Medicina

Caem números de transplantes durante pandemia e fila de espera cresce

22 de outubro, 2021

Cada doador de órgãos pode ajudar até 40 pessoas

Embora o Brasil seja o segundo país que mais realiza transplantes no mundo (atrás apenas dos EUA), o momento atual está mais difícil para quem espera por um órgão e para os profissionais dessa área. Isso porque a taxa de efetivação das doações de órgãos diminuiu drasticamente.

Por conta do impacto da pandemia, o número de transplantes feitos em 2021 caiu cerca de 25%, mostram dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

O mais recente Registro Brasileiro de Transplantes, um levantamento completo das doações e transplantes publicado pela ABTO, aponta que o tipo de cirurgia que sofreu maior queda foi a de transplante de rins, que diminuiu 16,3%. Os piores números foram registrados nos estados de Santa Catarina, com queda de 63%, e Rio Grande do Sul, com índice 59% menor.

A situação preocupa especialistas, como os profissionais do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo (RS). Atualmente, 66 pessoas aguardam na lista por um rim na região. Em 2021, a instituição realizou apenas dois transplantes renais – em 2020 foram 23.

O médico Paulo Reichert, coordenador do serviço de transplante de fígado do HSVP, destaca que cada doador pode beneficiar entre 30 e 40 pessoas. Por exemplo, uma única pessoa pode doar duas córneas, devolvendo a visão a duas pessoas; dois rins, tirando outras duas da hemodiálise; diferentes ossos e cartilagens, que beneficiam diversas pessoas; e assim por diante.

Para que mais pessoas possam ter uma vida mais longa e com qualidade, é preciso que a sociedade fale mais sobre o tema. Como a doação só pode ser feita com a autorização expressa de um familiar, é necessário que quem quer ser doador deixe isso claro às pessoas mais próximas.

Legislação brasileira para transplantes é a mais rígida do mundo

É importante tranquilizar as famílias de que o processo de doação de órgãos é extremamente seguro no país. A legislação brasileira é bastante rígida no que diz respeito ao atestado de morte encefálica, para assegurar que apenas pessoas que não tenham mais chances de vida sejam consideradas como doador falecido. Além disso, a família do possível doador pode indicar um médico de sua confiança para acompanhar todo o procedimento.

A assistente social Franciele Gehlen lembra que conversas entre familiares sobre a opção de ser doador de órgãos é a maior aliada dos profissionais durante as abordagens. “A gente explica que é um pedacinho do ente querido que vai dar a oportunidade para que outras pessoas possam estar seguindo com suas vidas. Por isso, reforçamos sempre que a vontade de ser doador de órgãos precisa ser dividida com quem amamos”.

Neste ano, o técnico de informática Ricardo Portolan, de 41 anos, ganhou uma nova chance de vida após um transplante de fígado realizado no Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo. “Graças ao meu doador, agora posso ver nos olhos dos meus familiares a alegria de me terem novamente”.

Emocionado, o transplantado reforça o apelo para que mais pessoas se somem à campanha permanente do hospital de incentivo à doação. “Realmente, a doação de órgãos muda vidas. Obrigado, de coração, ao meu doador. Graças a ele, estou aqui”.

Fonte: edição do texto original do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo (RS)