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O que é o sarampo? Saiba mais sobre os sintomas e importância da vacinação

A cidade de São Paulo viu nas últimas semanas os números de casos de sarampo serem multiplicados. A Secretaria Municipal de Saúde registrou até o momento 32 casos confirmados da doença. De acordo com um levantamento realizado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Brasil está em 3º lugar no ranking de países que mais tiveram o aumento de casos da doença entre 2017 e 2018.

No último dia 29 de junho, a cidade de São Paulo promoveu o Dia D pela vacinação contra o sarampo. A campanha, que está prevista para seguir até o dia 12 de julho e pretende vacinar 2,9 milhões de pessoas, foi realizada em algumas estações de Metrô e trens da CPTM, além das 464 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e postos de vacinação móveis pela cidade.

O sarampo é uma doença infectocontagiosa, causada por um vírus, e que pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de partículas da saliva e secreções nasais eliminadas no momento de espirros, tosses e fala. O infectologista Filipe Piastrelli, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC), explica que ficar em locais fechados com pessoas infectadas aumenta ainda mais as chances de contágio. “O vírus pode perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas”, comenta.

Os principais sintomas da doença são febre alta, que começa entre oito e 12 dias após a exposição ao vírus, tosse, secreções no nariz, vermelhidão na pele e olhos. O sarampo é uma doença grave, explica Piastrelli, e que pode levar a morte, principalmente crianças menores de cinco anos. Também pode provocar complicações graves em adultos, como cegueira, diarreia grave, infecções respiratórias e nos ouvidos.

O tratamento para o sarampo é sintomático, ou seja, é focado no alívio dos sintomas. Recomenda-se que os pacientes repousem, se hidratem, tenham uma alimentação leve e rica em vitaminas, além de limpar os olhos com água morna para evitar a infecção e o aparecimento de conjuntivites.

Importância da vacinação

A vacina contra o sarampo é a forma mais eficaz de se prevenir da doença, sendo assertiva em 97% dos casos. A primeira dose da vacina deve ser aplicada a partir dos 12 meses de idade, por meio do tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba). Já a segunda dose, aos 15 meses de idade, é por meio da tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela). Essas vacinas são oferecidas tanto pela rede pública, quanto pela privada.

Piastrelli explica ainda que, adultos que nunca foram vacinados, também devem ser imunizados. “Adolescentes e adultos com até 29 anos que não tiveram sarampo antes, podem receber as duas doses da vacina com um intervalo de 30 dias cada. Já os adultos com mais de 30 anos, devem ser vacinados com apenas uma dose”, finaliza.

Surtos de sarampo preocupam médicos e especialistas

Em fevereiro deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta para o aumento de casos de sarampo no mundo. Apesar de o Brasil servir de exemplo quando o assunto é o combate da doença no país, garantindo até mesmo um certificado em 2016, a situação agora já não é considerada tranquila.

Para se ter uma ideia, os Estados Unidos elevou o número de casos nacionais para 754. Já a OMS também emitiu um alerta depois do sarampo infectar 34 mil pessoas na Europa em 2019. O crescimento de casos no mundo crescem 300% em 2019, diz a OMS.

Só no ano passado, 11 estados brasileiros sofreram com o surto de doença. Mas apesar dos índices preocupantes e pesquisas que apontam este crescimento, a procura pela vacina nos postos de vacinação continua pequena.

Segundo o Ministério da Saúde, quase metade dos municípios brasileiros não atingiram a meta necessária de vacinar 95% das crianças de 1 até 5 anos de idade. Esse dado pode ser justificado pela crescente massa de pais que se negam a vacinar seus filhos.

“Existe hoje uma grande oposição de certas comunidades que consideram normal não se vacinarem”, lembra o especialista Dr. Claudilson Bastos, médico infectologista.

O método mais eficaz: vacina contra o sarampo

Fundamental para sua prevenção, a vacina contra o sarampo, chamada de tríplice viral (combate o sarampo, caxumba e rubéola), é fornecida gratuitamente na rede municipal de saúde, pelo Programa Nacional de Imunizações, por meio da Secretaria de Estado da Saúde.

Vale lembrar que existem reforços de vacina contra o sarampo, seja para bebês, adolescentes e adultos. Ela deve ser aplicada em duas doses, a partir de um ano de vida da criança. “Muitas pessoas também acreditam que a vacina é indicada apenas para crianças. Sendo que todas as pessoas têm, em determinados momentos de suas vidas, indicações de vacinação”, explica Bastos.

Mas como justificar o aumento de surtos de sarampo?

“Houve um aumento na densidade demográfica e população. Isso fez com que houvesse uma perda na cobertura de vacinação adequada para suprir essa necessidade”, explica o médico Infectologista.

Fique atento aos sinais da doença

Considerado altamente contagioso, o sarampo é provocado por um vírus e transmitido de forma similar a gripe; de pessoa para pessoa, por meio de tosse e secreções. Facilitando sua propagação.

Os sintomas mais comuns incluem: irritação nos olhos, corrimento no nariz, manchas brancas na parte interna da bochecha, mal-estar, tosse persistente, e manchas vermelhas na pele. Mas também é comum o paciente apresentar febre, convulsões, infecções nos ouvidos, conjuntivite, pneumonia, perda do apetite, diarreia e até mesmo lesão cerebral.

Para o médico, o sarampo deve ser levado mais a sério por sua tamanha gravidade. “O sarampo é uma das doenças mais graves. Ela pode levar à pneumonia, problemas neurológicos graves, e até mesmo à morte. Principalmente gestantes, bebês, e idosos. É uma questão de saúde pública, já que afeta uma comunidade inteira, não só um indivíduo”.

Segundo Bastos, para a prevenção ser efetiva, além da vacina contra o sarampo, é necessário: “Ter uma cobertura vacinal adequada, campanhas, fazer com que a questão da imigração seja mais organizada. E fazer com que a conscientização das pessoas consideradas naturalistas entendam a importância da vacinação”, diz.

Vale lembrar que ainda não existem tratamentos específicos para pacientes já identificados com sarampo. Há apenas algumas ações de controle e alternativas como vitamina A, administrada em casos mais graves. E em situações menos graves é recomendável ingestão de líquido e controle da febre.