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Startup brasileira cria primeiro método não invasivo para medir pressão intracraniana

Vencedora do projeto Startups Anahp 2019, realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a brain4care desenvolveu o primeiro método no mundo totalmente não invasivo capaz de monitorar a complacência cerebral – que é a capacidade do cérebro de manter a sua pressão estável.

Antes, só era possível medir a pressão intracraniana (PIC) fazendo um pequeno furo no crânio, método que não é aplicável a todos os pacientes. Com o dispositivo da startup, o monitoramento é realizado sem dor, com menos risco para o paciente e os resultados demoram entre 15 e 20 minutos. A descoberta permite identificar ou confirmar algumas doenças antes mesmo que os sintomas se manifestem e acompanhar a evolução do paciente ao longo do tratamento.

O diretor de marketing da brain4care, Renato Abe, explicou ao blog como a empresa começou e de que forma seu sensor tem revolucionado a experiência dos pacientes nos hospitais. Atualmente, a tecnologia está em uso em instituições associadas Anahp como o Sírio-Libanês e o Nove de Julho.

Como funciona o projeto apresentado pela brain4care no Startups Anahp?
Renato Abe: Criamos uma plataforma de monitorização da complacência cerebral e tendência da PIC em tempo real por meio de um sensor sem fio. Em 2019, recebemos a liberação do FDA (agência federal do Departamento de Saúde norte-americano) para comercialização nos Estados Unidos e fechamos o ano muito felizes com o reconhecimento da Anahp, que nos celebrou vencedores do Startups Anahp durante o Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp).

Assumimos como missão reduzir a dor e o sofrimento de milhões de pessoas estabelecendo um novo sinal vital, acessível a todos e em qualquer lugar. Deste posicionamento nasceu nosso modelo de negócio, que oferece aos hospitais uma solução inovadora, de baixo custo e sem limite de utilização por um valor fixo inferior a R$ 4 mil mensais.

Por este valor, nossos clientes têm acesso à plataforma de gestão e análise dos dados coletados, ao aplicativo Android para visualização das curvas em tempo real e emissão de relatórios diretamente no seu tablet, um sensor brain4care wireless para monitorização não invasiva da complacência cerebral e tendência da PIC, além de todo o treinamento e suporte necessários para a melhor experiência e desempenho no uso, podendo realizar um número ilimitado de exames, sem consumíveis ou custos adicionais.

Como essa tecnologia funciona nos hospitais?
Renato Abe: A plataforma brain4care se utiliza de um conjunto de tecnologias certificadas pela Anatel, HIPAA compliant e aderentes à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Em primeiro lugar, temos o sensor não invasivo brain4care, que tem sensibilidade suficiente para obter a morfologia do pulso da pressão intracraniana através do movimento de expansão e contração da caixa craniana do paciente por meio de sensores mecânicos. O sensor se comunica via bluetooth 5.0 com o aplicativo brain4care instalado em um tablet Android de propriedade do cliente e conectado à rede de internet wi-fi do próprio hospital.

Através dessa conexão o aplicativo envia os sinais captados pelo sensor para a plataforma brain4care cloud, que processa a informação utilizando algoritmos que permitem uma análise detalhada dos resultados para uso em pesquisa. São emitidos também relatórios para uso clínico enviados diretamente ao tablet utilizado para fazer a monitorização, para que sejam analisados pelo médico na tela do dispositivo ou encaminhado para impressão.

O uso de sensores mecânicos permite que o sistema brain4care obtenha a morfologia do pulso da PIC sem utilizar radiação, ultrassom ou qualquer outro tipo de emissão prejudicial aos pacientes, além de dispensar qualquer tipo de preparação, medicação ou contrastes. Isso permite que os médicos possam obter a complacência cerebral em tempo real a qualquer momento, podendo repetir a utilização quantas vezes for preciso com muita rapidez, simplicidade e segurança – atributos valiosos no contexto da terapia intensiva onde é aplicado.

De que forma o médico utiliza o dispositivo em benefício do paciente?
Renato Abe: O método da brain4care captura as alterações da morfologia do pulso da PIC, que é uma das primeiras variáveis a serem modificadas no desenvolvimento da hipertensão intracraniana e continua atuando em todos os outros estágios. Isso significa que os médicos podem antecipar a percepção que um quadro de hipertensão intracraniana está acontecendo, atuar mais rapidamente e assim reduzir as chances de sequelas nos pacientes.

A solução brain4care é simples o suficiente para ser aplicada pela própria equipe da UTI, na beira do leito e sem necessidade de mobilizar estruturas de apoio. Ela não requer medicação, preparação ou contrastes e isso permite que o intervalo de tempo entre a constatação da necessidade do exame pelo médico e o resultado em mãos seja muito reduzido, bastando 15 a 20 minutos, enquanto a maioria dos métodos supera uma hora.

A praticidade no uso acaba sendo uma grande aliada num ambiente que requer velocidade e flexibilidade, como a UTI, e os médicos vêm utilizando o método para acompanhar a evolução das funções neurológicas dos pacientes ao longo do tempo em casos de suspeita, risco ou presença do quadro de hipertensão intracraniana. Trata-se de uma informação complementar na monitorização multimodal do paciente crítico, qualificando o suporte à tomada de decisão.

Quais resultados o dispositivo já apresentou?
Renato Abe: Ficamos muito felizes quando somos procurados pelos médicos para compartilhar seus casos clínicos, especialmente quando revelam histórias de saúde e felicidade. Nos casos de ajuste de válvula de DVP (derivação ventrículo-peritonial), por exemplo, a regulagem da válvula era realizada de forma empírica e levava vários dias para ser concluída. Com o uso da solução brain4care, o procedimento pode ser concluído em algumas horas, com muito mais precisão, trazendo um impacto muito positivo para a qualidade de vida dos pacientes e familiares, além de promoverem um impacto positivo no uso de recursos.

Recentemente uma menina de 11 anos de idade relatou à mãe que não estava mais enxergando. Foi levada ao hospital e todos os exames de imagem mostraram resultados normais. O uso da solução brain4care indicou hipertensão intracraniana pela alteração da morfologia do pulso da PIC, confirmada por punção lombar, e auxiliou na antecipação do tratamento. Usamos o método para acompanhar a evolução no quadro, as curvas foram evoluindo dia após dia até que no sétimo dia ela voltou a enxergar, com o padrão da morfologia apontando para um quadro de normalidade. O surgimento de novos casos é frequente, muitos deles apresentando aplicações inéditas, como o uso em neuroproteção em cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea.

Ao longo da nossa jornada acumulamos mais de 70 participações em congressos ao redor do mundo, 17 teses e dissertações defendidas e dez artigos científicos publicados. Estamos ajudando os médicos brasileiros a desenvolverem novas contribuições para a medicina ao mesmo tempo em que é muito gratificante constatar que o método está ajudando pessoas a se afastarem do território da doença.

Como você avalia os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Renato Abe: A revolução tecnológica representa uma oportunidade para ajudarmos a resolver os desequilíbrios existentes no ecossistema da saúde, ainda muito orientado ao tratamento curativo num modelo econômico onde a minoria dos procedimentos concentra a maior parte dos recursos e impede que a maioria das pessoas consigam acesso a um cuidado adequado.

Acredito que as healthtechs com posicionamento existencial socioevolutivo podem iniciar um movimento capaz de transformar a forma como os serviços de predição e assistência à saúde são distribuídos para a humanidade, criando um futuro mais justo.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Renato Abe: Imagino o hospital do futuro como um centro de assistência especializada no tratamento de casos críticos e de alta complexidade, criando, documentando e distribuindo conhecimento com foco em altos índices de resolutividade global, numa sociedade muito mais consciente e responsável em relação à saúde coletiva e individual e servida por uma infinidade de soluções muito eficazes e acessíveis em qualquer lugar.

Os cuidados individualizados baseados no sequenciamento genético e amparados pela assertividade das bases de dados em escala global auxiliadas pela tecnologia artificial reduzirão muito o tempo em que um indivíduo permanece doente ao longo da vida e mais ainda as chances de perder a vida por esse motivo. Como o acesso a essas soluções se dará fora do ambiente hospitalar e o atendimento crítico será proporcionalmente menor numa sociedade cada vez mais longeva e saudável, os hospitais do futuro servirão a uma população com muitos humanos bicentenários em busca de soluções que permitam estender a vida útil dos sentidos em plena forma, das funções vitais cheias de energia, para vivenciarmos cada vez mais histórias de saúde e felicidade!

Startup de saúde utiliza telemedicina no monitoramento inteligente de recém-nascidos

Finalista do Startups Anahp, concurso da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a PBSF – Protegendo Cérebros, Salvando Futuros apresentou na edição 2019 do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) o conceito de UTI neonatal neurológica. Trata-se de um sistema que faz uso da telemedicina e do telediagnóstico para o monitoramento cerebral, 24 horas por dia, de bebês considerados em situação de risco com o objetivo de reduzir sequelas neurológicas.

Os bebês são monitorados e avaliados em tempo real. Entre os exemplos de casos que contam com o suporte da PBSF estão prematuros extremos, recém-nascidos com crises convulsivas, hemorragia intracraniana ou cardiopatias congênitas.

A empresa possui uma central de monitoramento com uma equipe de profissionais especializados sempre disponível para atendimento. O médico à beira do leito pode contar com essa assistência remota para discutir, a qualquer momento, protocolos aplicados aos pacientes. Atualmente, 20 hospitais no Brasil contam com o sistema, entre eles a Maternidade Santa Joana, o Pro Matre Paulista, Sepaco, Grupo Perinatal e o Hospital Santa Luzia, da Rede D’Or.

O cofundador da PBSF, Alexandre Netto, conversou com o blog Saúde da Saúde e explicou como é a atuação da empresa nos hospitais e de que forma as tecnologias podem melhorar a experiência e o atendimento dos pacientes no futuro.

Como funciona o trabalho da PBSF apresentado no Conahp 2019?
Alexandre Netto: A PBSF é uma empresa formada por um grupo de especialistas que visa difundir, facilitar e aplicar metodologias capazes de prover diagnóstico precoce e neuroproteção a pacientes de alto risco através do conceito de UTI neonatal neurológica, apoiado em telemedicina e telediagnóstico.
Atuamos desde julho de 2016, e o racional do nosso serviço é que muitas são as patologias no período neonatal e pediátrico que estão associadas ao alto risco de desenvolvimento de sequelas neurológicas. Além disso, recém-nascidos, em 80% das vezes, podem ter crises convulsivas totalmente assintomática, ficando impossível o diagnóstico e o tratamento sem a monitorização.
Estudos sugerem que uma criança com deficiência neurológica grave pode ter incremento do custo direto em saúde até 150 vezes maior, quando comparado a crianças sem deficiência. É para diminuir esse número que a telemedicina e o telediagnóstico facilitam a implantação de assistência altamente especializada de forma rápida, segura e eficaz.

Que tipo de tecnologia a PBSF utiliza em sua atuação nos hospitais?
Alexandre Netto: A tecnologia usada é o monitoramento remoto – 365 dias por ano, 24 horas por dia – de eletroencefalografia de amplitude integrada, espectroscopia infravermelho próximo e hipotermia terapêutica.
Além disso, oferecemos ensinamentos e treinamentos iniciais e longitudinais para cada centro associado, dando homogeneidade ao tratamento e padronização através de protocolos mundialmente validados. O mais interessante é que o centro associado não tem gastos com equipamentos, pois todos são disponibilizados em forma de comodato.

Quais resultados o sistema da PBSF já apresentou?
Alexandre Netto: Já apresentamos nossos resultados em diversos congressos nacionais e internacionais de Neonatologia e Pediatria, assim como em eventos de tecnologia. Até janeiro de 2020, realizamos mais de 159 mil horas de monitorização de mais de 2,4 mil crianças. Também fomos vencedores de prêmios de inovação e de gestão de tecnologia.

Qual sua avaliação sobre os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Alexandre Netto: A tecnologia veio para apoiar, facilitar e, acima de tudo, massificar o conhecimento. Na área de saúde não pode ser diferente. No Brasil, que tem o quinto maior território mundial e é o quinto mais populoso, a tecnologia é a única forma de termos tratamentos semelhantes, de alto padrão e com especialistas, por todo o país.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Alexandre Netto: A essência do hospital e, principalmente, da medicina não pode jamais ser substituída pela tecnologia. Imagino que a tecnologia vem para melhorar diagnósticos, otimizar e precisar tratamentos. Mas vem também para dar mais conforto e acolhimento a todos os pacientes. Vejo o hospital do futuro como um ambiente altamente tecnológico, mas principalmente mais humano.