Arquivo da tag: telemedicina

Cuidado à distância: a nova realidade da telemedicina no Brasil

A necessidade de isolamento social no combate à pandemia de covid-19 abriu caminho para que a telemedicina – que é o atendimento médico remoto – começasse a se tornar realidade no Brasil.

Autorizada em caráter temporário e emergencial pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para o enfrentamento ao coronavírus, a prática possibilita a triagem de quem está com sintomas de covid-19, reduzindo o risco de contágio no trajeto casa-hospital e protegendo profissionais, que podem orientar remotamente os pacientes.

A telemedicina também mostrou-se uma ferramenta importante para manter o tratamento de doenças crônicas durante a pandemia. “Com o isolamento, muitos dos nossos pacientes não podem vir às consultas eletivas, mas as pessoas continuam com problemas de coração, de pulmão e outras doenças complexas. Então, precisamos garantir o acompanhamento mesmo durante a pandemia”, conta o gerente médico de Novos Serviços e Telemedicina no Hospital Infantil Sabará, Rogério Carballo Afonso, em entrevista à revista Panorama nº 74, da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Com a liberação do recurso pelo CFM, o hospital passou a oferecer serviços de teleorientação de urgência e teleconsulta com especialistas.

Realidade pós-pandemia

O desafio agora, segundo especialistas, é aproveitar a oportunidade para tornar o exercício da medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados uma realidade no Brasil quando a pandemia passar. Para isso, será preciso se adequar para oferecer serviços seguros e de qualidade para um grande número de pessoas. 

“Acredito que o ritmo vai ser acelerado no Brasil e esse método de cuidado vai ganhar espaço de forma irreversível”, diz Chao Lung Wen, médico e chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP.

“Eu chamo de medicina conectada, em que a telemedicina é apenas um método de interação com o paciente e, na medida em que o médico achar que precisa, encaminha para atendimento presencial”, diz o especialista. “Quando entendermos que esse método é só uma organização da cadeia de serviço, então tudo vai ficar mais simples”, afirma Wen.

Desde a sinalização do Ministério da Saúde para a regulamentação da telemedicina durante a crise, os hospitais privados criaram iniciativas como teleorientação de urgência, teleconsulta para atendimento de profissionais da saúde e até televisitas para os pacientes isolados em UTIs. 

No Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, a telemedicina já vinha sendo coloca em prática e, até o final de 2019, havia 330 mil pessoas utilizando os seus serviços. Com a pandemia, esse número aumentou seis vezes, segundo Henrique Neves, vice-presidente do Conselho de Administração da Anahp e diretor-geral do hospital. 

“Temos agora 2 milhões de usuários e, por enquanto, a regulação é temporária, o que é negativo. O que fazemos depois com as pessoas e os profissionais que passaram a adotar o serviço? O Brasil foi muito conservador nesse assunto, o que atrasou a possibilidade de virtualização do atendimento na pandemia”, afirma. 

A implementação de um sistema de telemedicina não é tão simples quanto possa parecer e exige que os gestores e profissionais estejam atentos e bem treinados em relação a questões de segurança da informação, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para evitar problemas jurídicos caso um paciente seja prejudicado. 

A escolha da equipe é parte muito importante do processo: além de vasta experiência na profissão, também é necessário se adaptar ao modelo virtual da relação médico-paciente. Perfis agregadores são um diferencial, já que a relação pode ficar comprometida pela distância. E os profissionais mais estudiosos e com maior facilidade para seguir protocolos estão entre os mais procurados.

Quer saber mais sobre as perspectivas para a telemedicina no Brasil? Leia reportagem completa na edição 74 da revista Panorama. Baixe gratuitamente aqui: http://conteudo.anahp.com.br/revista-panorama-edicao-74

Telemedicina: uma solução para atendimento à distância em tempos de coronavírus

Uma das medidas adotadas pelas instituições hospitalares para enfrentar o novo coronavírus no Brasil é implementar o uso da telemedicina. O método ganhou destaque nas falas no Ministério da Saúde (MS) que, diante da crise, reconheceu a prática para atendimento médico durante a pandemia. A telemedicina foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2002 e, desde então, vem sendo objeto de discussão entre entidades de saúde para definição das regras do uso correto e ético da prática.

No contexto da pandemia de Covid-19, o CFM reconheceu o uso da telemedicina no Brasil “em caráter de excepcionalidade”, limitando a três práticas: teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta. Dessa forma, é possível viabilizar a assistência médica à distância, diminuindo, assim, os riscos de disseminação da Covid-19, seja no caminho de doentes ao hospital ou na relação médico-paciente. Além disso, facilita também o acompanhamento de pacientes com outros tipos de doença.

Mas, afinal de contas, o que é telemedicina? O professor da Faculdade de Medicina e chefe da disciplina de Telemedicina da USP, Chao Lung Wen, define o recurso como um método da profissão. Ele explica que o que determina a prática é simplesmente o uso de tecnologias eletrônicas associado ao atendimento não presencial. E destaca que manter a qualidade do serviço médico é o que completa o pacote.

“Todos os processos que determinam a qualidade de um ato médico estão totalmente vinculados à telemedicina. Envolve entrevista investigativa estruturada, prontuário digital, decisão de conduta após avaliação do que podemos fazer usando um meio tecnológico. O paciente pode estar à dez metros dentro de outra sala, ou a mil quilômetros de distância e, ainda assim, poderá ser avaliado por meio de tecnologias interativas que estão à nossa disposição para oferecer a extensão do cuidado médico”, explicou o especialista.

Confira agora o que significam os termos da telemedicina e saiba como tudo isso pode funcionar na prática.

Telemonitoramento, teleorientação, teleconsulta e teleinterconsulta. Qual é a diferença?

Seja qual for a expressão, uma coisa é fundamental para que o método funcione: videoconferência. Ligações telefônicas não bastam. Entretanto, Wen destaca que a videoconferência só é válida se ela acontecer dentro das regras da telemedicina, que envolvem questões desde o consentimento do paciente, em relação a valores e serviços oferecidos, até segurança de dados.

O telemonitoramento é quando o médico faz uso de uma televisita para acompanhar as condições clínicas de um paciente. É possível fazer uma avaliação visual e observar as condições, por exemplo, dos olhos, garganta, pele e até padrão de respiração. No caso de alguém com suspeita de coronavírus ou confirmado, que deve ficar isolado, é possível avaliar a condição física do paciente sem que ele tenha que permanecer 14 dias sem acompanhamento de um médico.

A teleorientação não é muito diferente. O termo diz respeito ao que seria uma primeira avaliação com função de orientar o paciente quanto ao uso de medicação OTC (aquelas que não precisam de receita médica) e hábitos que possam aliviar sintomas e prevenir complicações e contágio. Não envolve grande tomada de decisão, apenas serve para orientações básicas e iniciais.

Já a teleconsulta envolve diagnóstico, decisões médicas quanto ao rumo de tratamentos e prescrição. “A princípio, a primeira consulta deveria ser presencial, segundo o CFM, mas quando o governo decreta isolamento social e pede para que a população não vá ao hospital, essa é uma solução. Senão, estamos estimulando a automedicação e o autodiagnóstico”, explica Wen.

A teleinterconsulta diz respeito à interação entre médicos, o que pode ajudar os profissionais em tomadas de decisão.

Em tempos de pandemia, uma das vantagens em todos esses casos é conseguir reduzir a possibilidade de contágio da população por evitar a locomoção dos infectados. Além disso, o acompanhamento médico à distância permite que o encaminhamento para unidades hospitalares seja feito apenas em caso de necessidade, diminuindo a circulação de pessoas em ambientes hospitalares.

Mas eu só posso fazer uso da telemedicina se eu estiver com coronavírus?

Na opinião de Chao Lung Wen, nesse momento esse tipo de atendimento deveria ser oferecido para todos, independentemente do tipo de doença. “A Covid-19 é apenas uma das doenças na área de síndrome gripal. As pessoas continuam hipertensas, com diabetes, com câncer e tendo infarto, e não podem deixar de ser atendidas. Esse método tem que ser expandido para todo cuidado possível, pois o processo de serviço médico foi quebrado com essa pandemia”, diz Wen.

Muitas especialidades podem fazer uso da telemedicina, principalmente as que conseguem fazer uma avaliação clínica visual. Para Wen, cada área e cada profissional precisa ter seu limite bem estabelecido e ser prudente para não comprometer o cuidado com a saúde.

O que eu preciso fazer para ser atendido por telemedicina?

As instituições hospitalares ainda estão se organizando, mas cada um terá um meio específico de prover atendimento via telemedicina e deverá indicar ao paciente como acessá-lo. Algumas usam aplicativos, outras o próprio website. Muito provavelmente, o paciente só terá o trabalho de acessar um link.

Quanto ao paciente, ele poderá ter acesso por meio de um dispositivo de sua preferência, como um smartphone ou computador. Caso o médico ou hospital escolha uma ferramenta interativa específica, basta instalar e pronto.

Também será necessário ter alguns instrumentos em casa para auxiliar o profissional em seu atendimento, como termômetro, balança, medidor de pressão arterial e, até mesmo, um oxímetro digital, no caso de precisar verificar a saturação do oxigênio, entre outros. Tudo vai depender das orientações dadas pelo médico.

E como faz com a receita médica?

Ainda não está regulamentado no Brasil o uso de receitas com assinatura digital. Em alguns países, como a Holanda, já existem plataformas que integram médicos e farmácias para envio eletrônico do documento. Enquanto isso, para casos de prescrição de medicamentos que precisam obrigatoriamente de receita – como é o caso dos antibióticos – uma solução, segundo Wen, é que algum amigo ou familiar busque a receita no consultório, ou que o médico envie um portador para entregar o documento.

Startup de saúde utiliza telemedicina no monitoramento inteligente de recém-nascidos

Finalista do Startups Anahp, concurso da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a PBSF – Protegendo Cérebros, Salvando Futuros apresentou na edição 2019 do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) o conceito de UTI neonatal neurológica. Trata-se de um sistema que faz uso da telemedicina e do telediagnóstico para o monitoramento cerebral, 24 horas por dia, de bebês considerados em situação de risco com o objetivo de reduzir sequelas neurológicas.

Os bebês são monitorados e avaliados em tempo real. Entre os exemplos de casos que contam com o suporte da PBSF estão prematuros extremos, recém-nascidos com crises convulsivas, hemorragia intracraniana ou cardiopatias congênitas.

A empresa possui uma central de monitoramento com uma equipe de profissionais especializados sempre disponível para atendimento. O médico à beira do leito pode contar com essa assistência remota para discutir, a qualquer momento, protocolos aplicados aos pacientes. Atualmente, 20 hospitais no Brasil contam com o sistema, entre eles a Maternidade Santa Joana, o Pro Matre Paulista, Sepaco, Grupo Perinatal e o Hospital Santa Luzia, da Rede D’Or.

O cofundador da PBSF, Alexandre Netto, conversou com o blog Saúde da Saúde e explicou como é a atuação da empresa nos hospitais e de que forma as tecnologias podem melhorar a experiência e o atendimento dos pacientes no futuro.

Como funciona o trabalho da PBSF apresentado no Conahp 2019?
Alexandre Netto: A PBSF é uma empresa formada por um grupo de especialistas que visa difundir, facilitar e aplicar metodologias capazes de prover diagnóstico precoce e neuroproteção a pacientes de alto risco através do conceito de UTI neonatal neurológica, apoiado em telemedicina e telediagnóstico.
Atuamos desde julho de 2016, e o racional do nosso serviço é que muitas são as patologias no período neonatal e pediátrico que estão associadas ao alto risco de desenvolvimento de sequelas neurológicas. Além disso, recém-nascidos, em 80% das vezes, podem ter crises convulsivas totalmente assintomática, ficando impossível o diagnóstico e o tratamento sem a monitorização.
Estudos sugerem que uma criança com deficiência neurológica grave pode ter incremento do custo direto em saúde até 150 vezes maior, quando comparado a crianças sem deficiência. É para diminuir esse número que a telemedicina e o telediagnóstico facilitam a implantação de assistência altamente especializada de forma rápida, segura e eficaz.

Que tipo de tecnologia a PBSF utiliza em sua atuação nos hospitais?
Alexandre Netto: A tecnologia usada é o monitoramento remoto – 365 dias por ano, 24 horas por dia – de eletroencefalografia de amplitude integrada, espectroscopia infravermelho próximo e hipotermia terapêutica.
Além disso, oferecemos ensinamentos e treinamentos iniciais e longitudinais para cada centro associado, dando homogeneidade ao tratamento e padronização através de protocolos mundialmente validados. O mais interessante é que o centro associado não tem gastos com equipamentos, pois todos são disponibilizados em forma de comodato.

Quais resultados o sistema da PBSF já apresentou?
Alexandre Netto: Já apresentamos nossos resultados em diversos congressos nacionais e internacionais de Neonatologia e Pediatria, assim como em eventos de tecnologia. Até janeiro de 2020, realizamos mais de 159 mil horas de monitorização de mais de 2,4 mil crianças. Também fomos vencedores de prêmios de inovação e de gestão de tecnologia.

Qual sua avaliação sobre os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Alexandre Netto: A tecnologia veio para apoiar, facilitar e, acima de tudo, massificar o conhecimento. Na área de saúde não pode ser diferente. No Brasil, que tem o quinto maior território mundial e é o quinto mais populoso, a tecnologia é a única forma de termos tratamentos semelhantes, de alto padrão e com especialistas, por todo o país.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Alexandre Netto: A essência do hospital e, principalmente, da medicina não pode jamais ser substituída pela tecnologia. Imagino que a tecnologia vem para melhorar diagnósticos, otimizar e precisar tratamentos. Mas vem também para dar mais conforto e acolhimento a todos os pacientes. Vejo o hospital do futuro como um ambiente altamente tecnológico, mas principalmente mais humano.

Central de Telemedicina do HCor completa 10 anos com 1 milhão de laudos emitidos à distância

A Central de Telemedicina do Hospital do Coração – HCor completou uma década neste ano alcançando a marca de 1 milhão de laudos de eletrocardiogramas emitidos à distância. Uma parceria do hospital com o Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), o projeto auxilia no atendimento pré-hospitalar do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e de Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) de todo o país.

Criado com o objetivo de melhorar a qualidade dos exames cardiológicos realizados nas unidades públicas de saúde, o serviço dá agilidade ao atendimento e ajuda na condução de casos complexos com diagnósticos precisos de cardiologistas do HCor. Atualmente, são emitidos cerca de 22 mil laudos por mês.

“Os primeiros minutos são fundamentais em casos de infarto e arritmias. Cerca de 50% das mortes por infarto acontecem nas primeiras 24 horas após o evento cardiovascular. Estamos fornecendo tecnologia de ponta e atendimento especializado para salvar vidas”, diz o cardiologista e coordenador da Telemedicina do HCor, Fábio Taniguchi.

Com um pequeno aparelho semelhante a um smartphone, chamado de Tele-Eletrocardiografia Digital, o exame de coração é transmitido para a Central de Telemedicina do HCor. As informações são analisadas por uma equipe de cardiologistas de plantão, e o laudo é emitido em até 10 minutos.

“A telemedicina permite o acesso a especialistas que não se encontram na região, com redução de deslocamentos desnecessários e oferta de exames complementares não disponibilizados. Programas de apoio ao cuidado clínico também são exemplos de ajuda aos pacientes”, afirma Taniguchi.

Nova fase

Neste ano, a Central de Telemedicina do HCor começou uma nova fase. Além dos laudos de eletrocardiogramas, a equipe de cardiologistas de plantão também entra em contato com as unidades de saúde para dar apoio ao atendimento médico. Este novo serviço faz toda diferença, principalmente, para aquelas unidades onde não há especialistas em cardiologia.

“Assim que emitimos o laudo do eletrocardiograma com supra de ST (sugestivo de infarto agudo do miocárdio) entramos em contato com a unidade de saúde para discussão do caso clínico e apoio à conduta baseada nas diretrizes e boas práticas em cardiologia. Estes pacientes vão contar com a orientação de cardiologistas do HCor, que irão auxiliar na melhor condução do caso clínico aprimorado pelas melhores evidências”, explica Taniguchi.

Também há o acompanhamento do trabalho realizado e do desfecho dos pacientes. “Essa ‘teleconsultoria’, apoiada na consolidação de uma rede de especialistas como uma junta médica, é uma possibilidade num futuro próximo. A chance de oferta de programas de apoio ao paciente, como na insuficiência cardíaca, já realizada em países da Europa, demonstra amplo espectro de ações possíveis na Telemedicina”, ressalta Taniguchi.

Conheça as vantagens da telemedicina para os pacientes

Em muitos países, é cada vez maior o uso da telemedicina. Nos Estados Unidos, por exemplo, a adoção da nova prática cresce cerca de 3,5% por ano.No Brasil, as novas tecnologias em saúde têm sido adotadas em ritmo acelerado, o que coloca o país em posição de destaque na América Latina. Tanto no sistema público quanto no privado, a prática da telemedicina assíncrona, ou seja, quando acontece de forma off-line, em especial o laudo de exames à distância, já é realidade.

Mas quais as vantagens, afinal, que a telemedicina pode trazer ao atendimento dos pacientes? Com a telemedicina as instituições poderão promover atendimento remoto de pacientes, rompendo barreiras geográficas, ampliar o acesso a especialistas e até mesmo reduzir filas. “Atualmente, existem vários trabalhos que mostram que um número enorme de questões da medicina com base em tecnologia consegue ser resolvido sem a necessidade de o médico estar junto do paciente presencialmente, principalmente se ao lado do paciente estiver outro profissional da área da saúde”, explica o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner.

Benefícios da Tecnologia

Como um método de prestação de cuidados de saúde clínicos a alguém à distância, a telemedicina através da utilização de tecnologias de telecomunicações e de informação, proporciona uma série benefícios para o setor da saúde.

Entre eles, colocar o paciente certo no lugar correto e evitar idas desnecessárias ao pronto atendimento. “Isso ajuda a melhorar a experiência e saúde da população, além de reduzir o custo do atendimento e destinar os leitos adequadamente a atendimentos de urgência para casos mais complexos”, analisa Sidney Klajner.

“A ida dos pacientes aos prontos-socorros vai diminuir, e com isso, sem dúvida nenhuma, vai desafogar o atendimento de pronto-socorro, porque a gente sabe que em torno de 60, 70% dos pacientes que procuram em geral as grandes redes hospitalares nos prontos-socorros são pacientes claramente ambulatoriais”, complementa o executivo do Grupo Leforte, Mário Lúcio Filho.

Outro benefício apontado é a quebra de barreiras geográficas. “A principal atribuição é aproximar a medicina existente nos grandes centros para outras regiões que possuem alguma carência, seja de médicos ou, principalmente, de especialistas em algumas áreas”, afirma o diretor clínico.

O presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner ressalta ainda que a telemedicina é um importante recurso para que se possa interagir mais com o paciente, o que contribui para a relação médico-paciente. “A telemedicina não é um risco, é um benefício que se ganha com a melhora da tecnologia, tanto que a interação médico-paciente, há décadas, era feita por telefone muitas vezes. Se usada da maneira correta e por profissionais conscientes de que é uma primeira orientação, não traz riscos e, sim, benefícios”, esclarece.

Exemplos no Brasil

Em São Paulo, o Hospital Israelita Albert Einstein já faz uso de telemedicina síncrona, inclusive para conectar diretamente médicos e pacientes via videoconferência. A instituição oferece vários produtos que vão desde orientação de outros médicos para discussão de casos, como a tele UTI até a teledermatologia. Entre os destaques tem a Telecessação de Tabagismo – voltado aos pacientes que querem largar o vício e precisam de ajuda, mas não têm disponibilidade para realizar consultas presenciais.

Já os hospitais do Grupo Leforte, em São Paulo, utilizam os recursos da telemedicina para atender a especialidade de neurologia. O programa, implantado em janeiro de 2018, já atendeu 350 emergências neurológicas (AVC, crises convulsivas, traumatismo craniano, confusão mental sem explicação aparente e suspeita de meningite).

Também em São Paulo, o Hospital do Coração – HCor conta com uma Central de Telemedicina que envia laudos emitidos à distância dos exames realizados pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), em uma parceria da instituição com o Ministério da Saúde para agilizar o atendimento a pacientes com problemas cardíacos.

Já o Hospital Sírio-Libanês, fornece o apoio aos serviços de pronto atendimento em casos de AVC do Hospital Geral do Grajaú, na zona sul de São Paulo, além de contar com o projeto Regula+Brasil, que tem como objetivo reduzir as filas de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), atuando como um ente regulador entre o atendimento na atenção básica e o encaminhamento para a média e alta complexidade.

O Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, conecta especialistas com profissionais de outras partes do Estado e do país em duas frentes. Uma delas é com o serviço de Telemedicina em UTI Pediátrica (TeleUTIP), em que uma equipe médica da capital acompanha pacientes do Hospital Geral de Palmas (TO) e do Hospital Regional Norte, de Sobral (CE). E a outra é o projeto Teleoftalmo – Olhar Gaúcho, em que por meio de dois consultórios remotos no Hospital Restinga e Extremo-Sul, em Porto Alegre, são beneficiados pacientes da capital gaúcha e das cidades de Santa Rosa, Farroupilha, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo e Santiago.

No estado do Rio de Janeiro, o Hospital São Lucas Copacabana e o Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), oferecem suporte de telemedicina na emergência com protocolos específicos para troca de informações entre especialistas, auxiliando, principalmente, na tomada de decisão no tratamento de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Conselho Federal de Medicina anuncia medida que autoriza telemedicina no Brasil

O Conselho Federal de Medicina anunciou na semana passada uma medida que autoriza a realização de consultas online, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância. O órgão abriu prazo de 60 dias para receber contribuições relativas à resolução 2.227/2018, que atualiza critérios para a prática da telemedicina no Brasil. A regulamentação entra em vigor em três meses.

O texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina, mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou offline.

Com o objetivo de aperfeiçoar a norma, o CFM  receberá propostas dos Conselhos Regionais de Medicina e das entidades médicas. As contribuições serão analisadas, com possibilidade de implementação, após a deliberação do plenário do Conselho Federal de Medicina.

Vantagens do atendimento à distância

A nova resolução do CFM permite consultas online desde que haja uma ficha médica feita presencialmente. “Quando um paciente chega com algum sintoma no pronto-socorro, imediatamente o médico do plantão faz o contato com um neurologista e relata o que está acontecendo. Este médico do outro lado da tela avalia os exames e fala com o paciente, se necessário, e aponta qual procedimento deve ser feito”, explica José Luciano Monteiro Cunha, coordenador da área de Neurologia do Hospital Leforte.

“Com a tecnologia em nuvem e o acesso on-line de documentos e exames, acreditamos que vamos avançar na atuação à distância, pois resultados de uma avaliação feita em um local podem ser debatidos com profissionais em outro hospital. Atuamos com o bem mais precioso que é vida humana e sabemos que hoje podemos contar com todas as ferramentas tecnológicas para melhor o atendimento aos pacientes”, comenta Cunha.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina/Global Summit,  em dezembro de 2018, com retorno espontâneo de 848 entrevistados, 84,67% dos médicos afirmaram usar ferramentas de tecnologia da informação para observação dos pacientes e otimização do tempo de consulta. Segundo o estudo, o prontuário eletrônico é a ferramenta mais utilizada, com 76,75% das respostas entre os que já incorporaram a tecnologia na rotina.