Especial Coronavírus

Tudo o que já se sabe sobre a imunização continuada contra a Covid-19

10 de setembro, 2021

Como forma de reforçar a resposta imunológica de grupos específicos, a terceira dose da vacina já começa a fazer parte do calendário das cidades

Desde que atingiu o patamar de pandemia, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020, a Covid-19 apresentou diversas variações e, consequentemente, diferentes respostas do vírus às plataformas vacinais existentes até o momento.

Para reforçar a ação imunizante e, possivelmente, evitar escapes provocados por cepas mutantes, o Ministério da Saúde optou por seguir o exemplo de outros países e recomendar a terceira dose da vacina – a princípio, para idosos acima de 70 anos e pessoas consideradas imunossuprimidas. No entanto, estados como São Paulo já disponibilizaram calendário contemplando outras faixas etárias, a partir dos 60 anos*.

Conversamos com especialistas e respondemos, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre a dose de reforço contra o coronavírus.

> Dra. Viviane Hessel Dias, infectologista e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Infecção Hospitalar do Hospital Marcelino Champagnat

Por que a necessidade de uma terceira dose da vacina contra Covid-19?
Por meio das análises de acompanhamento da vacinação, tem sido observada uma queda progressiva de proteção, especialmente em idosos acima de 70-80 anos. Outro grupo que pode ter resposta diminuída de soroconversão são os pacientes imunossuprimidos. Nesses grupos, a administração de uma terceira dose pode melhorar a resposta imunológica.

Qual o intervalo de tempo indicado para o reforço?
Seis meses após a última dose do esquema vacinal utilizado.

O que pode acontecer caso eu não tome a dose de reforço?
Se você pertence a algum dos grupos específicos em que a dose de reforço é indicada, a não realização dessa dose pode impactar em aumento do risco de infecção e hospitalização relacionada à Covid-19.

> Dra. Isabella Albuquerque, infectologista e chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo

A terceira dose da vacina deve ser da mesma marca que tomei anteriormente?
A previsão é de que a terceira dose seja feita com plataforma vacinal diferente da inicial, havendo preferência pela vacina da Pfizer, sempre que disponível. Na sua falta, as demais deverão ser utilizadas.

Que reações posso ter ao tomar a terceira dose?
As mesmas associadas às doses anteriores, dependendo da plataforma vacinal utilizada. Desde nenhuma reação, passando por dor no local da injeção, até reações sistêmicas como febre, dor de cabeça e dor no corpo.

Com a terceira dose, já é permitido abandonar hábitos como o uso de máscaras e higienização das mãos com álcool em gel?
Não, tais hábitos devem ser mantidos minimamente até que toda a dinâmica da doença e da resposta imunológica às vacinas seja totalmente conhecida.

Fique sabendo!
Quais são os grupos de imunossupressão mediada por doença ou medicamentos e imunossuprimidos?

– Imunodeficiência primária grave

– Quimioterapia para câncer

– Transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) que estão usando drogas imunossupressoras

– Pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 menor do que 200 céls/mm3

– Uso de corticoides em doses maior ou igual a 20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por mais de 14 dias

– Uso de drogas modificadoras da resposta imune

– Pacientes em hemodiálise

– Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, auto inflamatórias, doenças intestinais inflamatórias).

 *Confira o calendário vacinal de seu município. O período pode variar de acordo com a recomendação local.