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Quanto custa o plano de saúde na renda dos brasileiros?

Quem paga plano de saúde sabe que é preciso planejamento financeiro para dar conta dessa despesa importante. Mas você saberia dizer quanto do orçamento do brasileiro é destinado à assistência em saúde?

Em uma pesquisa realizada em abril deste ano pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), 73% dos usuários dos convênios afirmaram gastar pelo menos 30% de sua renda mensal para despesas de saúde.

Entre os usuários de planos individuais e familiares, a previsão é de que essa despesa aumente ainda mais, já que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou um reajuste de 15,5% nessas categorias – o maior da série histórica.

“A saúde suplementar [planos de saúde] está com o seu futuro rigorosamente amarrado ao futuro do Brasil, em termos de economia, emprego e renda. O que pode acontecer? É o que acontece durante as crises econômicas, em que, diminuindo emprego e renda, há redução imediata de pessoas com plano de saúde”, pondera Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, sobre a relação entre o contexto econômico e o acesso aos planos.

A pesquisa da Anahp mostrou ainda que mais da metade dos entrevistados (53%) que utilizaram seu plano nos últimos 12 meses disse estar satisfeita com os serviços, avaliando-os como “ótimo ou bom”. O maior índice de aprovação está entre as mulheres, com 60% das respostas positivas. Em relação à análise por regiões, as melhores avaliações vêm do Norte do país, com índices de “ótimo ou bom” para 64% dos usuários.

Em relação à renda, as avaliações mais positivas encontram-se em duas (distantes) pontas: 80% dos desempregados/sem renda fixa e 70% entre os que ganham acima de 10 salários mínimos. Nos grupos intermediários, o resultado fica em 49% (até 2 salários mínimos), 41% (entre 2 e 5 salários) e 55% (entre 5 e 10 salários mínimos). Observa-se também, sobre a escolaridade, que o maior índice de aprovação está entre os entrevistados com nível superior (56%), seguidos dos ensinos médio (545) e fundamental (21%).

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” contempla a opinião de 3.056 pessoas acima de 16 anos, localizadas em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – 83% usuários do SUS e 17%, da saúde suplementar (mesmos percentuais do universo pesquisado).

Os entrevistados responderam questões sobre a qualidade da Saúde no Brasil e o que deve ser prioridade na área para os próximos governantes. Confira todos os resultados aqui.

O avanço da tecnologia nos hospitais e os benefícios para os pacientes

A telemedicina já faz parte do seu dia a dia? E o acompanhamento digital da evolução dos seus exames? A tecnologia está cada vez mais presente nos processos hospitalares, e essa evolução tem sido observada dos dois lados: os pacientes anseiam por novidades e, do outro lado do balcão, os hospitais estão cada vez mais preparados para oferecer o que há de mais avançado em termos clínicos.

No Hospital Moinhos de Vento (RS), por exemplo, a inovação faz parte do dia a dia. Conectado a pessoas e organizações da área de tecnologia, a instituição promove soluções disruptivas e serviços que possam transformar a saúde do futuro. O investimento em tecnologia como pilar estratégico já rendeu, inclusive, premiações e reconhecimentos.

“Esse processo de inovação está baseado em três pilares. O primeiro, interno, incentiva ideias que possam gerar negócios sustentáveis ou propor melhorias para processos já existentes; o segundo, chamado Atrion Connections, busca novidades e melhorias para atender às demandas atuais e futuras a partir de conexões com startups; o último, o Atrion Labs, é responsável pela conexão com grandes empresas”, detalha Melina Moraes Schuch, gerente de Estratégia, Inovação e Marketing do Moinhos de Vento.

Para o paciente, os resultados são igualmente positivos. Com o uso da tecnologia, há uma gama de recursos disponíveis para mais segurança, agilidade e desfechos satisfatórios no ambiente hospitalar. “No momento em que temos os melhores equipamentos, como um robô que possibilita cirurgias menos invasivas e recuperação mais rápida, ou um aplicativo que emita um alerta para a equipe que vai receber um paciente com um AVC, nós estamos usando a tecnologia e a inovação para atingir o objetivo principal de um hospital: curar e salvar vidas”, afirma a gerente.

Tecnologia e inovação estão entre as principais demandas dos pacientes

Maior investimento em tecnologia e inovação figura em primeiro lugar entre as prioridades para o próximo governo na área da saúde – é o que apontam 28% dos entrevistados na pesquisa “A saúde que os brasileiros querem”, conduzida pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Realizado no período pós-crise da Covid-19 e pré-eleitoral, o estudo traça um panorama do setor a partir do ponto de vista dos usuários, tanto do sistema público quanto do particular. “A pesquisa é um retrato do que vemos na sociedade: pessoas preocupadas com a sua saúde e nem sempre tendo a possibilidade de ter acesso a esses serviços”, comenta Schuch.

A apuração do PoderData foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%.

Confira esses e outros resultados aqui.

Capacitação e desenvolvimento de profissionais da saúde influenciam na avaliação dos hospitais

A segurança e satisfação que o paciente sente ao ser atendido em um serviço médico privado passam diretamente pela qualidade dos profissionais que realizam o cuidado. É o que aponta a pesquisa “A saúde que os brasileiros querem”, realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). De acordo com o estudo, 4 a cada 10 usuários (43%) apontaram esse atributo como o mais importante.

O resultado reflete no esforço dos hospitais privados, que têm investido no aprimoramento do quadro de funcionários para manter o alto o nível de seus recursos humanos. No Hospital Dona Helena (SC), por exemplo, o programa “Educação Continuada” atende a demandas de aperfeiçoamento em diversas áreas e níveis hierárquicos, com destaque para o Trainee de Enfermagem.

“É um programa que tem como referência a capacitação, o treinamento e, sobretudo, o aperfeiçoamento dos funcionários – tendo em vista que, na faculdade, há uma vocação natural para a parte conceitual. Já o hospital, através do programa trainee, proporciona a possibilidade de a pessoa ser preparada na prática”, explica José Tadeu Chechi, diretor-geral do Dona Helena.

“Além disso, entendemos que investir no desenvolvimento da nossa mão de obra agrega valor ao hospital, traz fidelização por parte desses profissionais e, ao mesmo tempo, proporciona que esses funcionários possam ocupar posições de liderança dentro da instituição”, acrescenta Chechi.

A enfermeira Danielle Cristini de Souza é um exemplo de evolução de carreira no Dona Helena. Após cinco anos cursando Enfermagem, Danielle se formou e começou, em abril, o programa de Trainee. “Percebo o quanto cresci, não só profissionalmente, mas também como pessoa. Hoje sou responsável e segura em todo os aspectos da minha vida”, afirma sobre a experiência. “O hospital ofereceu essa chance e, aos poucos, fui aprendendo e evoluindo.”

O Dona Helena dispõe também de uma profissional contratada exclusivamente para o treinamento dos médicos, responsável por acompanhá-los desde o momento da integração, passando pelo processo de educação, com rotinas e protocolos ao longo da jornada.

Além disso, o hospital possui uma plataforma interna de treinamentos para todos os colaboradores.

Como foi feita a pesquisa 

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022 pelo PoderData a pedido da Anahp. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado. Depois do atributo “qualidade dos profissionais” ficou, em segundo lugar, a avaliação da estrutura física das instituições de saúde, porém com menos da metade das menções (21%).

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Os entrevistados também responderam questões sobre a qualidade da Saúde no Brasil e o que deve ser prioridade na área para os próximos governantes. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano. Confira esses e outros resultados aqui.

Brasileiros têm a saúde ameaçada pelo sedentarismo

Ana Claudia tem 32 anos e uma vida muito corrida. Ela se preocupa com a saúde e até paga academia, mas raramente consegue tempo para ir. Com os horários apertados entre muitas tarefas, ela acaba se alimentando mal e adiando consultas de rotina. O que Ana Claudia vai descobrir quando conseguir tempo para fazer seus exames é que os impactos já estão acontecendo na sua saúde: uma pré-diabetes e alterações no colesterol.

Ana Claudia é um personagem fictício, mas sua história representa a realidade de muitos brasileiros e brasileiras. Uma pesquisa inédita realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) revelou que, apesar de ter a saúde entre suas prioridades, a grande maioria dos brasileiros não faz nenhuma atividade para prevenir doenças – como exercícios físicos regulares, alimentação balanceada e consultas de rotina para acompanhamento médico.

Segundo a pesquisa, entre os usuários do SUS, 71% não faz atividades voltadas à prevenção e promoção de cuidados. Entre as pessoas que têm plano de saúde, o número é ainda maior, 85% – sendo as mulheres e os jovens os menos envolvidos nessas iniciativas.

“É necessário que os governos tenham um olhar muito específico para a saúde preventiva, pois os resultados mostrados na pesquisa terão um impacto nos sistemas de saúde ao longo do tempo”, afirma Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData. No médio e longo prazos, a falta de ações preventivas pode resultar numa “epidemia” de doenças crônicas na população.

E os impactos na sua saúde?
André Gasparotto, cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que os números da pesquisa se refletem no dia a dia do consultório. “O sedentarismo está diretamente relacionado ao maior ganho de peso, à hipertensão arterial, ao diabetes mellitus e aos distúrbios relacionados ao colesterol. É um fator de risco cardiovascular de extrema relevância, seja na geração de outros fatores ou no agravamento destes”, explica.

Segundo o especialista, as pessoas sedentárias tendem a fazer acompanhamento médico menos regular, e os que são tabagistas também tendem a fumar mais. “Ou seja, o sedentarismo precisa ser combatido como uma doença no sentido mais amplo sobre tratamento”, afirma Gasparotto.

Reverter essa realidade exige só um pouco de dedicação a si mesmo. A recomendação é que as pessoas realizem pelo menos 150 minutos de atividade física regular por semana – ou seja, menos de uma hora dedicada a esse tipo de atividade em três dias da semana. Gasparotto destaca que o ideal é passar por avaliação médica antes de começar.

“Além disso, manter uma alimentação balanceada, pobre em carboidratos e gorduras e rica em proteínas, auxilia muito para o controle de fatores de risco cardiovascular e, naqueles com doenças já estabelecidas, auxilia para que seja necessário menos medicamentos para o controle da mesma”, complementa o cardiologista.

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano.

Confira esses e outros resultados aqui.

Pesquisa inédita revela grau de satisfação do brasileiro com a saúde no país

Quatro entre dez brasileiros reprovam a saúde no Brasil, revela pesquisa inédita realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). O levantamento ouviu mais de 3 mil pessoas de todos os estados do país para saber o que pensam sobre os serviços de saúde e quais devem ser as prioridades dos próximos governantes para o setor.

Entre os entrevistados, 43% consideram a saúde, em geral, ruim ou péssima; 45% a classificam como regular, e apenas 9% como boa ou ótima. Outros 3% não responderam à pergunta. Os pesquisadores ouviram tanto pessoas que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS) como aquelas que têm plano de saúde.

“O brasileiro agora tem mais propriedade e conhecimento sobre os sistemas, partes boas e ruins, e se sente mais participante das discussões sobre o tema”, afirma Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, em entrevista para o site Poder 360. Para ele, a pandemia de Covid-19 fez crescer a preocupação das pessoas com a qualidade dos serviços de saúde.

A percepção negativa da saúde no Brasil é maior entre as pessoas com mais escolaridade. Metade dos entrevistados com nível superior completo atribuiu a classificação ruim ou péssima – 16 pontos percentuais a mais do que a apurada entre quem tem apenas o nível fundamental (34%).

Os jovens se mostraram mais críticos com relação às condições da Saúde brasileira. Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 47% a consideram ruim ou péssima – acima da média nacional identificada na pesquisa.

“Há uma diferença grande quando perguntamos sobre a saúde como um todo, como uma questão geral, mais abstrata, e quando vamos para pontos específicos”, explica Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData. “Quando perguntamos, especificamente, sobre o SUS ou sobre os planos de saúde, vemos que a satisfação é muito maior”, afirma a respeito de outro ponto da pesquisa. Sobre o atendimento que recebem, responderam ser ótimo ou bom 43% dos usuários do SUS, e 53% dos usuários de planos de saúde.

Prioridade dos próximos governos

A pesquisa também perguntou quais deveriam ser as prioridades dos próximos governantes na área da saúde. A maioria dos entrevistados apontou os investimentos em inovação e tecnologia (28%) e mais medicamentos gratuitos pelo SUS (22%).
“O resultado que aponta inovação e tecnologia demonstra que o futuro da saúde deve estar entre as prioridades de qualquer governo que assuma a partir do ano que vem”, analisa o diretor do PoderData.

Na visão de Antônio Britto, para solucionar essa demanda, os governos precisarão definir uma política de inovação, consistente, coerente e continuada para o setor. “O potencial dos nossos cientistas, reconhecido mundialmente, e a capacidade produtiva de instituições como a FioCruz e o Butantan não são acompanhadas de políticas públicas e interesse privado que ampliem o nível de inovação.”

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano.

Confira esses e outros resultados aqui.

Inteligência artificial: mais agilidade e eficácia em tratamentos, suporte para decisões clínicas e otimização do atendimento

A tecnologia está conduzindo uma revolução no cuidado e na experiência do paciente nos hospitais. Entre tantas funções, a inteligência artificial pode ser usada para monitorar, em tempo real, pacientes internados e que são atendidos no pronto atendimento de unidades hospitalares.

É o caso do Hospital Santa Catarina – Paulista (SP), em que o sistema da empresa de healthtech Laura trabalha com leitura de dados e emissão de alertas quando há um agravamento dos sinais vitais do paciente. Com a nova facilidade, as equipes médicas podem intervir com mais agilidade e eficácia no tratamento, além de trabalhar de forma preventiva para evitar piora em casos complexos relacionados à sepse, Covid-19 e outras doenças.

Em sistemas assim, os algoritmos do sistema de inteligência artificial conectam os prontuários eletrônicos a um painel de gerenciamento, onde as informações clínicas do paciente podem ser acompanhadas em tempo real. Com a armazenagem de dados, é possível uma leitura mais eficiente do histórico do paciente, identificando riscos e auxiliando na elaboração de tratamentos e terapias personalizados.

A gerente-médica Simone Raiher, do Hospital Santa Catarina, conta que a inteligência clínica de soluções assim costumam garantir uma “compreensão ágil de cada caso atendido pela unidade e consegue proporcionar, junto aos protocolos institucionais e ao atendimento assistencial humanizado, melhor experiência e bem-estar às pessoas”.

Leia mais sobre o assunto:

Entenda como a inteligência artificial pode ajudar a cuidar da saúde

Tecnologia 5G vai possibilitar cirurgias à distância

Com velocidade ultrarrápida e estabilidade de conexão, a nova tecnologia de internet 5G promete revolucionar procedimentos hospitalares. Entre eles está a cirurgia robótica, afirma Rodrigo Garcia, membro da Comissão de Ética Médica do Hospital Vera Cruz (Campinas-SP) e pioneiro em cirurgia pediátrica robótica no interior de São Paulo. Cem vezes mais rápido do que o atual 4G, o novo sistema vai possibilitar que procedimentos invasivos e cirúrgicos ocorram com paciente e médico em cidades diferentes.

“A tecnologia 5G vai permitir qualquer interação à distância entre médico e paciente com mais segurança de estabilidade de conexão. O impacto na cirurgia robótica será enorme, já que a telecirurgia será realizada com a mesma precisão e segurança que temos atualmente, operando no mesmo local em que o paciente está”, afirma Garcia.

Ele explica que, na técnica robótica, o cirurgião manipula o console – controles nas mãos e pés – para realizar os movimentos do procedimento cirúrgico, que são reproduzidos fielmente pelo robô no paciente.

Segundo o cirurgião, a expectativa é que a tecnologia seja implantada no Brasil até o segundo semestre de 2022 e, a partir daí, os hospitais mais abertos à inovação começarão a usar o 5G em benefício dos pacientes e profissionais da saúde. “Imagino que, assim que a tecnologia 5G for implantada nos grandes centros, em seguida poderemos ter a disponibilidade em cirurgias à distância.”

Diante do cenário de constante evolução tecnológica do setor de saúde, a previsão é de uma expansão da telecirurgia em poucos anos. Segundo Garcia, há previsões de que, até 2025, hospitais poderão ter salas ocupadas por robôs e humanos conectados por 5G com cirurgiões em qualquer lugar do planeta.

“Não dá para imaginar o quanto será inovador termos a possibilidade de conectarmos máquinas para realizar vários trabalhos em diversas áreas com a Internet das Coisas. Já sabemos que, na telecirurgia, será possível ajudar pacientes à distância, mas como podemos imaginar que, em breve, alguns robôs serão capazes de ‘aprender’? É um avanço sem precedentes na área da saúde”, define Garcia.

Medicina do Futuro: a tecnologia como aliada da sua saúde

Garantir mais qualidade de vida à população que está envelhecendo é um dos grandes focos da medicina do futuro. Para isso, a chave é dar mais atenção à prevenção de doenças, em uma proposta “mais proativa na questão da saúde”, segundo Emmanuel Fombu, médico e autor do best-seller “The Future of Healthcare” (“O Futuro do cuidado com a Saúde”, em tradução livre). Ele participou da palestra de abertura da mais recente edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2021.

O médico comenta que o sistema de saúde atual foca em esperar que sintomas apareçam, progridam, para só então fazer múltiplos exames, diagnosticar e aí poder fazer a intervenção. “O que desejamos para o sistema de saúde até 2030 é diferente. Entender quais são os riscos de ter a doença, intervir antes e chegar a um diagnóstico mais preventivo. E quando a doença acontecer, se ela acontecer, a gente terá como tratá-la da melhor forma, para que possamos ser a melhor versão de nós mesmos”.

O que a tecnologia pode fazer pela sua saúde?

No mundo ideal, o tratamento adequado a cada caso seria discutido com base em dados prévios de cada pessoa, e não apenas os registros do paciente no momento do exame. Graças à tecnologia, essa tendência já vem se delineando no presente. “Estamos falando de bilhões de dólares investidos em telessaúde e muito tem se dedicado ao monitoramento do que acontece com o paciente”, ressalta. Ele lembra que custa mais caro para o plano de saúde ou para o governo atender a pessoa já doente no hospital do que fazer esse monitoramento prévio.

Alguns smartwatches disponíveis no mercado permitem coletar dados de saúde com facilidade – até quando você está dormindo – captando variações e detectando problemas de saúde antes que os primeiros sintomas apareçam. Esses dados podem ser transmitidos para uma equipe médica que entenderá melhor o contexto em que as alterações na saúde ocorreram.

O futurologista aponta que esse histórico de saúde do paciente faz toda a diferença. Fombu compara a medição comum da pressão sanguínea com a foto de um momento específico da sua saúde, enquanto o ideal seria captar todo o seu histórico. Ele exemplifica com eventos que podem alterar seus exames momentaneamente: “A pressão de um paciente estava normal, mas ao meio dia aumentou. A namorada terminou o relacionamento com ele, o que aumentou o batimento cardíaco. Se você tivesse que medir a pressão dele apenas neste momento, você acharia que ele tem hipertensão. Mas, se você olhar o contexto, vai ver que foi um evento específico que causou esse aumento do batimento cardíaco. Com acesso a essa informação, o tratamento seria outro”, explica.

Outra frente viabilizada pela tecnologia é a telemedicina. O especialista lembra que há alguns anos já se previa o uso massivo de serviços de medicina remota, que foram adotados em larga escala apenas durante a pandemia. “A gente já está implementando isso agora e a adoção dessa abordagem vai ser muito massiva muito em breve”, avalia. No entanto, existem alguns desafios neste caminho. “Precisamos educar os pacientes sobre os benefícios de uma consulta virtual. Também a tecnologia, por si só, é um grande desafio. Várias pessoas não têm acesso à internet, outras não têm um celular compatível com a tecnologia necessária”, lamenta.

Entenda como a Inteligência Artificial pode ajudar a cuidar da saúde

Ensinar computadores a diferenciar alterações em exames de imagem pode aumentar a precisão de diagnósticos. Segundo Greg Corrado, a Inteligência Artificial (IA) é aliada para identificar alterações e doenças porque, “às vezes, a máquina vai ver coisas que os seres humanos não conseguem”. Ele é cientista pesquisador do Google e participou da plenária sobre Como a Inteligência Artificial Vai Mudar Seu Jeito de Cuidar da Saúde durante a última edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2021.

Outra vantagem é que, com a tecnologia de IA usada em larga escala, é possível reduzir os custos além de atingir mais pessoas. “A gente acredita que esses sistemas podem colaborar com as pessoas, da mesma forma que pessoas colaboram entre si”, afirma.

COMO FUNCIONA?

Com a capacidade de visão de computadores, as máquinas conseguem encontrar elementos em imagens, categorizar e até descrevê-las. Assim, é possível fazer também a leitura de imagens médicas, servindo de auxílio em diagnósticos.

O cientista cita como exemplo uma parceria do Google na Índia, onde havia poucos médicos disponíveis para fazer testes de fundo de olho, para detectar complicações da diabetes. A empresa pensou, então, em uma alternativa que usasse IA para que as máquinas fizessem uma triagem, identificando os casos mais claros de alterações.

Mais de 130 mil fotos foram tiradas e enviadas a médicos e os profissionais identificaram qual o nível de diabetes na retina em cada uma das imagens. Com essa avaliação dos médicos, os dados foram usados pelas máquinas, para ensiná-las a reproduzir o comportamento dos profissionais. “Como as máquinas conseguem imitar, elas conseguem capturar parte da perícia dos médicos para identificar se aquela retina está saudável ou não”, explica Greg. Assim, foram criados sistemas de computador com sensibilidade para estarem bem próximos do diagnóstico dos médicos treinados.

Um exemplo que surpreendeu os pesquisadores foi que, ao olhar as fotos da retina, a máquina conseguia ser treinada para saber qual a idade do paciente e qual a pressão sanguínea sistólica. “Isso demonstra que, às vezes, temos biomarcadores que estão presentes nos dados que já temos em nossas mãos, mas estão invisíveis para nós, seres humanos”, conta o cientista do Google.

Segundo ele, essa mesma tecnologia de reconhecimento pode ser utilizada para exames de diagnóstico de câncer de mama, câncer do cólon, câncer de próstata, para avaliação e exames de tuberculose e para outros tipos de doenças.

Greg Corrado ressalta que toda essa tecnologia não deve substituir o papel do médico. “Queremos deixar bem claro que estamos oferecendo ferramentas para ajudar os pacientes a compreender ‘será que é algo que eu tenho que prestar mais atenção ou não’ e com aquela informação verificar o que o médico vai recomendar”.

Fake news: como não cair nessa cilada quando o assunto é saúde

Conversamos com especialistas das áreas de saúde e da imprensa para saber como identificar notícias falsas

Com a propagação desenfreada das notícias falsas, as chamadas fake news, não seria exagero colocá-las lado a lado com alguns dos males dos últimos tempos. Segundo pesquisa da Avaaz, rede de mobilização que luta por causas ao redor do mundo, nove em cada dez brasileiros viram pelo menos uma informação falsa sobre a pandemia em 2020. Ainda de acordo com o estudo, intitulado “O Brasil está sofrendo uma infodemia de Covid-19”, publicado em maio do ano passado, sete em cada dez brasileiros entrevistados acreditaram em, ao menos, um conteúdo desinformativo sobre o coronavírus.

O Saúde da Saúde conversou com especialistas das áreas da saúde e da imprensa para entender como identificar e evitar o compartilhamento de fake news.

> Entrevista com Chico Marés, coordenador de Jornalismo da Agência Lupa, especializada em fact-checking (checagem de fatos, em português)

Saúde da Saúde: Como as fake news podem impactar na saúde?
Chico Marés: Notícias falsas sobre saúde fazem com que pessoas tomem decisões sobre seu próprio bem-estar baseadas em informações erradas, o que pode levar diretamente a consequências danosas.

Nessa crise da Covid-19, temos uma infinidade de exemplos. Há pessoas que evitaram tomar vacinas, e não apenas expõem a si próprias a uma doença grave, mas comprometem a imunização coletiva. Outras (ou as mesmas) adotam comportamentos de risco, como frequentar locais com aglomerações ou não usar máscaras, porque duvidam do risco da Covid-19. Há ainda aquelas que tomam certos remédios, que como toda droga têm contraindicações e efeitos colaterais, por acreditar em coisas que leem na internet — e também adotam condutas de risco por acreditarem estar imunizadas.

Saindo da seara da Covid-19, há toda uma indústria de suplementos de saúde que utiliza depoimentos falsos de médicos e celebridades para empurrar produtos que, na melhor das hipóteses, são placebos por preços abusivos. Há, ainda, conteúdos de má qualidade sobre dietas que podem gerar falsas expectativas e até mesmo influenciar hábitos alimentares pouco saudáveis.

Saúde da Saúde: Onde buscar informações confiáveis sobre saúde?
Marés: Instituições públicas de saúde (como secretarias de saúde, por exemplo), institutos de pesquisa, universidades e associações médicas sérias (como a SBI, a AMB, ou várias outras sociedades ligadas a doenças específicas) são boas fontes sobre esse assunto. Para quem fala inglês, instituições como o CDC americano e Cancer Research UK têm ótimos guias, bem didáticos, sobre doenças específicas, especialmente câncer.

Na imprensa, vários veículos tradicionais têm boas coberturas no tema, como o G1, a Folha de S.Paulo e a BBC. Mais especificamente, acho o blog do Drauzio Varella fantástico. Há bons influenciadores, como Natália Pasternak, Átila Iamarino, Vítor Mori. Enfim, tem muitos bons lugares para ler sobre saúde — mas, claro, nada disso substitui uma consulta com um médico!

> O que dizem os especialistas em saúde: uma conversa com Maurício Abrão, coordenador de Ginecologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

De acordo com o coordenador de ginecologia da BP, Maurício Abrão, na medicina, as pesquisas sempre estão sendo revistas para confirmação ou correção do que foi escrito no passado — e é por conta disso que se torna possível avançar em termos de diagnóstico, tratamento, cirurgia, medicação e formação médica. No entanto, com a propagação de notícias falsas, o caminho se torna o inverso.

“As fake news podem fazer com que as pessoas deixem de se cuidar e troquem medicamentos por produtos sem comprovação científica. O resultado pode ser desde um mal-estar até a morte”, alerta.

Na dúvida, a indicação é sempre procurar o seu médico. Tendo em mãos o seu histórico, como queixas, diagnósticos, exames e medicações, ele poderá confirmar o que faz sentido ou não para você. “O que é bom para o seu amigo pode não ser bom para você. A queixa médica pode ser a mesma, mas as pessoas são diferentes e, com isso, o tratamento, principalmente de saúde, deve ser específico para quem você é”.

Sobre o “Dr. Google”, o especialista não aconselha consultar a internet antes de marcar uma consulta. Segundo o médico, o ideal é obter o diagnóstico correto com profissionais de saúde. “A pessoa que sente uma dor e procura na internet vai ficar ansiosa, já que tudo o que aparece é relacionado a câncer. Gera uma ansiedade desnecessária.”

Como identificar uma notícia falsa? Confira as dicas da Agência Lupa:

– O primeiro indício é o uso de afirmações como “cura definitiva”, “100% garantido”, “totalmente eficaz”;
– Cheque a fonte, se é desconhecida ou pouco confiável. Materiais com erros flagrantes de português ou com sinais de que foi traduzido por ferramentas como Google Tradutor, por exemplo, também costumam ser falsos.
– Pergunte-se: esse conteúdo foi publicado em um site confiável? Vale fazer uma busca na internet, pois muitas vezes o primeiro resultado é de algum veículo de checagem mostrando que essa informação é falsa.
– Avise quem compartilhou: ao receber uma fake news e constatar que é falsa, avise a pessoa que te enviou para que a “notícia” não seja levada adiante.