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Por dentro do pronto-socorro de um grande hospital

Porta de entrada dos pacientes que precisam de atendimento mais imediato, o pronto-socorro tem uma dinâmica particular para identificar os casos prioritários e agilizar o diagnóstico, que definirá se há necessidade de uma intervenção cirúrgica, internação ou tratamento com remédios.

Para explicar como funciona essa área tão importante dos hospitais, o Saúde da Saúde conversou com Marco Antonio Cinquetti Junior, coordenador médico da Linha Crítica do Hospital São Camilo Santana. A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo realiza, em média, 65 mil atendimentos por mês nas três unidades onde há pronto-socorro – são cerca de 2 mil atendimentos por dia de complexidades variadas.

Cinquetti Junior explica que as unidades possuem fluxos de atendimentos padronizados e estão preparadas para receber qualquer tipo de urgência e emergência. Todo o atendimento é informatizado, desde o momento da retirada da senha, passando pelas etapas de medicação e observação até a alta, o que otimiza o tempo.

Triagem

Assim que chegam ao pronto-socorro, os pacientes passam pela triagem, onde são avaliados e há uma classificação de acordo com os sintomas e os riscos. “São priorizados os atendimentos de situações críticas, onde há risco à vida”, explica. Pacientes graves já entram pela sala de emergência e não participam deste fluxo.

A triagem é realizada por equipes de enfermagem altamente capacitadas que utilizam um protocolo internacional de classificação de risco para detectar alterações clínicas precoces e priorizar o atendimento médico nos casos de maior risco. “Com a triagem, temos um ganho não só nos tempos, mas na especificidade do atendimento, tornando-o mais rápido e seguro”, afirma.

Para atendimento no consultório, o pronto-socorro conta com clínica médica e também especialistas em cardiologia, infectologia, neurologia, ortopedia, otorrinolaringologia e geriatria.

Exames e diagnóstico

Se forem necessários exames, as unidades de pronto-socorro têm seu próprio laboratório de análises clínicas e ainda conseguem realizar tomografia, ultrassonografia, radiografia, ressonância nuclear magnética, estudos hemodinâmicos, entre outros, 24 horas por dia, diz Cinquetti Junior. Os resultados são fornecidos de forma ágil e integrada ao sistema de atendimento do pronto-socorro, o que permite a visualização direta por parte do médico.

“O paciente tem então seu diagnóstico e daí pode ser tratado de sua patologia inicial, e orientado seguimento ambulatorial, ou internado em nossas unidades de internação, para seguimento com equipe especializada”, explica o médico.

Nas unidades também há instalações e equipamentos que permitem o tratamento imediato de pacientes diagnosticados com infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, entre outras doenças tromboembólicas, respeitando os critérios de atendimento definidos por protocolos internacionais e nacionais. 

“Sabemos que, nessas situações, o tempo de diagnóstico e tratamento está diretamente ligado ao melhor resultado: quanto mais rápido o diagnóstico e mais rápido e efetivo o tratamento, melhores os resultados para o paciente”, diz Cinquetti Junior. 

Por turno, cada unidade de pronto-socorro do São Camilo tem cerca de 14 técnicos de enfermagem, nove enfermeiros e 18 médicos entre clínicos, neurologistas, cardiologistas, geriatras, otorrinos, infectologistas, cirurgiões e ortopedistas. “Este número de profissionais pode ser adequado considerando situações relacionadas a volumetria e a sazonalidade”, explica.

Qual a diferença entre pronto-socorro e pronto atendimento?

Muitas vezes ao precisar de atendimento emergencial, seja devido a um mal-estar, um acidente doméstico ou até mesmo por algo mais grave, ficamos na dúvida se devemos ir a um pronto-socorro ou a um pronto atendimento. Para acabar com essa incerteza, conversamos com especialistas e buscamos informações para esclarecer a melhor opção em cada caso.

De acordo com definição do Ministério da Saúde, pronto atendimento são unidades, não necessariamente vinculadas a hospitais, destinadas a atender casos agudos, porém com menor gravidade. O pronto atendimento geralmente funciona dentro de um horário de serviço pré-determinado. Já o pronto-socorro presta assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato e, por isso, funciona durante as 24 horas do dia. Além disso, o pronto-socorro dispõe apenas de leitos de observação.

É importante ficar atento aos sintomas

Ou seja, podemos nos encaminhar para qualquer um dos dois em casos de sintomas súbitos e agudos, em que não há possibilidade de aguardar o agendamento de uma consulta ambulatorial. Porém, é importante avaliar os sintomas antes de decidir para qual deles ir. O pronto-socorro é mais indicado para casos complexos.

Buscar atendimento para quadros de febre, diarreia, resfriados, entre outras situações mais simples em pronto-socorro pode dificultar a situação tanto para o paciente quanto para a equipe médica. É o que ressalta a médica Janaína Ghiraldi, gerente médica do Hospital Santa Paula. “Desinformados, os pacientes procuram os prontos-socorros dos hospitais, quando seriam mais bem atendidos em unidades de pronto atendimento. Isso gera problemas de graves proporções: a superlotação desses setores, longas horas de espera e, por vezes e que é mais grave, o comprometimento no atendimento apropriado do doente que realmente está em condição de risco iminente de morte”.

Embora os prontos-socorros estejam acostumados a lidar mais com emergências de alta complexidade como politraumas, infartos agudos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC), também estão disponíveis para auxiliar a promoção da saúde, como afirma o médico Fabio Nakandakare Kawamura, coordenador médico do Pronto-socorro da Unidade Santana da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. “Os profissionais em pronto-socorro precisam sempre acolher cada paciente, não se limitando a tratar a condição de urgência e emergência, mas também se engajando em esclarecer sobre como o paciente deve prosseguir seu acompanhamento médico após ter alta do pronto-socorro. Cada atendimento em pronto-socorro é uma janela de oportunidade para que se promova a saúde de um paciente”.

Em 2017, somente na rede de hospitais cadastrados na Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), foram registrados mais de 10 milhões de atendimentos em pronto-socorro. As unidades contam com uma equipe formada por médicos de diversas especialidades, como Anestesiologia, Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral e Ortopedia, seguindo as definições do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Há pouco mais de uma década estão sendo formados no Brasil profissionais voltados para a área de atendimento em emergência, o que auxilia na qualidade do serviço. “Em 1996, foi criada a primeira residência médica de Medicina de Emergência no Rio Grande do Sul. Hoje, além do Sul, Fortaleza e, recentemente, São Paulo, também estão formando ‘emergencistas’. Tratam-se de médicos com formação generalista, mas com apelo ao tratamento das patologias agudas e graves”, destaca Janaína.