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Tendências tecnológicas que estão mudando o cuidado com o paciente

A tecnologia está revolucionando as nossas vidas, desde a forma como consumimos até como nos relacionamos. A saúde é um dos setores que está no centro deste movimento, com inovações nas áreas de inteligência artificial, internet das coisas e inteligência de dados, transformando a forma como cuidamos do nosso corpo.

No Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) 2019, o fundador e presidente de Medicina Exponencial da Faculty Chair for Medicine da Singularity University, Daniel Kraft, apresentou alguns desses avanços que já estão influenciando o cuidado com o paciente e as perspectivas para o setor nos próximos anos.

Para Kraft, estamos vivendo a 4ª revolução industrial, e as experiências digitais e o acesso aos aplicativos têm mudado as expectativas e necessidades do público – o que inclui os pacientes, que agora têm as informações e decisões literalmente na palma da mão, onde e quando quiserem.

Kraft ressaltou que, no futuro, todo cuidado em saúde será baseado na capacidade de medir dados do corpo humano. “É a saúde quantificada”, afirma. Mas ele afirma que as informações isoladas não são suficientes. Para resultados efetivos, é preciso trabalhar com todos os dados disponíveis para que sejam úteis e plenamente aproveitados.

Entre as inovações com impactos diretos nesta área está a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). “Hoje, já é possível monitorar por pulseira com mecanismos de GPS pessoas doentes para saber se estão conseguindo se locomover”, exemplificou Kraft.

“Há também dispositivos que podem medir a pressão arterial em tempo real e passar as informações imediatamente, ajudando a cuidar de muita doenças. Existem até mesmo dispositivos que podem ficar embaixo de uma lente de contato e medir índices de potássio, de açúcar”, disse.

Dentro dos limites dos hospitais e clínicas, a tecnologia também já começa a ser implementada na otimização de processos que os profissionais precisam realizar. “Médicos e enfermeiros estão sobrecarregados de digitar prontuários médicos, ou seja, a tecnologia vem para melhorar também a experiência do clínico”, afirma. “O futuro da medicina não é uma única tecnologia, mas trabalhar com todas e combiná-las de forma inteligente”, explicou Kraft.

Quer saber mais sobre tecnologia na saúde? Leia a cobertura completa do Conahp 2019 na edição especial da revista Panorama. Baixe gratuitamente aqui

Reconhecimento facial: tecnologia em favor da segurança da informação e do paciente

O mecanismo de reconhecimento facial, que há pouco parecia algo de ficção científica, já faz parte da rotina de alguns hospitais, usada no controle de acessos e na segurança de dados. Em constante evolução, essa ferramenta agora caminha para, no futuro, poder ajudar a salvar vidas.

Em entrevista à Panorama, revista da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), o diretor de inovação e tecnologia da Gocil Segurança e Serviços, Luis Fernando de Campos, explicou que o reconhecimento facial é um meio eficaz para validação de acessos nos hospitais, substituindo sistemas de autenticação com usuário e senha.

Ele pode ser usado em acesso ao celular, aplicativos, computadores pessoais e até na abertura de portas. “Na área da saúde, o reconhecimento facial tem apoiado no controle de acesso a áreas restritas sem a utilização das mãos, evitando possíveis contaminações através do toque”, explica Campos.

Evolução

“O futuro desta tecnologia em hospitais poderá salvar muitas vidas quando pulverizada em diversas outras áreas”, diz Campos. Segundo ele, em conjunto com a inteligência artificial, o reconhecimento facial pode ler expressões e ajudar na interpretação de sentimentos e reações – como a dor de um paciente que esteja com dificuldades de acionar o chamado de emergência no leito de internação.

Campos explica que o reconhecimento facial consiste em algoritmos matemáticos. A imagem capturada é tratada como uma matriz de pixels. Os softwares, por meio destes algoritmos, criam cálculos matemáticos com base nos pixels interpretados como dados e pontos capturados na imagem. 

“A partir destes cálculos é possível fazer uma comparação com alguma base de imagens previamente criada para determinar a semelhança e confirmar a identidade da face capturada”, diz.

Para ter esse sistema, é necessário uma rede de computadores e câmeras com capacidade de capturar as imagens de boa definição e processá-las em um tempo aceitável. “Não é possível que um médico, por exemplo, leve quase um minuto para ser identificado ao tentar acessar uma UTI”, afirma Campos. Outra questão relevante e que ainda está sendo discutida é uma regulamentação específica sobre esta tecnologia no que diz respeito à privacidade de dados.

Veja os detalhes na entrevista completa na revista Panorama (edição nº 72), que pode ser baixada gratuitamente aqui.

Centro de Inovação e Educação do Oswaldo Cruz foca no mercado de saúde digital

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz entrou de vez no mercado de saúde digital ao inaugurar um Centro de Inovação e Educação com foco no desenvolvimento de soluções tecnológicas e na capacitação de profissionais. O objetivo final é tornar ainda mais eficientes os tratamentos e serviços oferecidos à população.

Com investimento de R$10 milhões em infraestrutura, capacitação e contratação de pessoal, o centro ocupa uma área de 800 m² na Avenida Paulista, em São Paulo. O local abriga uma incubadora e aceleradora de startups, um laboratório de ciência de dados e uma ampla estrutura de treinamento com recursos de última geração.

O superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação do Oswaldo Cruz, Kenneth Almeida, contou para o blog como surgiu esta iniciativa, quais ações já estão em andamento e os projetos que o Centro de Inovação tem em vista para os próximos anos.

Por que o hospital decidiu investir em um centro de inovação? 

Kenneth Almeida: Fizemos uma revisão do nosso planejamento estratégico, que gerou uma série de reflexões para o hospital. A tradição inovadora já faz parte dos nossos valores, como um dos norteadores da nossa prática. Isso está indo muito bem, com inovações na área de farmácia, de saúde integral. Mas sentimos a necessidade de avançar um pouco mais, com um espaço físico para a confluência das ideias e inovações do hospital. Algo sistematizado. Lançamos então o Centro de Inovação Oswaldo Cruz na celebração dos 122 anos do hospital, em setembro, marcando uma mudança de estratégia.

Quais startups já são parceiras do Centro de Inovação? 

Kenneth Almeida: Estamos trabalhando com uma startup que desenvolveu o robô Laura, que detecta riscos de sepse a partir dos dados de um pronto-atendimento ou centro cirúrgico. O robô foi desenvolvido por um profissional da área de TI de Curitiba que perdeu a filha por sepse. Do sofrimento ele decidiu desenvolver uma solução para mais hospitais. Estamos entrando com eles em um projeto de jornada do paciente na área de inteligência artificial, usando a experiência que eles já têm com o Laura.

Recentemente, também premiamos um projeto de blockchain (confiabilidade de dados) na área da saúde, desenvolvido por estudantes de Tecnologia da Informação da FIAP.

O espaço de startups vai desde a incubação até a aceleração, como no caso do projeto com a equipe do Laura, no qual vamos desenvolver um produto com a participação de ambos. A equipe do Laura terá uma célula dentro do Centro de Inovação.

Há outras áreas que estão no foco de trabalho? 

Kenneth Almeida: No processo de planejamento do centro foram entrevistados médicos, engenheiros e profissionais de enfermagem para saber as inovações que eles achavam que levariam valor para o hospital. Primeiramente, foram apontados aspectos computacionais e de tecnologia da informação, que é nosso foco direto agora. Também apontaram para biotecnologia e nanotecnologia, que vão nortear nosso desafio do próximo ano.

Como é o trabalho na parte de treinamentos? 

Kenneth Almeida: O Centro de Inovação vai funcionar como um espaço de extensão da faculdade que o Oswaldo Cruz já tem. Temos três impressoras 3D e uma ilha com treinamento de realidade virtual de imersão em anatomia e fisiologia. A ideia é que professores estejam sempre frequentando o espaço, dando aula e também promovendo mentoria para as startups.

Há ainda a área de educação conectada, com 20 pessoas do hospital no Centro de Inovação que trabalham desenvolvendo projetos para o próprio mercado, startups e para o governo, via Proadi. Esse grupo torna viva a convivência com as startups, que precisam ter esse contato.

Quem poderá fazer os cursos do Centro de Inovação?  

Kenneth Almeida: A faculdade do Oswaldo Cruz já recebe alunos de todos os hospitais da região e a ideia é que ocorra o mesmo no Centro de Inovação. Ele tem conectado muitas empresas e organizações, e há uma sinergia de conhecimento. O Centro de Inovação conecta as necessidades de outros atores, não só do hospital. Nosso conceito-chave é parceria. 

O laboratório de ciência de dados funciona de que forma?  

Kenneth Almeida: Os cientistas de dados residentes no Centro de Inovação farão um trabalho focado nas demandas das startups. A ideia é que seja como um delivery mesmo. Por exemplo, uma startup trabalhando em um projeto de blockchain que precisa de uma pesquisa para saber toda a cadeia de um medicamento – como faço para rastrear e ter confiabilidade do envio. O setor de cientistas de dados, com a base enorme que temos do hospital e de relacionamento com a indústria e os laboratórios, pode entregar esse estudo. Eles poderão usar o volume de dados do hospital para realizar simulações, sem individualizar nem identificar nenhum paciente.

Como o Oswaldo Cruz quer se posicionar no mercado digital de saúde a partir do Centro de Inovação? 

Kenneth Almeida: Buscamos desenvolver conteúdo em saúde usando tecnologias digitais. Vou te dar um exemplo prático: na área de educação conectada, a equipe estrutura cursos para a área digital. Já estamos com três propostas para educação médica e saúde à distância. Fizemos uma prospecção ativa com potenciais clientes e três deles nos retornaram. 

Outra questão-chave é trasladar o conhecimento em pesquisa para a prática. Atualmente, temos 35 pesquisas clínicas em andamento e seis estudos epidemiológicos em caráter global. Várias dessas pesquisas morriam em si próprias e não geravam nenhum outro valor agregado. A ideia é que o centro de inovação seja uma ponte de desenvolvimento de pesquisas em serviços e produtos, em atividades práticas. Literalmente, usar o conteúdo de pesquisa e transformar em ações práticas para órgãos públicos, por exemplo.

E quem são os principais clientes do centro? 

Kenneth Almeida: Outros hospitais, de São Paulo ou de fora. Faculdades, principalmente de educação à distância – temos uma agenda bastante cheia nesse sentido. A própria indústria farmacêutica e de equipamentos, que vamos atender com tecnologia educacional, projetos de formação de equipes usando tecnologia digital e as administrações públicas.

Novembro Azul: inovações são aliadas no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata

Tumor maligno com maior incidência entre os homens, estima-se que o câncer de próstata terá 65 mil novos casos em 2020. A longevidade e o acesso à informação têm mudado o comportamento dos homens, que estão mais preocupados com a prevenção. E a tecnologia se tornou uma forte aliada tanto no diagnóstico quanto no tratamento dos tumores.

O urologista do Hospital Vera Cruz, Sandro Faria, explica que as pesquisas estão avançando rapidamente na identificação dos genes associados ao tumor, e novos medicamentos estão surgindo para o tratamento da doença em estágio mais adiantado.

“Já no método cirúrgico, está em desenvolvimento uma ferramenta que realiza a fusão das imagens tumorais na ressonância de próstata com a imagem real durante a cirurgia robótica, o que aumenta ainda mais a precisão e eficiência oncológica”, diz Faria, que já realizou mais de 2 mil procedimentos com robô na carreira.

A cirurgia robótica é a forma de tratamento que tem dado melhores resultados funcionais para os pacientes, que temem sequelas como incontinência urinária e disfunção erétil.

Segundo o urologista, com o ganho tecnológico e a experiência do cirurgião, os pacientes que fazem esse tipo de procedimento têm apresentado recuperação e reabilitação mais rápidas. O Vera Cruz foi o primeiro hospital privado do país a instalar o Sistema Robótico Da Vinci em uma cidade que não é capital. As cirurgias iniciaram em dezembro de 2018 e, dos mais de 200 procedimentos realizados até o momento, 60% foram de próstata.

Para o futuro, Faria explica que estão em desenvolvimento painéis genéticos, que vão permitir um maior conhecimento da doença e de sua agressividade a ponto de identificar qual a melhor combinação de terapias para cada paciente.

Há ainda o ultrassom focal de alta intensidade (HIFU®), desenvolvido na França, que controla a doença com mínimos riscos de procedimento e funcionais. Porém, a indicação é restrita a um grupo específico de portadores.

Faria destaca que ir ao urologista com frequência facilita o diagnóstico precoce, mas não a prevenção. “A prevenção das doenças prostáticas acontece no dia a dia, praticando exercícios físicos regularmente, não ganhando peso e evitando gorduras saturadas. Uma alimentação balanceada é fundamental.” 

Segundo ele, a doença acomete principalmente homens a partir de 65 anos, obesos e sedentários, com história familiar de câncer de próstata ou de mama.

Inteligência artificial, machine learning e robotização de processos: a tríade que está revolucionando a saúde

A tecnologia está conduzindo uma revolução no cuidado e na experiência do paciente nos hospitais. A inteligência artificial, o machine learning (aprendizado de máquina) e a robotização de processos estão presentes desde a elaboração de escalas de trabalho até a análise de imagens que ajudam equipes médicas a traçarem diagnósticos mais precisos e de forma mais rápida.

Em entrevista ao blog Saúde da Saúde, o gerente de Tecnologia da Informação do Hospital Moinhos de Vento, Vitor Ferreira, explica as tecnologias que já estão em funcionamento na instituição e as apostas para o futuro. 

“Eu creio que vivemos um momento em que teremos um conjunto de avanços tecnológicos, envolvendo conectividade, capacidade analítica, Big Data e uma evolução em todos os tipos de dispositivos, que irão transformar muito rapidamente os processos de todas as áreas”, afirma.

Quais recursos de inteligência artificial já são usados no Moinhos de Vento? 

Vitor Ferreira: Inteligência artificial pressupõe uma tecnologia que seja capaz de emular o raciocínio humano. Temos um aplicativo para gestão de escalas de trabalho, com a empresa StarGrid, que atende à esta definição. Também utilizamos a inteligência artificial para o reconhecimento de imagens médicas, com uma startup inglesa, a Brainomix, cujo algoritmo permite o reconhecimento imediato dos padrões de AVC, sendo um excelente apoio para a tomada de decisão médica. 

Como funciona? 

Vitor Ferreira: O algoritmo entra em ação assim que a imagem é obtida e já retorna em poucos segundos um relatório de apoio indicando a porcentagem de células mortas na imagem. Algo que antes dependia de uma ação humana com um delay até de horas. Este tempo rápido de resposta auxilia muito na melhor conduta terapêutica. É um grande apoio para os médicos.

Em quais outras especialidades pretendem usar esse recurso futuramente?

Vitor Ferreira: Atualmente, estamos usando para neurologia, mas a ideia é expandir para outros modelos de diagnóstico por imagem, como cardiologia, tórax, etc. 

Na área de robotização de processo, o que já está em uso? 

Vitor Ferreira: Estamos neste momento fazendo uma prova de conceito com a empresa Overmind, onde toda a verificação de elegibilidade dos nossos pacientes da emergência é feito por robôs, com algoritmos programados para entrar no site das operadoras e verificar se o cliente está elegível para o atendimento. Isso é feito em segundos, o que agiliza o atendimento.

E como o machine learning está presente nos processos do hospital? 

Vitor Ferreira: Temos iniciativas com machine learning como a Memed, de prescrição médica, e o Zero Glosa. A Memed é um módulo de apoio ao médico no momento da prescrição, que oferece bulário, apoio técnico e interações medicamentosas em tempo real, deixando a prescrição mais segura. Também oferece serviços para o paciente, com um aplicativo onde o usuário pode verificar o preço do medicamento prescrito nas farmácias mais próximas.

O Zero Glosa é um sistema de apoio ao faturamento hospitalar, que agiliza os recursos de glosa. Glosa médica é o termo que se refere ao não pagamento, por parte dos planos de saúde, de valores referentes a atendimentos, medicamentos, materiais ou equipamentos que não estejam em acordo com as regras negociadas. Por exemplo, se o convênio estabelece que o paciente só pode usar duas fraldas por dia, e ele usa três, o convênio não irá pagar a terceira, ela será glosada.

O HMV tem alguma outra iniciativa em estudo para uso de tecnologias no atendimento de pacientes? 

Vitor Ferreira: Estamos sempre de olho em oportunidades com novas tecnologias, e temos um especial interesse com startups. Estas que lhe citei ou já estão operando ou estão em provas de conceito, mas temos vários alvos surgindo a cada dia. Estamos estruturando o Centro de Inovação do Hospital Moinhos de Vento, cuja principal atribuição será formular políticas e acordos de relacionamento com startups. 

Startups de quais áreas? 

Vitor Ferreira: Nós procuramos não fechar um escopo. Toda e qualquer tecnologia com potencial para agregar efetividade ao processo hospitalar será considerada. Tudo o que puder ser um apoio para nossos médicos, e com benefício real para os pacientes, será criteriosamente analisado e, quando pertinente, incorporado. Nascem novas propostas a cada dia, e sempre seremos receptivos às boas ideias. Hoje temos, como lhe citei, a questão dos algoritmos de interpretação de imagens médicas, como um foco de interesse. Também acompanhamos muito de perto as oportunidades oferecidas para robotização de processos e o desenvolvimento de dispositivos médicos inteligentes.

Quais são as tendências para o hospital do futuro? 

Vitor Ferreira: Eu creio que vivemos um momento em que teremos um conjunto de avanços tecnológicos, envolvendo conectividade (5G), capacidade analítica, Big Data e uma evolução em todos os tipos de dispositivos (internet das coisas ou IoTs), que irão transformar muito rapidamente os processos de todas as áreas. Creio que toda a polêmica, por exemplo, envolvendo a Telemedicina e o atendimento médico remoto, será superada muito em breve, estabelecendo novos paradigmas de tempo e atendimento. Não creio em tecnologias que venham para substituir os profissionais, mas sim que sirvam para empoderá-los a tomar melhores decisões. 

E quais áreas têm tecnologias mais avançadas para otimizar os processos?

Vitor Ferreira: Acho que em algumas áreas este avanço já é latente. Por exemplo, nas áreas de imagem, assim como nos balcões e estruturas de atendimento, cada vez mais apoiadas por dispositivos e assistentes virtuais. O usuário será cada vez mais intransigente com situações demoradas e que não agreguem valor ao desfecho. O usuário é inteligente, e sabe quando está perdendo tempo com processos burros. A saída para este dilema é a incorporação de tecnologias resolutivas e ágeis. Os grandes hospitais, normalmente muito burocráticos, terão que adaptar-se aos novos padrões de satisfação de uma era digital, onde todos enxergam no seu smartphone uma ferramenta de interação social, ou irão sucumbir para novos players que atuam em nichos cada vez mais específicos.

Cirurgia robótica: como funciona e quais as vantagens para o paciente

Procedimentos complexos feitos com maior precisão e cortes mínimos, com chances de recuperação mais rápida do paciente. Essa é a revolução que a cirurgia robótica trouxe para os hospitais na última década e que está se aprimorando a cada ano no Brasil.

O Saúde da Saúde conversou com André Berger, coordenador do Núcleo de Medicina Robótica do Hospital Moinhos de Vento (RS) e professor de Urologia da University of Southern California, nos Estados Unidos, para explicar como funciona este método e as principais vantagens para os pacientes. Com mais de 2,5 mil cirurgias robóticas realizadas, Berger afirma que o método reduz a necessidade de transfusão e as chances de ocorrer infecções, e ainda tem resultados mais positivos no pós-alta do paciente.

Quais as principais vantagens da cirurgia robótica para o paciente?
Berger: É uma cirurgia bem menos invasiva, feita com incisões pequenas e menor sangramento – e por isso menor taxa de transfusão sanguínea. A recuperação também é mais rápida, e os pacientes voltam mais cedo para casa. Outra vantagem é uma taxa menor de infecções.

Como funciona a cirurgia robótica? O robô opera sozinho?
Berger: O robô não opera sozinho, e a experiência do cirurgião é fundamental para potencializar as vantagens que a tecnologia robótica traz. Entre elas, está uma visão 3D e em HD da cirurgia e a flexibilidade das pinças robóticas, superior a do próprio punho humano. Além disso, o robô filtra os eventuais tremores da mão do cirurgião e nenhum deles é transmitido para os instrumentos. O cirurgião trabalha sentado, o que é ergonomicamente melhor, pois ele fica menos cansado fazendo a cirurgia.
Os portais de entrada do abdômen ou do tórax são conectados ao braço do robô, que é controlado pelo cirurgião sentado no console, onde manuseia joysticks e pedais. Ao lado do paciente, fica um cirurgião auxiliar, também bem treinado, que auxilia com aspiração, retirada de agulhas etc. 

O que acontece se o robô falhar?
Berger: É uma situação muito rara o robô falhar. Já fiz mais de 2,5 mil cirurgias robóticas e, até hoje, não teve nenhuma vez que o robô parou de funcionar totalmente. Mas, caso isso aconteça, na grande maioria dos casos você consegue recuperar essa falha e continuar a cirurgia. Se o robô falhar e não voltar a funcionar, tem um cirurgião experiente que consegue terminar o procedimento. O robô é deslocado do paciente, e o cirurgião continua usando a técnica de laparoscopia.
A cirurgia robótica é um avanço da laparoscópica. Uma das diferenças é que, na laparoscópica pura, o cirurgião segura os instrumentos que ficam dentro do paciente – que são retos, não flexíveis. E a visão é em duas dimensões. 

Em quais casos a cirurgia robótica é aplicada atualmente?
Berger: Geralmente, é bastante usada em casos de cirurgia dentro do abdômen, no tórax e até transoral, dentro da boca do paciente, em situações específicas. O que vai determinar é o grau de dificuldade e o nível de conforto do cirurgião. As mais comuns no Brasil e no mundo são: urológicas, de câncer de próstata e rim, ginecológicas, do aparelho digestivo, torácicas, de cabeça e pescoço e até cirurgias cardíacas. Na realidade, a cirurgia robótica foi criada para fazer procedimentos cardíacos e depois avançou para outras especialidades. Atualmente, a urologia é a que mais utiliza a cirurgia robótica no mundo.

Há quanto tempo existe a cirurgia robótica no Brasil?
Berger: No país, é um movimento que existe desde 2008, porém o número começou a aumentar de maneira significativa nos últimos três anos. De 2008 até 2016, ainda era pequeno o número de cirurgias e sistemas robóticos instalados. Nos últimos três anos, o número de sistemas quase triplicou. Há cerca de 57 sistemas robóticos [o robô em si] instalados no Brasil, provavelmente entre 45 e 50 hospitais oferecendo esse tipo de cirurgia.

Quantos profissionais fazem esse tipo de cirurgia no Hospital Moinhos de Vento?
Berger: Temos hoje cerca de 25 cirurgiões treinados ou em treinamento. Um dos diferenciais do nosso programa é realmente a experiência de profissionais com quase 3 mil cirurgias feitas em outros hospitais no Brasil e de fora. Então, desde o início, o programa foi capaz de atender casos desafiadores e complexos. Do total de cirurgias robóticas realizadas no hospital, 90% são de câncer de próstata. Mais que dobramos o número de pacientes tratados desta doença no Moinhos de Vento desde que começou o programa de cirurgia robótica. São feitas, em média, de 15 a 20 cirurgias robóticas por mês.

Há dados que mostram os resultados da cirurgia robótica nos pacientes do hospital?
Berger: Eu coletei dados de pacientes operados de câncer de próstata e, em 94% o tumor foi removido totalmente. Também temos números superiores, se comparado aos das cirurgias convencionais, quando falamos de controle de urina e da qualidade de ereções após a procedimento robótico. Três meses depois da cirurgia, 94% deles estavam totalmente continentes e não precisavam de nenhuma proteção contra vazamento de urina, e 83% apresentaram ereções boas o suficiente para ter uma relação sexual.

Conselho Federal de Medicina anuncia medida que autoriza telemedicina no Brasil

O Conselho Federal de Medicina anunciou na semana passada uma medida que autoriza a realização de consultas online, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância. O órgão abriu prazo de 60 dias para receber contribuições relativas à resolução 2.227/2018, que atualiza critérios para a prática da telemedicina no Brasil. A regulamentação entra em vigor em três meses.

O texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina, mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou offline.

Com o objetivo de aperfeiçoar a norma, o CFM  receberá propostas dos Conselhos Regionais de Medicina e das entidades médicas. As contribuições serão analisadas, com possibilidade de implementação, após a deliberação do plenário do Conselho Federal de Medicina.

Vantagens do atendimento à distância

A nova resolução do CFM permite consultas online desde que haja uma ficha médica feita presencialmente. “Quando um paciente chega com algum sintoma no pronto-socorro, imediatamente o médico do plantão faz o contato com um neurologista e relata o que está acontecendo. Este médico do outro lado da tela avalia os exames e fala com o paciente, se necessário, e aponta qual procedimento deve ser feito”, explica José Luciano Monteiro Cunha, coordenador da área de Neurologia do Hospital Leforte.

“Com a tecnologia em nuvem e o acesso on-line de documentos e exames, acreditamos que vamos avançar na atuação à distância, pois resultados de uma avaliação feita em um local podem ser debatidos com profissionais em outro hospital. Atuamos com o bem mais precioso que é vida humana e sabemos que hoje podemos contar com todas as ferramentas tecnológicas para melhor o atendimento aos pacientes”, comenta Cunha.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina/Global Summit,  em dezembro de 2018, com retorno espontâneo de 848 entrevistados, 84,67% dos médicos afirmaram usar ferramentas de tecnologia da informação para observação dos pacientes e otimização do tempo de consulta. Segundo o estudo, o prontuário eletrônico é a ferramenta mais utilizada, com 76,75% das respostas entre os que já incorporaram a tecnologia na rotina.

Como a tecnologia do prontuário eletrônico ajudou (e muito) na rotina de médicos, hospitais e pacientes

No Brasil, o uso do prontuário eletrônico foi regulamentado, em 2002, com características definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde então, as unidades de saúde têm buscado implementar essa tecnologia, com o objetivo de melhorar os serviços oferecidos. Dos hospitais membros da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), 84% já possuem o serviço de prontuário eletrônico implantado. A chegada dessa tecnologia nos hospitais revolucionou a forma como os profissionais da área trabalham.

Mais organização e eficiência

As mudanças acontecem, principalmente, em termos de organização, eficiência e agilidade no atendimento ao paciente. Antes da utilização do prontuário eletrônico, os médicos precisavam registrar os dados de forma manual, em folhas de papel, o que aumentava as possibilidades de erro. Na era do papel, não era incomum existir dificuldade em compreender o que foi diagnosticado ou prescrito devido a uma letra ilegível ou por manchas no documento. E, sem a informação precisa, a saúde do paciente pode ser colocada em risco.

Com o prontuário eletrônico, todos os dados necessários para o atendimento estão disponíveis de maneira rápida e fácil, em apenas alguns cliques. Dessa forma, é possível diminuir o tempo de atendimento e fornecer um diagnóstico mais específico de acordo com o histórico médico do paciente.

Integração entre as áreas médicas

Outro benefício oferecido pelo uso do prontuário eletrônico é a integração de diversas áreas médicas. Afinal, as informações de todas as especialidades pelas quais aquele paciente passou estão organizadas e contidas em um único lugar, permitindo assim que os médicos conheçam profundamente o quadro clínico. Sem essa tecnologia, o serviço integrado das especialidades necessitava de uma logística maior, já que não é sempre possível ter todos os médicos necessários ao mesmo tempo na unidade hospitalar para a discussão do quadro clínico.

Exames e arquivos de imagem em um só lugar

Uma grande dificuldade ainda é a centralização de todas as informações sobre o paciente. Anexar arquivos, fotos e cópias de exames junto ao histórico de diagnósticos e tratamentos é uma das vantagens do uso do prontuário eletrônico. Assim, é possível formar uma linha do tempo, possibilitando uma visão global da saúde do paciente.

Mais segurança e sustentabilidade

A segurança na forma como os registros são mantidos também é um benefício da utilização do prontuário eletrônico. Os prontuários em papel muitas vezes acabavam passando de mão em mão até chegar ao médico que precisava daquela informação. Já com o sistema não há esse risco, pois todos os profissionais têm sua senha e cada função tem um nível de acesso permitido.

Além de facilitar o dia a dia dos profissionais da área da saúde, a implementação do prontuário eletrônico também auxilia na sustentabilidade do planeta. A tecnologia contribui com a diminuição drástica da quantidade de papel utilizado nas unidades de saúde.  O número menor de folhas utilizadas ainda garante um menor custo para as unidades de saúde com esse item, além da redução da necessidade de espaços físicos para o armazenamento desses arquivos nos hospitais.