controle da pandemia que permita a flexibilização total do isolamento social. Entre eles, estão restrições de horário de funcionamento e do fluxo de clientes – que variam de acordo com a região. 

A infectologista e consultora da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Camila Almeida, indicou para o portal outras medidas que devem ser adotados por lojistas e clientes para redobrar o cuidado e evitar a transmissão do coronavírus nestes ambientes. Mas ela ressalta que a melhor forma de prevenção ainda é ficar em casa e sair somente quando for de fato necessário. 

  • O uso de máscara deve ser obrigatório para clientes e funcionários em todos os estabelecimentos;

 

  • Funcionários e clientes devem ter à disposição álcool em gel 70%, especialmente na entrada do comércio e nos caixas;

 

  • É preciso controlar o acesso de clientes para que o fluxo dentro da loja permita o distanciamento entre as pessoas;

 

  • O ideal é que os lojistas adotem maneiras de direcionar a circulação de pessoas no estabelecimento, como corredores unidirecionais, isolamento de algumas áreas e ajuste no fluxo de entrada e saída;

 

  • Estão proibidas atividades promocionais, eventos e campanhas que possam causar aglomerações;

 

  • Nos shoppings, ainda estão restritas atividades de entretenimento e para crianças;

 

  • Cestas e sacolas de compras devem ser higienizadas a cada uso;

 

  • Também é importante higienizar as embalagens de transporte das mercadorias; 

 

  • Recomenda-se que as lojas permitam e estimulem a realização dos pedidos pela internet, reduzindo assim o tempo que o cliente vai gastar na compra dentro da loja.