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Janeiro Branco: como a vida moderna afeta nossa saúde mental

Os casos de depressão, estresse e ansiedade têm crescido no mesmo ritmo intenso que as mudanças ocorrem na sociedade moderna. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão – que deve ser a doença mais incapacitante de 2020. Quando se fala de ansiedade, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking, com 9,3% da população (mais de 18 milhões de pessoas) convivendo com o transtorno.

Esses números colocam a saúde mental no foco dos cuidados com os pacientes, que buscam o equilíbrio em uma rotina cada vez mais extenuante e exigente. O Janeiro Branco é uma campanha que pretende chamar atenção para o adoecimento emocional da população e para a importância de políticas voltadas para a saúde mental.

Os fatores que influenciam negativamente na saúde mental costumam estar relacionados às pressões sociais, pessoais e profissionais, à falta de tempo para cuidar de si e de um espaço para falar sobre os problemas.

Um caminho para evitar a ansiedade e a depressão é ter na rotina um momento reservado para atividades que considera prazerosas, tentar minimizar o estresse contínuo e equilibrar as emoções, além de cultivar relações que fazem bem. Também é fundamental praticar exercícios físicos, se alimentar adequadamente e ter um sono adequado.

Notar que não está conseguindo lidar com situações do dia a dia sozinho e de forma saudável pode ser um sinal para procurar orientação de um psicólogo. Todos podemos ter nossa saúde mental afetada, em maior ou menor grau, por acontecimentos como a perda de um ente querido, um divórcio ou desemprego. Também pode ocorrer em fases de mudança na vida, como a entrada na escola, em um emprego novo, na adolescência ou no envelhecimento.

O Hospital Tacchini, no Sul do país, participa de uma programação de Janeiro Branco, em parceria com as secretarias municipais de Saúde de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, que promoverá rodas de conversa e orientação com profissionais, além de palestras.

Em São Paulo, o Hospital São Camilo realiza ações internas e externas de conscientização sobre os cuidados com a saúde mental. As fachadas das unidades do hospital estão iluminadas com a cor da campanha Janeiro Branco. Ao longo do mês estão sendo realizadas palestras com os colaboradores e a divulgação de informações sobre o tema nas redes sociais e canais internos da instituição.

Conheça a plataforma digital “Abertamente” para falar sobre Saúde Mental

Falar sobre saúde mental ainda é um tabu em muitos espaços da sociedade. A falta de abertura para abordar o tema é um dos desafios na conscientização sobre possíveis tratamentos e, por isso, a plataforma Abertamente nasce com o intuito de informar e acolher aqueles que convivem com distúrbios de origem mental.

O que são doenças mentais?

A saúde mental de uma pessoa pode ser afetada de várias formas e não necessariamente implica qualquer tipo de incapacidade por parte de quem é acometido por algum distúrbio. Neste grupo, encaixam-se as doenças que comprometem o sistema nervoso central, desde as mais estigmatizadas, como a esquizofrenia, até problemas mais comuns, como ansiedade e depressão.

Não enfrente sua mente sozinho

Além de oferecer conteúdo de qualidade que fala sem preconceitos sobre o tema, a plataforma Abertamente também se propõe a facilitar o acesso de pacientes à orientação médica adequada. “O objetivo é que a pessoa tenha uma referência na hora de pesquisar sobre o tema e também um canal com os especialistas da área. A população precisa saber que há várias formas de tratamento, sem que haja necessariamente uma internação”, explica o neurologista Dr. Willians Lorenzatto.

Criada pela FQM Farma, o projeto nasceu de esforços da campanha da indústria farmacêutica para o Setembro Amarelo, em apoio ao Centro de Valorização da Vida (CVV). O conteúdo da plataforma Abertamente é liberado semanalmente. Nas redes sociais, a iniciativa ainda conta com depoimentos de profissionais da área, a fim de encontrar pessoas dispostas a serem voluntários na busca pela conscientização sobre saúde mental.

Saúde mental no Brasil

Embora o bem-estar seja essencial, o alto custo do tratamento acaba tornando o tema ainda mais urgente em território nacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que só o Brasil abriga 23 milhões de pessoas que enfrentam esse tipo de doença e, desde 2012, é uma das principais preocupações do país.

Quem é mais vulnerável?

Além do fator geográfico, há outros motivos que contribuem para a alta incidência dessas doenças. Segundo estudo conduzido pela Fapesp em parceria com um consórcio internacional – que ficou responsável por averiguar países como França, Inglaterra, Holanda, Espanha e Itália – homens jovens, ou seja, de 18 a 24 anos, estão mais propensos a vivenciarem episódios psicóticos.

Outras pessoas mais sensíveis a este tipo de transtorno, são minorias étnicas e classes que sofrem com desigualdade socioeconômica. Se você está na Grande São Paulo e sofre com sintomas de alguma das doenças mentais, não deixe de procurar ajuda em um dos hospitais membros da Anahp cadastrados nos serviços de atendimento.