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Participação do paciente no desfecho clínico contribui para melhorias no pós-alta

Durante as duas últimas semanas, quanto a doença tem me limitado a fazer o que mais gosto? Quanto o cansaço tem me incomodado? Quanto a doença afeta meu estilo de vida? Perguntas como essas possivelmente já passaram pela cabeça de pacientes que fizeram uma cirurgia do coração ou que tiveram um AVC, por exemplo. Explicar como se sente e refletir sobre isso faz bem à saúde, e com base nessa premissa os hospitais têm buscado com os pacientes informações que podem contribuir para acompanhar os desfechos clínicos e identificar oportunidades de melhoria da qualidade de vida no pós-alta. 

Essas informações são colhidas a partir de questionários padronizados e servem de base para o gerenciamento dos indicadores que integram o Programa de Desfechos Clínicos, desenvolvido pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) em 2016 e já implantado em 16 hospitais associados. O programa surgiu por meio de uma parceria com o ICHOM – International Consortium for Health Outcomes Measurement, entidade responsável por definir padrões globais de indicadores de resultados voltados para a percepção dos pacientes. Para cada condição de saúde há um grupo de perguntas e indicadores. Ao todo, quatro condições de saúde são monitoradas pelos hospitais participantes do programa da Anahp: Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), AVC, osteoartrite/osteoartrose de quadril e joelho, sepse.

O HCor foi um dos primeiros hospitais associados a implantar o programa, em julho de 2017. O hospital decidiu montar um setor específico para coletar as informações com os pacientes, analisar as respostas e, assim, monitorar os desfechos clínicos e propor melhorias. O nome escolhido foi Escritório de Valor, já que a metodologia do programa leva em conta o modelo de cuidados de saúde baseados em valor (termo internacionalmente conhecido como Value-Based Healthcare) para o paciente. 

“Acompanhar o desfecho clínico é captar justamente o que importa ao paciente, que às vezes não é só a melhora em um exame, mas a melhora da qualidade de vida, o retorno ao trabalho. É olhar a partir da visão dele” explica a cardiologista Sabrina Bernardez, coordenadora do Escritório de Valor do HCor. “Educar o paciente é algo extremamente importante em todo o processo para que ele tenha papel central e possa ser um conhecedor da própria doença e assim ajude a definir suas preferências e necessidades, o que é valor para ele, para que possamos entregar o que ele realmente deseja dentro das opções viáveis da medicina.” 

Os questionários são aplicados na maioria dos casos por telefone para os pacientes que querem participar. Atualmente, os desfechos clínicos de 15 condições de saúde são monitorados ou estão em fase de implementação no HCor, e a adesão dos pacientes abordados é de mais de 95%. Além das respostas aos questionários, são considerados para a análise outros índices computados pelo hospital – mortalidade e reinternação, por exemplo. 

Resposta dos pacientes

De acordo com Sabrina, o retorno dos pacientes tem sido muito positivo. “Foi uma grata surpresa. A gente até pensou que poderia haver resistência deles para responder, mas foi o contrário. Eles têm se sentido muito acolhidos com esse tipo de contato, inclusive os pacientes mais jovens”, afirma a médica. “O questionário é interessante para ele se conhecer melhor, conhecer a doença e particularidades que nem pensava ter. É um momento de refletir sobre a qualidade de vida, os sintomas, o quanto a doença afeta a condição de saúde, e talvez ajude até a melhorar a adesão ao tratamento pós-alta.”

No Hospital Vera Cruz, que aderiu ao programa em março de 2019, a enfermeira de desfechos clínicos Maísa Camargo já observa alguns avanços importantes decorrentes do monitoramento e da avaliação dos indicadores, tendo como premissa o melhor desfecho para o paciente. “Os resultados são bem positivos. Por meio desses dados já conseguimos fazer algumas melhorias dentro da linha de cuidados dos pacientes com insuficiência cardíaca. Otimizamos e tornamos mais eficaz o agendamento do retorno com o especialista”, exemplifica Maísa. 

Além de contribuir para melhorar a eficiência da assistência e a qualidade de vida, o programa tem contribuído para a melhoria da experiência do paciente no hospital. “Ele vê que estamos preocupados com ele, e a preocupação é sempre com o que vai gerar valor para ele, o que vai ser bom para ele, se retomou as atividades, se voltou ao trabalho, se a orientação foi boa e se ele conseguiu segui-la, se o tratamento foi eficiente”, explica Maísa. “O contato pós-alta é importante para enxergar o paciente fora do hospital e o quanto a assistência refletiu para melhorar a qualidade de vida dele após a alta.”

De acordo com Maísa, 96% dos pacientes do Vera Cruz concordam em responder às perguntas, e em geral não têm dificuldade com o questionário, apenas no caso de questões bem pessoais – como se sente em relação a conviver com a doença o resto da vida, por exemplo – ou perguntas mais subjetivas relacionadas aos sintomas. 

“As contribuições de um podem trazer melhorias para ele e para outros com a mesma doença”, afirma a enfermeira. O contato é feito após 3 dias da alta e também após 30 dias, 6 meses, 1 ano e 2 anos após a alta. Os principais achados são discutidos nas reuniões internas semanais, e há também reuniões mensais para discutir e avaliar os indicadores, os resultados e as possíveis melhorias. 

No caso do HCor, segundo Sabrina, os pacientes também não têm apresentado dificuldade em responder. “Pensamos que haveria dificuldade nas respostas sobre questões sexuais, por exemplo, mas não tem. São raros os que não respondem até o final. Algumas respostas nos remetem inclusive a sugestões de melhorias internas – estruturais, mas principalmente assistenciais”, relata a coordenadora. Os funcionários do Escritório de Valor responsáveis por fazer as perguntas foram treinados e se reúnem periodicamente com os especialistas das áreas para se aprofundar no tema. 

O programa também é uma oportunidade para os hospitais participantes compararem resultados, compartilharem experiências e aprenderem uns com os outros nas reuniões periódicas realizadas na Anahp, sempre pensando no que vai agregar valor para o paciente.

Programa focado em qualidade de vida reduz em 31% estresse de colaboradores de hospital

Lidar com a dor e a ansiedade dos pacientes e de suas famílias, além de ter que tomar decisões importantes rapidamente, é algo que pode gerar estresse das equipes no ambiente hospitalar. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um programa voltado para a saúde e a qualidade de vida conseguiu reduzir em 31% os níveis de estresse dos funcionários.

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, 23 de setembro, conversamos com o geriatra e gerente médico do Saúde Integral do Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, para saber com o Programa Bem-Estar chegou a este resultado e acabou premiado internacionalmente.

“Quando começamos o programa, em 2011, 22% dos colaboradores disseram estar com um nível de estresse que impactava no seu dia a dia. Em um estudo feito entre os médicos, foram apontadas como principais causas de estresse ter que tomar decisões importantes em emergências e dificuldade de deixar de pensar no trabalho ao fim do dia”, diz Piovesan.

Ele explica que, dentro do programa, é feito um trabalho nas áreas onde são identificados muitos casos de afastamento. Nelas, psicólogo e ergonomista – profissional que analisa todo o processo de trabalho – fazem uma avaliação da psicodinâmica da área e apresentam resultados de acordo com o que foi identificado.

Pode ser um curso de comunicação não-violenta, por exemplo, ou a mudança de algum processo que não está funcionando bem e por isso causa estresse na equipe. “Ou, às vezes, sugerem a mudança de função de um colaborador que não tem o perfil para o trabalho que está fazendo e isso está causando estresse”, detalha.

Em outra frente, é trabalhado o acolhimento do profissional que apresenta sintomas de estresse na consulta com o médico generalista ou psicólogo do programa, que fazem o encaminhamento para o tratamento adequado.

Também há um canal confidencial para relatos de casos de assédio, bullying ou agressões – de pacientes ou entre colaboradores. É realizada uma apuração interna dos fatos e oferecido apoio para o colaborador.

Dentro das mais de 20 atividades oferecidas no Programa Bem-Estar, há algumas focadas diretamente no alívio do estresse, como ioga, relaxamento e meditação no bosque do hospital, cantoterapia e acupuntura.

Saúde integral

Piovesan explica que as ações do programa focam na qualidade de vida de uma forma integral, e que o primeiro passo é conhecer o perfil do colaborador. Cada um preenche um questionário antes da consulta periódica no qual conta sobre aspectos como o nível de estresse, a rotina de atividades físicas e alimentação. 

Como essas informações, mais o histórico médico e dados do RH sobre as principais causas de afastamento, é montado um plano de ação individualizado. 

“Pode ser, por exemplo, um coaching, que vai ajudar o colaborador a trabalhar seu estilo de vida como um todo. São 12 sessões com psicóloga e nutricionista, que vão focar na área que o colaborador quer mudar: perda de peso, nível de atividade física, gerenciamento de estresse, parar de fumar etc”, explica Piovesan.

Atualmente, a adesão ao Programa Bem-Estar é de 98% dos 2.840 colaboradores do hospital, pois está atrelado ao exame médico periódico. Uma academia dentro do Oswaldo Cruz faz parte do programa e hoje tem 610 funcionários matriculados que fazem pelo menos 30 minutos de musculação duas vezes por semana.

Na parte de lazer, são oferecidas aulas de balé, muay thai e pilates. Além de aulas de canto individuais ou em coral. Na parte do tratamento de estresse e problemas correlacionados, Piovesan afirma que a cantoterapia tem se mostrado muito eficiente. E em todas as ações do programa, os colaboradores têm apoio de uma equipe multidisciplinar.

Com o Programa Bem-Estar, o hospital também conseguiu reduzir em quase 50% as faltas por adoecimento, em 46% o tabagismo entre os funcionários e em 37% os casos de hipertensão. Houve ainda um aumento de 40% na prática de atividades físicas e 30% de melhora nos hábitos alimentares.

Sua empresa se preocupa com a sua saúde?

Uma das principais preocupações das empresas deve ser com o bem-estar dos seus colaboradores, principalmente quando o tema é saúde do trabalho. Ter todos os funcionários trabalhando de forma produtiva é o ideal para as organizações, mas por diversos fatores isso não acontece com facilidade. E a ausência do colaborador por motivos de saúde é um deles.

Promover ações que melhoram a saúde dos colaboradores gera benefícios tanto para os funcionários quanto para as organizações. Um colaborador que não esteja bem, mesmo que esteja presente, não tem a mesma produtividade. Devemos nos atentar também para doenças contagiosas, como gripes e resfriados, que podem prejudicar outras pessoas no ambiente.

Entre os grandes vilões por problemas de saúde do trabalho estão as tensões musculares, causadas, na maioria das vezes, por várias horas de trabalho na frente do computador. Apesar de não ser uma tarefa pesada, exige muita concentração, o que gera a tensão.

GINÁSTICA LABORAL E SEUS BENEFÍCIOS

Para evitar as complicações mencionadas, a recomendação é sempre cuidar da sua postura, fora e dentro do ambiente de trabalho. Uma das práticas bastante utilizadas pelas organizações é a ginástica laboral, que tem como principal objetivo prevenir tensões e outros problemas causados pela atividade diária.

A ginástica laboral é normalmente realizada dentro do ambiente de trabalho, pode ser feita diariamente ou conforme a frequência que a empresa disponibiliza, por um curto período de tempo, normalmente de 10 a 15 minutos. A atividade ajuda no alongamento e fortalecimento de musculaturas com pouco uso, compensa posturas além de poder ser realizada para relaxamento e diminuição do estresse.

COMO CUIDAR DA SAÚDE DENTRO DO AMBIENTE DE TRABALHO

Atualmente algumas organizações têm programas para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores, além de ginásticas laborais, oferecem massagem e disponibilizam manuais de bem-estar e saúde do trabalho. Mas é preciso também que os funcionários se preocupem com sua saúde dentro e fora do ambiente corporativo.

Para evitar complicações futuras, que prejudiquem a empresa e o colaborador, devemos realizar atividades saudáveis, como:

  • Manter uma boa alimentação: mesmo em dias corridos, nunca deixe de se alimentar de forma saudável. Isso evita mal-estar e dificuldades em realizar as tarefas, após as refeições.
  • Praticar atividades físicas regulares: Além das ginásticas laborais, exercitar o corpo é de extrema importância, alongue-se durante o dia e realize atividades fora do ambiente corporativo.
  • Aproveitar os momentos fora do ambiente de trabalho: Ao sair da empresa, desligue-se de suas atividades, aproveitar os momentos com família e amigos ajuda a relaxar e preparar a mente para o próximo dia de trabalho

A preservação e manutenção da saúde do trabalho, reflete diretamente no rendimento dos colaboradores. Diversas empresas já estão mudando suas prioridades, não se restringindo apenas aos aspectos de produção, mas também na qualidade de vida de seus funcionários. A ginástica laboral é uma forma de deixar a rotina mais agradável, mas é preciso também se atentar para o desgaste emocional. É sempre melhor prevenir do que remediar.